sexta-feira, 21 de maio de 2010

Nero, onde estão suas tochas?

Se eu pudesse matar o diretor, eu matava.
Foi com esse pensamento que eu cheguei, com muito custo, aos créditos de Nine.
Rob Marshall dirigiu o premiado Chicago e agora aventurou-se em uma releitura da obra "8 1/2" do Fellini. Sacaram o Nine?


O filme fala de um famoso cineasta italiano nos anos 50 chamado Guido Contini. Ele já fez altos filmes sendo que os primeiros são considerados verdadeiras obras-primas, enquanto os últimos são um verdadeiro fracasso (aqui você pode inserir o nome de milhares de diretores que a carapuça serve. Sinto que o Tim está perto disso D:). A despeito das críticas, ele tem um novo filme, chamado "Itália", que começará a ser filamdo em poucos dias, maaaaas ele não tem um roteiro. REFLITA.

Sofrendo uma baita crise de falta de inspiração (tipo a J.K. Rowling antes do 5º livro, por isso saiu aquilo, mas o 7º é pior...) ele tenta criar o roteiro, mas sem muito empenho e, fora isso, continua vivendo a vida com sua amante Penélope Cruz eu nunca aprendo os nomes, lembrando de sua infância quando foi junto com a turminha do jardim ver uma prostituta - que era a Fergie -, tem um affairzinho com a atriz principal do filme que é a Nicole Kidman e no meio disso tudo está sua esposa, Marion Cotillard, que cansa e sai de casa.

Mesmo com um elenco de peso como esse - e isso porque eu esqueci de alguns-, liderado pelo Daniel Day-Lewis (como ele se submeteu a isso? Meeeu, Sangue Negro te diz alguma coisa?), o filme não decola. Imagina a minha cara quando eu vi a Sophia Loren com seu número inútil e sem graça? ¬¬

Durante um tempo eu achei que seria uma coisa meio Ziegfeld com seus mil e um casos amorosos e inspirações que vêm do nada. Tipo aquelas pessoas que precisam vivenciar algo pra se inspirarem. Tolinha, eu...

"Por que todos, de repente, estão tão obcecados por um roteiro?"
Eu me incluo entre as pessoas obcecados pelo roteiro porque Nine não tem nenhum!

Os números, seguindo a linha de Chicago, são imaginados. Neste último as músicas tinham características das músicas dos anos 20 (eu adoro), em Nine elas tem o estilo daquelas músicas megalomaníacas dos anos 50, mas isso não é o suficiente para criar uma identidade para elas.

A idéia de que, em um musical, após uma música o personagem sofreu alguma mudança se perde aqui. Talvez o fato dos números acontecerem no plano da imaginação Vestido de Noiva -oi? influenciem um pouco, mas não acredito que seja o principal fator. O problema é que a maioria dos números são apenas representativos, e com letras toscas. Isso até funciona em um número comercial como foi "Cinema Italiano", mas não têm explicação para os outros; os mais dramáticos e com significado são os dois da esposa do cara (legal que é meio convencionado de que personagens delicados cantam música agudas - q) e o último do próprio Guido onde ele desiste de fazer o tal filme. benzadeus, senão ia demorar mais

Os números são muito bem bolados e magnificamente coreografados (eu amo coreografias bem sincornizadas) - mérito do filme! -, mas isso não é cinema 3D que parece seguir uma tendência de compensar um roteiro fraco com peripécias visuais.
Mesmo assim algumas músicas caem no ouvido e foi o que aconteceu com a música da Fergie, a "Be Italian". A melodia é legal, a letra uma droga, mas a coreografia com aqueles pandeiros e o ritmo de tarantella ficou bem legal.

Pra não dizer que eu sou chata, gostei do final em que tocou um medley instrumental das músicas enquanto casa personagem aparecia e os créditos finais mostrando os ensaios ficaram bem legais =D
Outro mérito do filme: estadunidense é um bicho chato e a última coisa que eles querem é ver um filme legendado, então somos obrigados a ver filmes que se passam em qualquer lugar onde não se fala em inglês... falando em inglês (e isso quando não fazem sotaque britânico). Lógico que filmar em outra língua é muito complicado e em momento algum acho que isso deveria ter sido usado em Nine, a ótima sacada foi a idéia de fazer os atores falarem inglês com sotaque italiano. Mais ou menos a mesma coisa usada em Operação Valquíria onde todos falavam inglês, mas com um jeitão de alemão ^^

No final das contas, Nine é ruim, não me convenceu e desperdiçou grandes talentos; e a gente ainda tenta salvar algumas coisas ._.


"Guido é o último dos homens romanos"
Algo me diz que meu amado Otávio Augusto e seu tio Júlio César estão, de seus respectivos túmulosconvocando uma centúria pra atacar essa galere aí. Tem todo o meu apoio.

6 comentários:

  1. be italian = be a whore. ;)
    nada mais a declarar.

    ResponderExcluir
  2. E pra piorar, esse Rob Marshall vai dirigir o Piratas do Caribe 4, vai afundar de vez a infinitologia. Imagina o que virá...

    ResponderExcluir
  3. Caramba Verônica. Seu blog é 10! Entrei pra ler a crítica do Nine (que aliás, foi sensacional! -- A crítica, esqueça o filme) e quando me vi já tinha lido shakespeare e estava na segunda do Titanic...

    ResponderExcluir
  4. Ri alto, Jesus, segura a Verônica!
    Já tinha ouvido falar MUITO mal de Nine, depois dessas suas comparações bem sacadas, juro, nunca verei! kkkkk (ok, não juro, mas já vou esperando A caquinha!)

    PS: Vai fundo na comunicação que você pode até não curtir como um todo, mas é seu caminho!

    ResponderExcluir
  5. Own, tão talentosa a minha amiguinha! =) Isso vai acabar virando profissão, hein! ;) Bjos!!

    ResponderExcluir
  6. Achei que as irlandesas que eram mais abertas e não as italianas. Maldito guia de viagens.

    E eu que gostei só um pouquinho de Chicago nem perderei meu tempo com esse.

    ResponderExcluir