sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

De Zero a Heroi (fail epic is epic)

     Meu pai ganhou dois vales-ingresso e eu enrolei até pra usá-los, enfim hoje fui ao cinema com minha mãe (meu pai não curte muito). Minha intenção era ver O Gato de Botas, aquela coisa inofensiva pro fim de ano com uma dose de reminiscência porque eu costumava ver a versão live-action do conto do Gato quando criança (sim, isso existe! Inclusive, o Gato parecia meu tio o.O).
     Chegando à bilheteria com uma fila enorme e um atendimento indigno de lerdo descubro que os ingressos estão esgotados e que o filme com sessão mais próxima era Imortais. Eu já tinha prometido pra mim mesma que não veria esse filme, porque as pessoas não sabem o quanto eu sofri com minhas expectativas despedaçadas no chão ao ver 300, mas tudo bem, vai que eu me deparo com o épico dos épicos. Isso não se concretizou, ponto, parágrafo. 
      Mas vamos à história, o filme fala de Teseu, um camponês que se vê, de repente, bem no meio da ameaça de uma guerra eminente que o rei Hyperion declarou contra ninguém mais ninguém menos que os deuses como alguém faz isso?!. Mas Teseu era o queridinho de Zeus, por mais que não soubesse, e é escolhido por esse para salvar a galera toda. O objeto de ambição do rei era o tal do Arco de Épiro que traria poder inigualável àquele que o possuísse - como todo objeto de épico - e libertaria os Titãs *voz de profeta aqui*. Há três forças principais lutando, o exército do Hyperion, a galerinha do Teseu e os deuses fazendo suas aparições performáticas e esporádicas porque, teoricamente, não poderiam interferir no destino da humanidade de blablablá.
Teseu e sua turma
Gladiador (2000) e a trilogia O Senhor dos Aneis (2001 - 2003) trouxeram um novo gosto por sagas épicas tanto na caracterização heroica de seus personagens quanto nas grandes cenas de batalha, e depois destes filmes surgiu um baaaaando tentando ter o mesmo efeito e falharam miseravelmente (Troia, alguém?). Os Imortais se aproxima mais do estilo de Gladiador por ter uma história que se passa na antiguidade clássica com um protagonista apegado as suas crenças ou falta delas e principalmente a sua família, sendo esse o principal fator para fazê-lo lutar por algo, plus sofrer nas mãos de um governante louco e inescrupuloso. O problema é que tudo isso já foi infinitamente melhor trabalhado em Gladiador. Perae, é a mesma história, meu!
      A história do filme é rasa, seus personagens têm o carisma da porta do meu quarto e o filme parece estar preocupado apenas em nos dar deleite visual (em todos os sentidos, com direito a guerreiros andando com saiotinhos e mulheres nuas), numa estética super 300 (é a mesma equipe). Mas mesmo na estética, que é no que o filme se apoia, há umas bizarrices. Comecemos pelos Olimpo que é uma grande rocha flutuante e os seus deuses - que se resumem a pouco mais de cinco - usam roupinhas douradas e capacetes com pontas estilosas saindo deles. Os homens usam um saiotinho e estão sempre sem camisa.

        Curte as beldades aí, elas representam 1/3 da população do Olimpo 

    Temos também as quatro virgens oráculo (!!) que usam uma espécie de burca vermelha com coisas estranhas em cima, e uma delas resolve ser nossa companheira de aventuras em um papel que teve certa utilidade no começo, mas que depois só serviu pra nos dar um cliffhanger e uma cena de sexo. Não são só as roupas que são surreais, o lugar em si também o é. Em nada aquilo se parece com a Grécia da nossa imaginação e das ruínas do país, não vi UMA coluninha grega sequer, só um afresco numa cena e fim. E o lugar parece ser um grande vazio com umas montanhas rochosas e uma muralha gigante bem no meio winter's coming. 
Importante, importante, não importante
    Quando eu descobri que o diretor é um indiano tudo fez sentido. Claramente, ele deixou traços de sua cultura impressos no filme. Dica: isso é massa, só complica quando você está tentando contar uma história de uma das civilizações que formaram a cultura ocidental. Tinha coisa ali que parecia estranha e deslocada. Longe de parecer racista ou xenófoba, não combinou, só isso. 

     Mas nem tudo está perdido na verdade tá, mas vamos em frente, as cenas de batalha são muuuuito bem feitas e criatividade na violência é o que não falta (que o diga uma cena que deixou todos os homens da sala de cinema querendo gritar). O filme em si é bonito de se ver, apesar dos pesares; o diretor disse que queria que parece uma pintura e realmente parece. Não tenho dúvida de que vai fazer muito sucesso, tanto que comprei os dois últimos ingressos pra sessão, mas definitivamente não é por sua história. Pelo menos acho muito mais válido ver cenas de briga em tempos antigos do que filme de explosão. Ainda há o bônus de depois termos certeza de que o filme é um releitura do mito de Teseu e o Minotauro com umas sacadas bem legais e a ideia apresentada de que há várias formas de imortalidade e você não precisa necessariamente não morrer pra ser imortal.

sábado, 21 de maio de 2011

E disseram que o mundo ia se acabar...

Depois de uma conta que ia desde a data de nascimento de Adão e Eva e fechando um ciclo de 7 mil anos - ou algo assim - o mundo ia acabar no dia 21 de maio de 2011. Mais um possível data para acontecer o que já cansamos de ver nos filme catástrofes!

Na retrospectiva do Apocalispe voltamos para virada do século e do milênio no ano 2000, e como a virada verdadeira aconteceu em 2001 o mundo correu o risco de acabar de novo. Teve também a tensão do dia 06/06/06 onde não nasceu o Anticristo até onde eu saiba ; e as antigonas como o fim do mundo no ano 1000 OMG, entre outras datas de fim do mundo que eu não me lembro agora.
Que aqui conste minha expectativa para o epic fail de 2012, que eu já nem sei mais a data, porque a cada dia acham uma pedra maia desconhecida dizendo um dia diferente.

E pra que fique registrado esse dia, aqui vai uma música da Carmen Miranda S2S2S2amo muito , que, em 1938, já falava dos fim de mundo fail que têm por aí =D



[Refrão]:Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...

E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...

[Refrão]

E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...

Chamei um gajo
Com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele
Mais de quinhentão...

Agora eu soube
Que o gajo anda
Dizendo coisa
Que não se passou
E, vai ter barulho
E vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou...

[Refrão]

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...

Beijei a bôca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...

Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar...


E o mundo não se acabou, né, Carmen? Pois é.

domingo, 17 de abril de 2011

Cidade maravilhosa, também conhecida como... RIO

Explicando, ontem eu vi RIO. Eu meio que me empolguei com esse filme desde que fiquei sabendo que seria feito. É um projeto antigo e ambicioso do Carlos Saldanha (o da Era do Gelo, gente xD) e que deu trabalho tanto pra ser aprovado, quanto pra animar. Meu, animar bicho que voa não é fácil, não. É só ver a dificuldade que foi pro Walt Disney fazer Peter Pan o.o

Mas vamos primeiro à história.
Blu (é sem o "e" mesmo!) é uma ararinha-azul e se alguém se lembra
disso, já sabe que esse é um dos símbolos do Brasil. Ele vivia feliz na floresta até que é raptado por contrabanditas de aves e levado para os Estados Unidos. Lá, como em outros um milhão de filmes, a gaiolinha dele cai e a pobre ave é salva por uma garotinha. A partir desse dia, eles se tornam bico e alpiste inseparáveis e a garota acaba domesticando o Blu.
Um belo dia aparece um cara estranho, com um cachecol verde e amarelo (porque é assim que brasileiros se vestem em outros países \fikdik), e diz ser um ornitologista e que o Blu era o último macho da espécie e por isso deveria ir até o centro de pesquisas que fica na capital do Brasil no Rio de Janeiro e procriar com a ararinha-azul fêmea. Até aí uma aula de biologia e a promessa de cenas de sexo -NOT.
O problema é, no centro de pesquisa, as duas ararinhas são raptadas por contrabandistas - de novo ¬¬ - e acorrentadas uma a outra. Detalhe: a arara fêmea, Jade (ou Jewel) ODEIA o Blu. Mas, graças à ao fato do Blu ser nerd inteligência analítica do Blu, elas escapam, mas acorrentadas. E nisso surge o maior problema: BLU, UM PÁSSARO, NÃO SABE VOAR! Tem que ver isso ae...

Fica fácil perceber que o desenrolar da história será ararinhas querendo se libertar - briguinhas de casal que não são um casal - contrabandistas atrás da mercadoria que fugiu - dona do Blu + estudioso atrás das aves - final feliz.

Eu vi muita gente falando mal do filme! Claro que o roteiro não é dos melhores, aliás, se fosse mais uma animação de bichinho em 3D se passando em mais uma cidade dos Estados Unidos, você simplesmente teria mais um filminho pra Sessão da Tarde pelos próximos 10 anos. E pelamordedeus, moça independente, leia-se: a Jewel, e rapaz desajeitado e inseguro, leia-se: Blu, já deu né? A graça de Rio está na animação estonteante e na trilha sonora que é F-A-N-T-Á-S-T-I-C-A! Quando eu vi um poster com um pássaro tocando maracas fiquei com vontade de queimar todos os arquivos do filme. Meu, maracas, seriously? Já até imaginei as roupinhas de babados e o povo mostrando *insira dança hispânica aqui* como se fosse samba. FAIL. Adorei quando vi que isso foi superado: a trilha é uma mistura de samba, bossa nova (inclusive, Nico, o passarinho amarelo, é quem evoca esse lado da bossa nova, em contraste com seu amigo, Pedro, que é funkeiro do proibidão que só), samba eletrônico, e novos arranjos pra músicas brasileiras antigonas. Amei esse resgate.

E aqui esbarramos em um ponto bastante criticado. Brasileiro é borderline; ama o país numas horas e odeia em outras. No cinema isso se traduz em se você faz um filme só mostrando os problemas, não enxerga o que o país tem de bom e merece morrer; se você faz um filme mostrando as coisas bonitas do Brasil, é ufanista e merece morrer.


Acho até que Rio se saiu muito bem, sem pesar muito pra nenhum dos lados. Mostra as favelas, mostra Copacabana, mostra gente de tudo quanto é cor (o que quase nenhum filme sobre o Brasil faz!) Brincadeiras da genética. A gente se vê por aqui e mostra floresta também, o que eu acho um motivo de orgulho dizermos que ainda temos.
Claro que certas coisas clichezentas me irritavam, tipo a música que fala "eu quero festa, eu quero samba mimimi" Pra que isso? PRA QUÊ? Ou quando o ornitologista e a moça americana chegam aqui e é BEEEEEEM na época do Carnaval que todo mundo AAAAAAAAAAMA u.ú Bem desnecessário. Mas devemos lembrar que Rio não é Tropa de Elite (e aqui já deixo meu recado pra galera que parece que queria que mostrasse o BOPE invadindo o morro num filme infantil AE \o/), nem Cidade de Deus. Esses dois últimos são filme feitos de cá pra lá, são pra brasileiros, acima de tudo. Rio é de lá pra cá, e já foi louvável o Saldanha ter conseguido quebrar certos padrões na forma como o Brasil é representado.
E quanto aos personagens bobos que muitos interpretaram como algo zoando o Brasil, eu não levei tanto assim pro lado pessoal. De personagens bobos e desajeitados as animações estão cheias.


Mesmo o roteiro sendo fraquinho e com um tema bem do jeito que estadunidense gosta, pelo menos eles não foram tão moralistas quanto em Rango, por exemplo, que era toda hora "OMG, os répteis vão ficar sem água, o que faremos, a gente vai morrer!", que queria dizer "tá vendo, humanidade, o futuro de vocês?". O lance do contrabando é mostrado, mas não precisou de ninguém ficar falando que é errado em um discurso com muitos violinos ao fundo e o personagem com cara de choro seguido de olhar corajoso. E ainda dá pra forçar uma análise sociológica de como o Brasil é cheio de contrastes: geral com iPhone na praia, enquanto Fernando, o garotinho da favela, com sua camisa da seleção, tinha que trabalhar pros contrabandistas em troca de um dinheirinho D:


Só pra terminar, é muito legal como o filme faz umas internas pros brasileiros. Tipo o jogo Brasil x Argentina que passa na TV, em um momento super divertido. A galera do futebol até sabe da rivalidade, mas acho que só os brasileiros e os argentinos sabem exatamente o que é isso. Outra interna legal foi quando o Blu imitou o ornitologista e começou a falar com um sotaque carioca daqueles carregadíssimos. Não sei como isso ficou em inglês, pois vi dublado, mas na sala de cinema TODOS riram (btw, thumbs up porque os bichos não falam de verdade com os humanos). E, claro, quando o Luiz vem com um "daqui não saio, daqui ninguém me tira"; referência óbvia à marchinha de carnaval de 1900 e bolinha =D


O filme o tempo todo brinca com essas coisas, jogando umas internas pros brasileiros e deixando aquela sensação de reconhecimento, como nas tomadas aéreas do Rio de Janeiro que todo mundo já tá cansado de ver.

O filme é sobre o Rio? É. Tem samba? Tem. Tem Carnval? Tem. Você se reconheceu ali? Não muito. Tudo isso é clichê? É. Mas quer saber? Eu gostei bastante. Não é genial e tudo mais, mas acho que até tem chances num futuro Oscar, de verdade. E eu ficaria bastante feliz se ganhasse. Agora só quero ver qual vai ser a escola de samba que vai falar de pássaro ano que vem =DD Grande Rio sendo óbvia? Beija-Flor sendo redundante?