terça-feira, 30 de março de 2010

O curioso caso da sobremesa cor-de-rosa

Quando se estuda no cursinho com a maior carga horária de Brasília já se sabe que almoçar fora não é algo a se negociar. Pois bem, num raio de 10m (aqui apresento-lhes minha total incapacidade com medidas) já conhecemos uns quatro restaurantes legaizinhos e um fast-food (quem souber qual é ganha uma super-size fries x), mas a sensação é o famoso restaurante de 3 reais. Isso mesmo: 3 REAIS!!
Não sejam preconceituosos como eu fui... Lá é um restaurante de um órgão do Estado ou coisa parecida. O lugar é limpo, arrumadinho e tem uma comida básica, balanceada. E se você não é uma apreciador de pratos gigantes, realmente paga 3 reais ou menos o/Eu não costumo ir lá muitas vezes porque sou incrivelmente chata pra comer (geralmente não sinto vontade de comer) e em um lugar que não tem muita variedade a chance de voltar com fome pra uma tarde de estudos é bem alta.

Mas porque contar tudo isso?
Bem, o que aconteceu é que hoje na hora do almoço, eu e mais uma galere legal fomos ao tal restaurante. Eu super me empolguei e, apesar do costumeiro prato pequeno que ponho lá, olhei para as sobremesas e sem pensar duas vezes peguei uma que era um copinho com uma substância rosa de consistência gelatinosa. Perguntei pra moça o que era e ela respondeu que era mousse de morango.
Quando voltei para a mesa - após um ataque de TOC que acabou relativamente bem -, as pessoas legais começaram a olhar de forma estranha pro copinho e eu não entendia o porquê, afinal era MOUSSE DE MORANGO!! Um deles tomou coragem e disse que não gostava porque coisas de morango geralmente são muito artificais. Ok, até aí tudo bem.
Ao terminar o almoço eu peguei a colherzinha e me preparei pra comer, então começaram os comentários: "isso parece gelatina", "deve ser gelatina de morango com leite condensado ou creme de leite", "iiiH! Eu acho que não...", "tem cor de danoninho". Isse me deixou bastante receosa em provar a iguaria o.o
Enfim tomei coragem e provei o que seria uma das coisas mais horripilantes da minha vida DDD:
A sobremesa era artificialmente doce e parecia uma mistura bem indecisa entre líquido e gelatinoso, mas pra gelatina do que pra mousse, só que de uma forma bizarra e nada gostosa. Minha cara denunciou minha apreciação e todo mundo começou a rir... de mim.
Pra piorar, minha amiga (que na verdade é uma menina que estudou comigo quando éramos beeeeeeem pequenas =) foi investigar o mousse. Ela chegou à mesa de sobremesas e perguntou: "moça, isso é gelatina?".
A moça respondeu: "aaaaH... É gelatina, mousse, água. Tudo misturado."
"Tudo misturado, né?"
"É, tudo misturado!" *cara de psicopata*

Ela voltou, contou a conversa - para o meu horror - e nós fomos embora.
No meio do caminho de volta ao cursinho eu tive uma epifania. O mais provável é que eles pegassem o "mousse" que eu deixei, jogassem em uma panela gigante com outros de sua família, mexessem bem e colocassem pra gelar novamente.

Reflitam.













Ele nem de longe se parecia com esse aqui :xx







sexta-feira, 12 de março de 2010

[faz sotaque]"Das Weisse Band"[/faz sotaque]

Em meio às férias, estava em busca de filmes legais pra assistir e me deparei com um tal de "A Fita Branca"; era um filme alemão com cara de cinema independente e com uma sinopse extremamente interessante. Acabou que eu esqueci do filme, até que vi que estava concorrendo ao Oscar. Uai, o filme é atual e reconhecido! Nada contra cinema independente, de jeito nenhum, eu adoro e surgem coisas interessantíssimas dele, mas esse alardezinho que fizeram com Fitilho "A Fita Branca" - afinal era o favorito pra Melhor Filme Estrangeito - atiçou minha curiosidade novamente.
Eu vi o filme.

Ele começa com uma narração em off comentando que estranhos acontecimentos ocorreram naquele pequeno vilarejo onde a Bela mora na Alemanha, em 1913 e 1914. No decorrer do filme altos crimes misteriosos acontecem, muitas vezes da forma mais nonsense possível.
Aí está uma história de mistério e tanto, mas desde o começo fica a sensação de que é algo a mais. Logo que vi o trailer, me lembrei muito de "A Vila" (o que não é necessariamente bom), mas depois vi que se assemelhava mais aos filmes com crianças do Guillermo Del Toro. Nos filmes dele, nós temos uma história que serve meio que como distração para o que realmente está acontecendo.

Em "A Fita Branca", enquanto os crimes ocorrem, a vida privada das pessoas do vilarejo é mostrada. Temos o Barão mau humorado e a Baronesa descontente, o médico que se amarra na filha (isso porque a Carol desde o começo do filme garantiu que teria pedofilia o.o), a parteira com seu filho deficiente, o professor/narrador que toca piano e tem um romancezinho com a babá dos gêmeos do Barão (eu fui total shipper aqui =),
AH! O Pastor é responsável pelo título do filme e por uma das cenas mais bizarras: após seus filhos o desobedecerem, ele amarra uma fita branca no braço do mais velho e no cabelo da mais velha - isso depois deles apanharem muito - e diz que a fita representava a pureza e tal.
Ele insinua que o filho (o menine com olheiras na foto) ficará com um monte de pústulas e morrerá! Não se enganem, o menino não morrerá de sarampo/rubéola/catapora/gripe suína -q, será porque destruiu os nervos ao ultrapassar a "área da barreira criada por Deus"... Com as palavras do Pastor Serafim. Então o menino foi amarrado na cama o.o
(As crianças precisavam mesmo é de uma Mary Poppins \o/)
Esse cara é tenso, assim como todas as outras pessoas da vila que não cansam de humilhar/espancar/desprezar os filhos e as outras pessoas. Mas tudo muito sutil; nenhuma cena violenta é mostrada explicitamente. Ponto pro filme!

Esse clima de opressão é o ponto chave da história.
Logo após o filme ser lançado, a generalização da crítica era de que ele mostrava as origens do nazismo (vocês realmente acharam que iam falar da Alemanha sem mexer com o emo do bigodinho?). A teoria dizia que a repressão extrema pela qual as crianças passaram serviu como sementinha para a criação de um regime, que por sua vez, também foi repressor. Essas crianças seriam adultas na época da ascenção do nazismo, logo suas colaboradoras (assim como outras crianças oprimidas da Alemanha). Aliás, a suspeita do professor de que elas estavam por trás dos crimes foi uma espécie de prenúncio do que elas poderiam fazer mais tarde.
Essa ideia de que da forma como te julgam você passa a julgar os outro foi resposável pelo nazismo não é nova e já foi derrubada por vários sociólogos especialistas no Holocausto.

Eu, particularmente, não concordo com ela. Claro que algumas pessoas na época podem ter agido como agiram por esse motivo, mas a repressão, o patriarcalismo e rigidez não servem de desculpa até porque isso não aconteceu apenas lá. Os avós de muitos aqui (e até os pais) cresceram num ambiente desses. Outros países também foram assim e alguns são até hoje, ou vai me dizer que o que ocorre no islamismo não é exatamente isso? Toda a pressão qe fazem em cima dos estudantes japoneses que acabam cometendo suicídio também não o é?
O próprio diretor, Michael Haneke, disse que interpretar o filme como algo unicamente sobre o nazismo era uma leitura muito superficial. Na verdade, ele quis mostrar que quando se doutrina pessoas de forma tão ferrenha aquilo vira ideologia e essas pessoas passam a sentir que podem julgar os outros segundo essa ideologia (no caso do filme as crianças julgam até as pessoas que as ensinaram). E isso não é uma particularidade do nazifascismo, mas de qualquer ideologia extremada.
E aí críticos, querem ir contra o próprio diretor?


Assistam o filme! Todo em preto e branco e sem trilha sonora, salvo alguma música que toque na cena, logo você não faz a mínima idéia do que esperar... É inteligentíssimo e extremamente bem feito, com atuações maravilhosas.



E esse menininho é o filho do médico e eu irei adotá-lo por ser muitíssimo apertável *-*

segunda-feira, 8 de março de 2010

And the Oscar goes to...

Eu sou uma grande apreciadora da Sétima Arte (forma cult de começar um post), mas ao contrário de uma galera por aí eu não parei no tempo delirando com os efeitos especiais de King Kong de 33 \fikdik

Faz tempo que eu não acompanho um Oscar, mais precisamente desde que "O Aviador" não ganhou DD: Gente, um filme que fala de Hollywood para Hollywood tinha que ter levado aquela bizarrice careca!! Sem contar toda a parte artística envolvida - até as cores usadas no filme foram propositais, baseando-se no surgimento dos filmes em cores. Esse também é o filme com umas das cenas mais românticas que eu já vi, afinal não é todo mundo que tem TOC que sai dividindo sua garrafa de leite o.o por aí...
E depois eles tentam consertar as coisas fazendo "Os Infiltrados" ganhar Melhor Diretor, Melhor Filme, entre outros *revolta mode on*

Maaaas... Não é sobre isso que eu quero falar. Não exatamente.
Infelizmente, por motivos de força maior, no ano passado (e parte desse ano) eu estive meio alheia ao mundo cinematográfico, então vou simplesmente arriscar um comentário.
Eu NUNCA imaginaria que ficaria com pena por Avatar e seus cabos USB não ter ganho as paradinhas lá D:
Não que eu ache o filme perfeito fora a parte visual - essa sim merece aplausos! -, mas que foi estranho foi. A Academia, pra variar, valorizando filmes super dramáticos e esse ainda por cima com um forte teor político mesmo que camuflado. Não podemos esquecer de todo o rolo que é a presença das tropas norte-americanas (odeio esse termo) no Iraque, e como acontece nessas guerras, os soldados nem sabem mais porque estão combatendo. Mesmo assim não deixo de pensar que houve uma tentativazinha de surpreender, afinal todo o marketing em cima do Oscar 2010 foi dizendo que esse ano seria totalmente diferente.
Resumindo: gostei dessa reviravolta que, aparentemente, privilegiou o conteúdo (mesmo sendo um conteúdo que derrete os Estados Unidos em qualquer ocasião: a guerra no Iraque), mas acho que a esnobada que deram em Avatar foi um pouco forte demais, não? Foi quase como se quisessem provar que não cedem à pressão do sucesso que um filme faz.



Mas ADOREI uma mulher ter ganho Melhor DiretorA *-*














Gente, olha aí a Kathryn Bigelow emocionada por o ex-marido dela ter perdido ter ganhado o/





Alguns pareceres:
> Eu queria que Melhor Trilha Sonora tivesse ido pro Hans Zimmer por "Sherlock Holmes". É uma das poucas vezes em que me surpreendo com a trilha dele. Ficou TÃO criativa.
> Eu queria que Melhor Filme Estrangeiro tivesse ido pra "A Fita Branca". Abstenho-me de mais comentários.
Eu só torcia pra esses dois...
> A tentativa da Disney de voltar ao 2D foi tão mal sucedida que enquanto "Branca de Neve" ganhou um Oscar honorário e "A Bela e a Fera" foi a única animação que já concorreu a Melhor Filme, "A Princesa e o Sapo" quase não era nem indicado.

Curiosidadezinhas básicas:
> A votação do Oscar é feita mais ou menos assim: os vencedores passam a fazer parte da votação e cada um vota no que lhe diz respeito, diretores em diretores, músicos em trilha sonora, etc. Quando é hora de votar no Melhor Filme todos votam =D
> Anteontem, a Sandra Bullock recebeu o Framboesa de Ouro como Pior Atriz... Em 24h ela recebe o Oscar de Melhor Atriz. REFLETE







Será que só eu traço um paralelo muito forte entre Avatar e Titanic? Só que Titanic não era ecológico [!!] lógico, era um navio à vapor