domingo, 31 de outubro de 2010

Too Cool To Live

This is the day
The day of the death
The death of the Matinee Idol

[Matinée Idol - Rufus Wainright]


Hoje é aniversário de morte (eu acho essa expressão o cúmulo da ironia) do River Phoenix.
Quem?
Pois é, ele era bem conhecido nos anos 80 - ou seja, uma decáda antes da minha -, mas como minha infância foi recheada de filmes anos 80/90 acabei conhecendo a figura.
De todas as pessoas com histórias peculiares, a dele merece destaque. Seus pais eram dois hippies que largaram seus empregos e foram viver em uma comunidade hippie, a Children of God (que iniciava crianças sexualmente :x), esperando a Era de Aquário (aliás, nós entramos na Era de Aquário, passou no jornal. Pra ver como a falta de notícia impera). Eles também se tornaram adeptos de nomes estranhos, tendo a mãe mudado seu nome para Heart e nomeado seus filhos como River, Rainbow, Leaf (esse preferiu usar Joaquin, mais conhecido como Comodus do Gladiador, ou o namoradinho da cega que é esfaqueado em A Vila - isso foi spoiler pra alguém?), Liberdad Mariposa Liberty Butterfly e Summer.
Enquanto os pais estavam lá deixando sol brilhar in (adoro o baixo dessa música q), ficaram sem dinheiro. Então, dona Heart colocava o River e a Rain pra cantar na rua e pedir dinheiro, nisso o garoto foi descoberto por uma
caça-talentos que disse que o River era a criança mais linda que ela já vira...
Depois disso foi só alegria pra família, porque o menino tinha talento, e isso dava dinehiro! Ele sustentava cerca de 30 pessoas, entre a família e agregados.
O trabalho que fez com que Hollywood se virasse para ele foi o filme "Conta Comigo" (que eu sempre fico com o choro entalado no final) que juntou um bando de astros mirins da época.
Depois, com "O Peso de Um Passado", veio uma indicação ao Oscar, e eu poderia dizer que ele ganhou o Oscar e se tornou um notável ator que resolveu se aposentar há alguns anos, mas isso seria uma mentira sobre a vida da desafortunada família Phoenix #Lemony Snicket feelings.
Justo neste dia do Oscar acontece
uma das cenas mais bisonhas que eu já vi, na coletiva de imprensa o coitado parecia um animal acuado o.o Sério, é muito tenso! A verdade é que ele não queria essa vida, podia até gostar da atenção (porque todo ser humano gosta) até certo ponto, mas não se sentia à vontade com isso. Ele queria mesmo era fazer música, inclusive até tinha uma banda, mas, ironicamente, seu trabalho como músico não era nem de longe tão bom quanto como ator.
Mas enfim, o que jovens atores fazem quando se sentem pressionados por Hollywood? Eles se drogam. E foi isso que aconteceu.
O lance das drogas ficou mais complicado ainda na época em que ele fez o filme "Garotos de Programa" (e
ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Veneza). Foi preciso que seu pai, que morava na Costa Rica (e a essa altura já tinha se separado da louca da Coração) ir aos EUA falar pro filho parar de fazer filmes e sair dessa vida, mas ele insistiu em fazer mais uns dois e depois parar.
Na noite de Halloween de 1993, ele e a namorada, a irmã, Rain, e o irmão, Joaquin foram ao The Viper Room, que era uma boate do Johnny Depp (!!). Ele iria tocar com a banda, mas seu amigo Flea (é o cara do Red Hot mesmo) disse que ele não poderia. O coitado fica bem triste com isso e supostamente vai ao banheiro e volta de lá muuuuito mal, até que decidem sair da boate e ele começa a convulsionar na calçada O.o
Não era epilepsia, era overdose mesmo :x
Depois de alguns meses sem se drogar, ele apelou pra uma mistura de cocaína com heroína em quantidade suficente pra matar 8 homens adultos. E depois ainda deram Valium pra parar as convulsões.
Chamaram uma ambulância (e alguém conseguiu a gravação e pôs no youtube), mas não deu tempo e ele morreu na calçada da boate depois de uma parada cardíaca. Tinha 23 anos (OMG 23!)
Depois que ele morreu surgiram os boatos mais bizarros possíveis que iam desde homicídio culposo (é que NÃO tem intenção de matar, gente. E eu realmente prefeira fazer parte do grupo
de pessoas que ainda confunde isso ;-; [/interna]) até suicídio.
Muitos culparam um outro carinha do Red Hot que era broderzão dele (não o Flea, o Frusciante) e super junkie, e que o próprio River já tinha tentado mandar pra rehab, but he said 'no, no, no'.


River Phoenix era sensível demais, dócil demais e com muitos indícios de bipolaridade, que ficam bem óbvios em entrevistas, pra viver nesse meio. E ainda era ultra ambientalista e defensor dos animais, com direito até a ser vegan (isso toda a família era) e chorar porque a namorada pediu uma lagosta no restaurante. Mas a mãe dele, dona Coração, era ambiciosa o suficiente pra não querer abrir mão de sua galinha dos ovos de ouro.
Nada disso justifica e ele tinha idade o suficiente pra saber o que queria fazer da vida, mas não deixa de ser triste porque ele era muito talentoso, ator nato mesmo que nunca fez curso nem nada, e tinha valores que quase ninguém tem hoje em dia, e ainda era muito bonito =D

Alguns adendos:
> Depois que ele morreu altos papeis que seriam dele foram pra outras pessoas, como o Leonardo DiCaprio, por exemplo. Os papeis em "Eclipse de Uma Paixão" e "Diário de Um Adolescente" eram pra ser dele (só filme de drogado, meu. Principalmente o último). Reza a lenda que o James Cameron queria o River em Titanic "always look on the bright side of death"
> Era pra ele ter sido o Entrevistador em Entrevista com o Vampiro. Até rola um "in memoriam" no final.
> Milton Nascimento fez uma música pra ele, porque ficou muito impressionado ao ver "Conta Comigo". Os dois se encontraram aqui na ECO-92.
> Tem uma foto dele no caixão que é MT TENSA. TENSA MESMO. O cara tava a-c-a-b-a-d-o.
> O título do post veio de um artigo do maravilhoso TV Tropes.
> Tem um bando de referências musicais no meu texto. Só pra constar.

domingo, 24 de outubro de 2010

"Eu pareço metido, mas sou legal"

"I am not dead yet (isso é uma música, tá?)

Direto ao ponto: eu li "Orgulho e Preconceito".

Uma vez a Carol me disse que a Jane Austen era tipo um Charles Dickens de saias, porque enquante este sempre falava dos órfãos fofinhos precisando de carinho, ela sempre fala das mocinhas casadoiras. Tem um pouco de provocação nisso, porque eu AMO Dickens, mas... pior que é verdade. No caso da Jane Austen, são sempre irmãs em idade de casamento e sempre aparecem bons partidos, mas rola um desentendimento em alguma dimensão e assim vai...

Tem gente que acha que a vida do autor super deve ser levada em conta ao se ler um livro, outros acham que não, eu acho que depende. No caso dela é uma observação interessante. A pobre Jane morreu solteira e era considerada sem atrativos; há quem diga que ela até teve um romance que não deu certo, e isso é mostrado naquele filme "Simplesmente Jane", onde eles transformaram a vida dela em um de seus livros u.ú

Ela era bem a frente de seu tempo e irônica o suficiente pra incomodar seus leitores, já que sempre fazia uma crítica ao estilo de vida da aristocracia rural inglesa do século XVIII.

Não vou contar como é a história do livro, porque é muito grande cheia de picuinhas, mas o básico é: um cara mega rico, mr. Bingley, compra uma mansão no campo e a sra. Bennet logo quer casá-lo com sua filha mais velha (ela tem cinco), Jane, enquanto isso o riquinho que é super simpático e sorrindente traz um amigo, o mr. Darcy, que parece ser antipático e orgulhoso demais por ser muuuuuuito mais rico que todas as pessoas do salão de baile (onde todos dançam minuetos) juntas. A segunda irmã mais velha, Elizabeth, de cara não se entende com ele, maaaaaaas com o passar do tempo ^^...

Pois é, eu gostei bastante. Como não sou nada romântica, "Orgulho e Preconceito" foi bem mais agradável de se ler por não ser tão apaixonado, até porque seus protagonistas tem a língua afiada que só e não se entendem, e isso, geralmente, causa situações não românticas (??). O mais bisonho é a mulher lá em 1700 e bolinha deixar a tensão sexual entre a Elizabeth e o Mr. Darcy tão óbvia no meio dos desentendimentos o.O

Aliás, aqui vai ponto pro filme (OH, quem diria!). Ele só mostra que o Mr. Darcy tá afim da Elizabeth, mesmo que você já tenha percebido isso, quando ele vai falar com ela e se explica, E ELA TIRA ELE, A-D-O-R-O! No livro, logo no começo, a autora fala que ele começou a olhar pra ela com outros olhos, e isso não funcionou pra mim; sei lá, fugiu um pouco do ponto de vista da Elizabeth.

É muito legal o jogo que autora faz com uma coisa tão simples como é o fato de alguém ser tímido/instrospectivo o suficiente pra parecer metido e orgulhoso. Ainda mais em uma sociedade que preza a extroversão e vive de aparências (ok, vou fingir que a nossa sociedade não é assim, beijos:*). Isso sem contar as outras alfinetadas que ela dá nos costumes da época :x

No final, o Mr. Darcy faz o estilo "pareço metido, mas sou legal" e o Mr. Wickham é mais o estilo "pareço legal, mas sou babaca" é, eu meio que dei um orkut pros personagens (agora o título tosco faz sentido)

Curiosidades:
> No filme há um final "especial" pro público estadunidense. Como no filme não há nenhuma cena de beijo, por mais que você ache que vai ter uma, eles criaram um final alternativo com o "tão esperado" beijo ¬¬ Porque todos sabem que o cinema norte-americano é feito, no geral, de pegação e falta de sutileza.
> É meio convencionado que o Mr. Darcy é o sonho de qualquer mulher... Tá, isso é meio exagerado, mas o fato é que o personagem virou referência.
Só pra vocês teram uma ideia: esse ano, acharam um feromônio na urina do rato que atrai as fêmeas, deram o nome da proteína de Darcin.
Algo menos sem noção, aquele "O Diário de Bridget Jones" é uma releitura de "Orgulho e Preconceito", tanto que o parzinho dela também tem o sobrenome Darcy.
> O título original era "First Impressions". Funcionava também, mas é menos interessante.
> Falando nisso... Já repararam nos títulos originais? "Sense and Sensibility" ("Razão e Sensibilidade") e "Pride and Prejudice" ("Orgulho e Preconceito"). Jane Austen só no trocadilho *cara de maloqueira*!