sexta-feira, 12 de março de 2010

[faz sotaque]"Das Weisse Band"[/faz sotaque]

Em meio às férias, estava em busca de filmes legais pra assistir e me deparei com um tal de "A Fita Branca"; era um filme alemão com cara de cinema independente e com uma sinopse extremamente interessante. Acabou que eu esqueci do filme, até que vi que estava concorrendo ao Oscar. Uai, o filme é atual e reconhecido! Nada contra cinema independente, de jeito nenhum, eu adoro e surgem coisas interessantíssimas dele, mas esse alardezinho que fizeram com Fitilho "A Fita Branca" - afinal era o favorito pra Melhor Filme Estrangeito - atiçou minha curiosidade novamente.
Eu vi o filme.

Ele começa com uma narração em off comentando que estranhos acontecimentos ocorreram naquele pequeno vilarejo onde a Bela mora na Alemanha, em 1913 e 1914. No decorrer do filme altos crimes misteriosos acontecem, muitas vezes da forma mais nonsense possível.
Aí está uma história de mistério e tanto, mas desde o começo fica a sensação de que é algo a mais. Logo que vi o trailer, me lembrei muito de "A Vila" (o que não é necessariamente bom), mas depois vi que se assemelhava mais aos filmes com crianças do Guillermo Del Toro. Nos filmes dele, nós temos uma história que serve meio que como distração para o que realmente está acontecendo.

Em "A Fita Branca", enquanto os crimes ocorrem, a vida privada das pessoas do vilarejo é mostrada. Temos o Barão mau humorado e a Baronesa descontente, o médico que se amarra na filha (isso porque a Carol desde o começo do filme garantiu que teria pedofilia o.o), a parteira com seu filho deficiente, o professor/narrador que toca piano e tem um romancezinho com a babá dos gêmeos do Barão (eu fui total shipper aqui =),
AH! O Pastor é responsável pelo título do filme e por uma das cenas mais bizarras: após seus filhos o desobedecerem, ele amarra uma fita branca no braço do mais velho e no cabelo da mais velha - isso depois deles apanharem muito - e diz que a fita representava a pureza e tal.
Ele insinua que o filho (o menine com olheiras na foto) ficará com um monte de pústulas e morrerá! Não se enganem, o menino não morrerá de sarampo/rubéola/catapora/gripe suína -q, será porque destruiu os nervos ao ultrapassar a "área da barreira criada por Deus"... Com as palavras do Pastor Serafim. Então o menino foi amarrado na cama o.o
(As crianças precisavam mesmo é de uma Mary Poppins \o/)
Esse cara é tenso, assim como todas as outras pessoas da vila que não cansam de humilhar/espancar/desprezar os filhos e as outras pessoas. Mas tudo muito sutil; nenhuma cena violenta é mostrada explicitamente. Ponto pro filme!

Esse clima de opressão é o ponto chave da história.
Logo após o filme ser lançado, a generalização da crítica era de que ele mostrava as origens do nazismo (vocês realmente acharam que iam falar da Alemanha sem mexer com o emo do bigodinho?). A teoria dizia que a repressão extrema pela qual as crianças passaram serviu como sementinha para a criação de um regime, que por sua vez, também foi repressor. Essas crianças seriam adultas na época da ascenção do nazismo, logo suas colaboradoras (assim como outras crianças oprimidas da Alemanha). Aliás, a suspeita do professor de que elas estavam por trás dos crimes foi uma espécie de prenúncio do que elas poderiam fazer mais tarde.
Essa ideia de que da forma como te julgam você passa a julgar os outro foi resposável pelo nazismo não é nova e já foi derrubada por vários sociólogos especialistas no Holocausto.

Eu, particularmente, não concordo com ela. Claro que algumas pessoas na época podem ter agido como agiram por esse motivo, mas a repressão, o patriarcalismo e rigidez não servem de desculpa até porque isso não aconteceu apenas lá. Os avós de muitos aqui (e até os pais) cresceram num ambiente desses. Outros países também foram assim e alguns são até hoje, ou vai me dizer que o que ocorre no islamismo não é exatamente isso? Toda a pressão qe fazem em cima dos estudantes japoneses que acabam cometendo suicídio também não o é?
O próprio diretor, Michael Haneke, disse que interpretar o filme como algo unicamente sobre o nazismo era uma leitura muito superficial. Na verdade, ele quis mostrar que quando se doutrina pessoas de forma tão ferrenha aquilo vira ideologia e essas pessoas passam a sentir que podem julgar os outros segundo essa ideologia (no caso do filme as crianças julgam até as pessoas que as ensinaram). E isso não é uma particularidade do nazifascismo, mas de qualquer ideologia extremada.
E aí críticos, querem ir contra o próprio diretor?


Assistam o filme! Todo em preto e branco e sem trilha sonora, salvo alguma música que toque na cena, logo você não faz a mínima idéia do que esperar... É inteligentíssimo e extremamente bem feito, com atuações maravilhosas.



E esse menininho é o filho do médico e eu irei adotá-lo por ser muitíssimo apertável *-*

3 comentários:

  1. Que legal seu post. Adoro comentários assim sobre filmes. Os meus são sempre muito mau humorados e breves hahahahaa
    E eu geralmente só analiso a parte técnica, poucas vezes falo da estória do filme, ou indagações que ele suscita, sei lá, é como se eu não tivesse direito de criticar o diretor por escolher aquela estória pra contar, isso é problema dele. Eu só foco no "como" ele conta.
    Acho que tenho que ligar mais pra isso, só o fiz mesmo em Fale Com Ela, que, ao contrário da maioria que amou, achei bem doentiozinho hehehe

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  2. eu entendi o silencio u.u a gente n entende pn, até ir discutir com algm sobre o filme UIASHUIASHASUIHASUI :) e o Rudi é o filho do nosso colega, FATO :X todo pertubado ASKASKOPASOP ;D mas, sim, meeigo ;3
    e eu voto na Klara como futura alma gemiia do Adolfinho *-*

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  3. O engraçado é que nenhuma das doenças que você citou gera pústulas...

    Enfim, é meio perigoso julgar a cultura dos outros segundo a nossa, mas até que você não se saiu mal.

    Boa Resenha.

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