quarta-feira, 26 de maio de 2010

Off With Tim's Head

Depois de mais de um mês, eu finalmente assisto Alice no País das Maravilhas. Deveria ter ido com os Musguinhos, mas forças externas nos impediram... Mas ir ao cinema com mamãe é sempre divertido, ainda mais se você aprecia um bom comentário irônico de vez em quando (meu humor tinha que ter vindo de algum lugar, né?).

Desde quando eu era pequena e assistia ao desenho da Disney criei um certo apreço pelos personagens bizarros e suas manias mais bizarras ainda. Outra coisa que gosto muito, e todos já perceberam, são os filme do Tim Burton, logo eu achava que Alice e o Tim foram feitos um para o outro, certo? ERRADO!

Sempre achei que uma adaptação da história deveria ser feita por alguém que não deixasse sua marca em cada uma das cenas de forma tão nítida, algo mais sutil pra compensar a história que é exagerada por si só; mas, uma vez começada a produção, não se pode fazer muita coisa...
Ao contrário de muitos dos fãs, eu não esperava que ele criasse uma versão dark psicótica de Alice e, em princípio, até aceitei de bom grado a ideia de uma continuação da história original.
Vamos à tal história...

Alice Pevensie vai casar, mas, no dia do noivado com um cara muito chato, ela foge atrás de um Coelho Branco e acaba entrando no guarda-roupa caindo na toca do coelho e vai parar em um lugar 'curiosíssimo, curiosíssimo' onde uma galerinha esquisita discute se ela é ou não é ela. O fato é que Underland virou um caos e eles precisam que a Alice volte para salvá-los devolvendo para a Rainha Branca a espada (tipo aquela do Aragorn) que matará o Jaguadarte - que é uma dragaozinho - e está com a Rainha Vermelha. Depois de alguns contratempos ela consegue a espada e então acontece uma reunião para saber quem levará o Anel até Mordor será o grande guerreiro que irá empunhá-la e derrotará o Jaguadarte. Cumprindo a profecia, Alice decide ir, veste sua armadura de Éowyn, e tem início a grande batalha final *voz de narrador épico*.

Bem, e o que diabos acontece? NADA! Esse é o problema. A história não chega a ser ruim a ponto de insultar a obra original, nem é digna de ser uma homenagem à ela. O argumento é simplesmente mais um no estilo "oooH! Você é o escolhido para salvar Underland/Arda/Nárnia/Hogwarts".

E eu ainda quero saber o que a roteirista usou antes de criar a Rainha Vermelha. No ímpeto de misturar as histórias dos dois livros ela juntou a Rainha Vermelha (Através do Espelho) que é uma nobre senhora de um jogo de xadrez e tem altos papos legais com a Alice no final do livro, com a Rainha de Copas (País das Maravilhas), essa sim a tirana que fica gritando "cortem as cabeças!!"



Falando em Rainha... Muita gente falou mal da Anne Hathaway dizendo que sua Rainha Branca era superficial; isso até que não me afetou, eu entendi a intenção e me diverti com aquelas coisa de 'o mundo pode acabar, mas eu continuo linda e delicada e ando como se estivesse flutuando'.

A Mia Wasikowska é outra que foi bastante criticada por ser "sem sal demais". Eu consigo imaginar a Alice crescendo e ficando daquele jeito: com a resposta na ponta da língua, mesmo que esta aparente não fazer sentido nenhum. Acho que o problema é mais o roteiro que não deu oportunidade para ela mostrar seu talento dramático, porque quem viu "In Treatment" sabe que ela manda muuuuito bem.

Quanto o Alan Rickman dublando a lagarta, eu esperava um "mister Potter" ao final de cada frase...

A parte mais tensa fica por conta do Johnny Depp e seu Chapeleiro "Che Guevara" Maluco - o
melancólico líder da resistência - WTH?... Adoro o cara, mas essa coisa de sempre fazer papel de gente excêntrica acaba fazendo com que ele repita os trejeitos de um personagem em outro. Eu consegui exergar o Willy Wonka em praticamente todas as expressões faciais dele (sem contar aquela maquiagem exagerada que parecia o demônio :x). E é impressão minha ou rolou um clima entre ele e a Alice? O.o E ainda teve aquela dancinha homenagem ao Michael Jackson que me deixou com a sensação de vergonha alheia elevada à infinita potência.

O Gato está fofíssimo de esquisito e é a melhor parte do 3D.
Eu ainda tenho muita vontade de mordê-lo =D
E o caxinguelê (o dormouse) está divertidíssimo, apesar de ter ficado muito parecido com o ratinho valente do "Príncipe Caspian" (sim, eu vi esse filme esses dias e descobri uma das coisas mais bizarras da minha vida o.o).
A Helena está ótima, sem mais.

Na verdade o certo seria "off with Linda Woolverton's head", já que ela foi a roteirista responsável por essa bizarrice e eu não sei até onde o Tim Burton teve autonomia, uma vez contratado pela Disney. A história simplesmente não empolga e a tentativa de, em certas cenas, criar diálogos nonsense como no original é, no mínimo, frustrada (e o que foi aquele final com a Alice neocolonizadora, desbravadora da China?). Nem a trilha sonora consegue animar, o tema mmmaravilhoso só toca nos créditos finais depois da música da Avril Lavigne ¬¬


Mas alguns fatores evitaram que eu apelasse pro voodoo quando chegasse em casa: a direção de arte, a fotografia e o figurino estavam perfeitos, sendo os vestidos da Alice incrivelmente criativos *-*
E o mais legal de tudo foi o tanto de referências aos livros originais e às ilustrações do Tenniel; isso faz com que alguém que sabe o livro de cor e salteado fique bastante feliz (sem contar a citação a "O Príncipe" que me fez dar pala no cinema o/)



Infelizmente, o filme foi mais um exemplo de alguém que tinha um excelente projeto nas mãos e não conseguiu aproveitar. Eu daria um 6,5 mais 0,5 por ser 3D (Mentiiiira! Eu nem gosto tanto assim de 3D). Mesmo assim eu não odiei o filme - talvez por esperar algo muuuuito ruim -, é divertido. Só.

E agora, temam: a Disney quer um Alice 2. *se mata*



Obs1.: no filme eles falam Underland mesmo. Inclusive, no manuscrito original era isso que aparecia no título, depois que virou Wonderland ^^

Obs2.: eu quis tanto que o Chapeleiro fizesse a charada do corvo e da escrivaninha... Mas depois que ele repete pela quinta vez quis jogar algo na tela ._.

Obs3.: eu temo todas as futuras releituras da Disney. Estas incluem "A Bela Adormecida", "Cinderella", "O Mágico de Oz" e "A Bela e a Fera". DDD:


2012, chegue antes disso, por favor!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Nero, onde estão suas tochas?

Se eu pudesse matar o diretor, eu matava.
Foi com esse pensamento que eu cheguei, com muito custo, aos créditos de Nine.
Rob Marshall dirigiu o premiado Chicago e agora aventurou-se em uma releitura da obra "8 1/2" do Fellini. Sacaram o Nine?


O filme fala de um famoso cineasta italiano nos anos 50 chamado Guido Contini. Ele já fez altos filmes sendo que os primeiros são considerados verdadeiras obras-primas, enquanto os últimos são um verdadeiro fracasso (aqui você pode inserir o nome de milhares de diretores que a carapuça serve. Sinto que o Tim está perto disso D:). A despeito das críticas, ele tem um novo filme, chamado "Itália", que começará a ser filamdo em poucos dias, maaaaas ele não tem um roteiro. REFLITA.

Sofrendo uma baita crise de falta de inspiração (tipo a J.K. Rowling antes do 5º livro, por isso saiu aquilo, mas o 7º é pior...) ele tenta criar o roteiro, mas sem muito empenho e, fora isso, continua vivendo a vida com sua amante Penélope Cruz eu nunca aprendo os nomes, lembrando de sua infância quando foi junto com a turminha do jardim ver uma prostituta - que era a Fergie -, tem um affairzinho com a atriz principal do filme que é a Nicole Kidman e no meio disso tudo está sua esposa, Marion Cotillard, que cansa e sai de casa.

Mesmo com um elenco de peso como esse - e isso porque eu esqueci de alguns-, liderado pelo Daniel Day-Lewis (como ele se submeteu a isso? Meeeu, Sangue Negro te diz alguma coisa?), o filme não decola. Imagina a minha cara quando eu vi a Sophia Loren com seu número inútil e sem graça? ¬¬

Durante um tempo eu achei que seria uma coisa meio Ziegfeld com seus mil e um casos amorosos e inspirações que vêm do nada. Tipo aquelas pessoas que precisam vivenciar algo pra se inspirarem. Tolinha, eu...

"Por que todos, de repente, estão tão obcecados por um roteiro?"
Eu me incluo entre as pessoas obcecados pelo roteiro porque Nine não tem nenhum!

Os números, seguindo a linha de Chicago, são imaginados. Neste último as músicas tinham características das músicas dos anos 20 (eu adoro), em Nine elas tem o estilo daquelas músicas megalomaníacas dos anos 50, mas isso não é o suficiente para criar uma identidade para elas.

A idéia de que, em um musical, após uma música o personagem sofreu alguma mudança se perde aqui. Talvez o fato dos números acontecerem no plano da imaginação Vestido de Noiva -oi? influenciem um pouco, mas não acredito que seja o principal fator. O problema é que a maioria dos números são apenas representativos, e com letras toscas. Isso até funciona em um número comercial como foi "Cinema Italiano", mas não têm explicação para os outros; os mais dramáticos e com significado são os dois da esposa do cara (legal que é meio convencionado de que personagens delicados cantam música agudas - q) e o último do próprio Guido onde ele desiste de fazer o tal filme. benzadeus, senão ia demorar mais

Os números são muito bem bolados e magnificamente coreografados (eu amo coreografias bem sincornizadas) - mérito do filme! -, mas isso não é cinema 3D que parece seguir uma tendência de compensar um roteiro fraco com peripécias visuais.
Mesmo assim algumas músicas caem no ouvido e foi o que aconteceu com a música da Fergie, a "Be Italian". A melodia é legal, a letra uma droga, mas a coreografia com aqueles pandeiros e o ritmo de tarantella ficou bem legal.

Pra não dizer que eu sou chata, gostei do final em que tocou um medley instrumental das músicas enquanto casa personagem aparecia e os créditos finais mostrando os ensaios ficaram bem legais =D
Outro mérito do filme: estadunidense é um bicho chato e a última coisa que eles querem é ver um filme legendado, então somos obrigados a ver filmes que se passam em qualquer lugar onde não se fala em inglês... falando em inglês (e isso quando não fazem sotaque britânico). Lógico que filmar em outra língua é muito complicado e em momento algum acho que isso deveria ter sido usado em Nine, a ótima sacada foi a idéia de fazer os atores falarem inglês com sotaque italiano. Mais ou menos a mesma coisa usada em Operação Valquíria onde todos falavam inglês, mas com um jeitão de alemão ^^

No final das contas, Nine é ruim, não me convenceu e desperdiçou grandes talentos; e a gente ainda tenta salvar algumas coisas ._.


"Guido é o último dos homens romanos"
Algo me diz que meu amado Otávio Augusto e seu tio Júlio César estão, de seus respectivos túmulosconvocando uma centúria pra atacar essa galere aí. Tem todo o meu apoio.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Milkshakespeare

Ontem fui ao teatro assistir ao Ballet Imperial da Rússia, eles apresentaram Romeu e Julieta. Claro que no fim tinha gente chorando, gente dormindo e um menino aleatório que não fazia a mínima idéia do que se tratava a história o.o
Enfim, foi lindo *-*
Do meu lado, sentou um casal e a mulher simplesmente sentia a necessidade de anunciar todos os personagens (ela era até muito educada, mas isso era, no mínimo, redundante) porque ela lembrava deles de um filme que ela viu. Nessa hora eu temi: espero que a gentil senhora tenha visto a versão de 1900 e bolinha e não aquela moderninha...

Então entrei em numa vibe shakespeareana e me peguei pensando em quantas adaptações existem de suas peças. As mais óbvias são: Romeu e Julieta (1968), Otelo (1995), Hamlet (1996), entre outros...

O fato é que existem diversas adaptações e muitas delas não fariam o gênio com mais de 21 mil palavras no vocabulário feliz. Dentre as adaptações mais, digamos, ousadas estão justamente as releituras, na maioria das vezes essas releituras querem apenas "transportar as história para os dias atuais", mas tem outras em que só faltam dizer que o título é apenas uma coincidência.

Romeu e Julieta
> "Romeu + Julieta", de Baz Luhrmann
Esse é aquele famoso filme em que temos Leonardo DiCaprio - e seu sotaque - como, adivinhem!, Romeu (3 palavras... huh...3 palavras...huh).
Imaginem, tem um baile de máscaras,nos dias atuais e eles saem falando frases da peça descompromissadamente...
Sei lá, não gosto muito desse filme. Acho bem bizarro!

> Amor, Sublime Amor, de Robert Wise e Jerome Robbins
Essa tradução esquizofrênica refere-se ao musical West Side Story. A-DO-RO!
A história foi transportada para os EUA e a briga entre as família virou uma briga de gangues entre os norte-americanos e os imigrantes porto-riquenhos. Aí o Tony se apaixona pela Maria que é irmã do líder da gangue porto-riquenha.
A história tá toda lá, sem ser óbvia demais, mas também sem inventar muito.

Hamlet
> Meu professor de texto garante que seriam capazes de traduzir o título como "Deu a Louca na Dinamarca" se houvesse uma nova versão, esse tipo de título virou moda desde a Chapeuzinho.

> Quando era menor li um livro do Pedro Bandeira chamado "Agora Estou Sozinha...". O livro contava a história da menina Telmah que perdeu a mãe e começa a suspeitar do envolvimento da tia em sua morte. É basicamente a história do príncipe da Dinarmaca, mas trocando o sexo dos personagens e se passando hoje em dia. Gostei muito do livro.

Macbeth
> Agatha Christie escreveu um livro cujo título é um pedaço de um frase bem famosa da peça: "By the Pricking of My Thumbs"
Alguns devem ter reconhecido essa frase... A fala inteira (que é tipo um feitiço) é cantada pelo coral de Hogwarts no filme Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Isso não é uma releitura, apenas uma referência (Veevs fugindo do tema :x)

> Provalmente, a de Macbeth a adaptação mais bizarra que eu já vi. Um dia liguei a TV toda feliz jurando que veria uma adaptção usando a época e tudo mais, pra minha surpresa história se passava em um restaurante e o protagonista matava o chef pra tomar seu lugar.
As três bruxas eram três lixeiros que cantavam O___o
Assim, a peça está aí, mas...

> A Medusa fez o enorme favor em me lembrar que "O Rei Leão" é uma adaptação de Hamlet. O tio do mal, conversar com o pai morto e ir em busca de vingança, mas na melhor forma Disney =D
Arrasaram *-*

Henry IV - Parte 1, Henry IV - Parte 2 e Henry V
> "My Own Private Idaho", de Gus Van Sant
São três peças, tá? Mas elas estão no mesmo filme e eu fiquei pasma quando descobri.
O filme supra citado (tem uma música com esse nome que não tem nada a ver com o filme) bate o recorde de tradução tosca: "Garotos de Programa". MEU, WTH???

Na peça, o filho do rei se revolta e resolve ir morar entre malfeitores (palavra de livro antigo ._.), no filme, o filho de um cara super rico se revolta e resolve ir morar entre... bem, vejam a tradução do título.
Como eu descobri esse filme, afinal? Fácil: o River Phoenix está no elenco. Ele é o amigo aleatório do revoltadinho e, pra variar, rouba a cena ¬¬ Aliás, quando ele não roubava a cena? ;-; (Ele morreu. Só pra constar)
Aqui você tem diálogos inteiros reproduzidos diretamente da peça. Bem dramátio e sensível esse filme. Legal.



A Megera Domada
> 10 Coisas que Eu Odeio em Você, de Gil Junger
Aqui eu fiquei mais pasma que no anterior o.o
Não gosto muito dessa versão teen da história, apenas uma opinião pessoal mesmo.
Mas gosto da música: "you're just so goooood to be truuuuuuue, can't take my eeeeeeeeeeeeeeyes off yoooooou"


Sonho de Uma Noite de Verão
> Eu sei que existe uma releitura, mas corri dela logo depois de ter visto Macbeth versão Ratatouille.
Até agora a versão mais tensa deve ter sido a que eu fiz na 6ª série. E olha que nem era uma releitura, mas o grupo achou que músicas modernas ficaria legal. Não precisam imaginar...


Agora tenho certeza que sou um poço de cultura inútil, porque ninguém normal escreve um post desse de cabeça >.>