quarta-feira, 11 de agosto de 2010

"Mr. Sandman, bring me a dream"

Um dos meus filmes Disney preferidos é "A Bela Adormecida". Sério, eu AMO aquele filme, mas as pessoas sempre falam "aH! A Aurora é tão toscona, fica lá só dormindo o filme todo ¬¬". Ok, o legal é que fizeram um filme EXCELENTE onde todo mundo passa quase o tempo todo dormindo =D

Christopher Nolan adora fazer filmes com tramas engenhosas, mas não o estilo em que no final você descobre que foi o Cel. Mostarda com um castiçal na biblioteca, é mais querendo que você acompanhe o enredo mirabolante. Não é diferente com "A Origem."

O filme fala sobre uma espécie de estuprador usurpador de sonhos que trabalha para grandes corporações. Leonardo DiCaprio, junto com uma equipe, entra no sonho da pessoa e rouba seus segredos, tudo para a empresa que o contrata levar vantagem e tal. Nem preciso dizer que isso é ilegal, né? O problema é que ele quer parar com essa vida e surge a oportunidade: ele precisa entrar na cabeça do filho de um milionário moribundo e implantar a idéia de que ele vai querer dividir a corporação do pai; então o cara que o contratou vai fazer as devidas ligações e eles poderá voltar pra casa. Gracinha, não?

Aí o filme começa! Eles armam todo o esquema que inclui uma arquiteta para projetar a paisagem do sonho, um falsificador que deveria achar meios de fazer a idéia implantada parecer genuína, um químico pra sedar a galerë (é tipo o fuso da Bela Adormecida), um cara que eu não prestei atenção quando ele explicou o que era, mas era muito legal, e o Leonardo DiCaprio que não pára de meter a mulher morta no meio dos sonhos u.ú

A partir do momento em que eles entram no sonho do filho do milionário, Nolan brinca com conceitos ligados à Física, Psicologia, Psicanálise, Matemática, Arquitetura e Urbanismo, além das coisas não saírem exatamente como o esperado :x
É meio difícil contar a história porque ela realmente envolve muita coisa que só iria ficar confusa e chata se eu resolvesse explicar. Mas não é como se o filme fosse o terror o qual a crítica estadunidense cabecinha de vento alegou; cheguei a ouvir falar que era preciso ver o filme umas três vezes pra entender. Um absurdo! Não é o filme que você vai levantar pra ir ao banheiro, mas prestando bastante atenção dá pra acompanhar perfeitamente.
Qual não foi minha surpresa quando eu percebi que além de entender as inferências do filme ainda acertei um palpite pro final =D

Gravidade é para os fracos!

"A Origem" usa conceitos bem conhecidos por nós através da revista Superinteressante de curisidades no geral ou empiricamente mesmo (!): o de que um sonho dura em média 5 minutos, sonho dentro do sonho dentro do sonho, dentro do sonho, a famosa sensação de queda (usada para fazê-los acordar), o fato de que sentimos dor quando nos machucamos em um sonho (eu já sonhei duas vezes que levava um tiro e não foi legal ._.), projeções, a idéia de morrer num sonho, e referências às obras do Escher (aqui eu virei: mamãe, olha o Escher!!!!!! tive que fazer um trabalho sobre ele).

As atuações estão muito boas, mas também não é como se todos os atores tivessem momentos para mostrar o quanto são bons, mas eles são divertidos e convinventes. A Marion Cotillard está p-e-r-f-e-i-t-a e, depois de Nine parece ter curtido representar esposas dramáticas -q. E sério mesmo, sem preconceitos bobos, o Leonardo DiCaprio está excelente (mas acho que nenhum papel dele vai superar o que ele fez como Arnie Grape *-*); aliás, acho que melhor do que em "A Ilha do Medo" onde, às vezes, eu enxergava as caras de compenetração do Howard Hughes :x

A única crítica negativa que me vem à cabeça agora (alguém achou mesmo que eu não ia falar mal de nada?) é quanto a personagem da Ellen Page, a arquiteta Ariadne. Com altos personagens experientes no ramo dos sonho, as idéias geniais sempre vinham dela, até altas contas aleatórias ela fazia... A impressão que tive é que deram uma valorizada, mesmo ela já sendo importante na história.
Eu até tenho umas explicaçoezinhas sobre isso envolvendo o final da história, mas não dá pra justificar excessos do roteiro usando um final intrigante.

O conceito de inserção de uma idéia na cabeça de uma pessoa (e responsável pelo título "Inception") paira durante o filme inteiro, sendo o responsável pelo seu final interessante e provavelmente a parte que te faz querer ver novamente, usando o novo ponto de vista apresentado; além de lidar com aquilo que todo mundo já pensou um dia: e se sua vida fosse um sonho?

Chris Nolan acerta mais uma vez em não separar o bem e o mal, ao contrário do que o James Cameron costuma fazer, afinal nós torcemos por criminosos nesse filme o.O Ele acredita na capacidade do público, mesmo que esse seja mal acostumado e desligue o cérebro na hora de ir ao cinema.
"A Origem" não deixa de trazer um climinha de filme de ação naquele estilo de querer juntar especialistas em várias coisas pra fazer parte da quadrilha - sempre tem isso -, além de misturar drama, suspense, romance e cenas interessantes tipo um Matrix suavizado.
Sem contar que eu saí de lá me sentindo a psicóloga/psicanalista nata, e isso conta pontos pra minha inexistente auto-estima o/

Alguns adendos:
> Quando eu saí do cinema escutei uma menina falando que preferia filmes de realidades alternativas, tipo Avatar. Ô minha filha, os sonhos são exatamente o quê? ¬¬' A amiga dela chorou no final qqqqq
> Minha paixão por mitologia serviu pra entender a referência no nome da arquiteta, Ariadne. O tempo todo falavam que ela deveria projetar os locais como se fosse um labirinto (aquela coisa de não fugir do sonho). Na mitologia grega, Ariadne é o nome da filha do rei que cria o Minotauro dentro do labirinto, aí ela dá o novelo pro Teseu conseguir sair dele. Lembram? Tá certo que depois ela foge com ele, e ele a abandona. LOSER.
> Amei a parte do elevador X lugar sem gravidade IOHFIOGHFGISHIGO. E eu prefiro acreditar que o peaozinho parou de girar depois dos créditos :x

Vocês vão entender quando virem \o/
> O mordomo do Batman tá no filme xD