sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Avante, Guardiões!


   A Terra está em perigo. Pra quem pedimos ajuda? Pra Liga da Justiça pros Vingadores  pro Papai Noel e sua turma! Pois é, alguém resolveu pegar os personagens mais antigos e mais enraizados no inconsciente coletivo e os colocar todos juntos numa história só quase um Once Upon a Time. É uma ideia tão boa, mas tão simples que eu me pergunto como ninguém pensou nisso antes!

   Em A origem dos Guardiões, o Bicho-Papão (ou como ele é chamado durante o filme: o Breu) cansou de ser o monstro debaixo da cama que todos dizem que não existe e resolve destruir a crença das crianças nos outros seres fantásticos para assim instaurar o medo na cabecinha delas, e em quem mais elas iriam acreditar, então? Para isso o Papai Noel, O Coelinhoão da Páscoa, o Sandman e a Fada dos Dentes se juntam para impedir que o Bicho-Papão consiga o seu intento, mas dessa vez eles vão ter mais um membro no grupo, o adolescente em crise  Jack Frost.
   O enredo é fácil e o filme não tem seu ponto alto na resolução deste, o que enche os olhos é o visual e a representação que cada um dos personagens ganhou. Vamos a eles?
"He's gonna find out who's
naughty and nice"
 Ø O Bicho-Papão tem todo um visual monocromático e cavalos do Apocalipse, mas nem podemos dizer que não dá pra simpatizar com ele, o probrezinho vem sendo desacreditado cada vez mais...
 Ø Papai Noel, com seu sotaque finladês, é todo grande e intimidador, fugindo da ideia de Bom Velhinho, sem contar as tatuagens em cada braço, escrito “naughty”e “nice”.
 Ø A Fada dos Dentes e suas fadinhas são umas fofas - além de fugir do visual de fada que estamos acostumados - e o reino delas é lindo com aqueles tons de lilás, verde, azul e roxo.
"Mr. Sandman,
bring me a dream"
  Ø Sandman foi o meu xodó o filme inteiro. Ele não tem uma fala, mas suas interações com os outros e seu jeitinho calminho (tá que ele não está calmo na imagem. Deatalhes...) são muito carismáticos. Algo beeem diferente do Sandman que vemos na graphic novel do Neil Gaiman. As cenas dele criando os sonhos das crianças são MARAVILHOSAS!!!
  Ø O Coelho da Páscoa foi uma grande surpresa com sua pose mau, seus boomerangs e seu 1,85 de altura (com as palavras do próprio). Achei a sacada de fazê-lo sumir por um buraco que se abre no chão uma mega referência ao coelho de Alice, e a ideia de fazer a cidade da Páscoa (???) uma espécie de Ilha de Páscoa, com as pedras e tudo mais, foi genial!
Let it snow! Let it snow! Let it snow!
  Ø Por fim temos o protagonista do filme, o tal João do Gelo Jack Frost. A ideia de escolherem justamente ele para ser o protagonista foi muito boa. Jack Frost não é tão conhecido quanto os outros nem nos países gelados, imagine no Hemisfério Sul perto do Equador! Daí toda a crise existencial, já que Menino-Gelo passou a vida sem ninguém acreditar nele. É muito legal ver a dualidade que criaram para Jack Frost, que uma hora é todo divertido como o primeiro dia de neve, mas quando se irrita dá aquelas palas de nevascas e avalanches terríveis.

         Para essa geração criada a base de Shrek, A origem dos Guardiões traz uma certa sutileza no timing cômico, o filme aposta muito mais em detalhes e expressões; e ainda tem umas partes meio melancólicas e assustadoras que deixaram as criancinhas da minha sessão com medo...
        E pros aficcionados em trilha sonora, a música de Alexandre Desplat faz uma mistura de música medieval + com música natalina + música de aventura, que só sei que deu muito certo! #chorando eternamente
         A grande questão do filme é como encontrar o seu lugar no mundo e descobrir o que você pode fazer  nele, e bem, essas coisas nunca ficam velhas... o blogger tá dando ênfase nessa parte sem eu pedir. Tipo: curtam a mensagem do filme!
         No final,  A origem dos Guardiões foi uma boa surpresa, excelente pra essa época do ano, muito bonito visualmente, com uma história bacaninha e te deixa com muuuuita nostalgia de tudo! Super recomendado (:
     (fico imaginando como deve ser legal ver esse filme em um país que neva...)
    
          P.S1.: Tem uma canção infantil inglesa que fala sobre o "Man in the Moon". Só sei que amei o fato de é o "Homem da Lua" que recruta os Guardiões. *momento cultura inglesa aleatório*
         P.S2: Sabe aquele ritual que aprisionou o Sandman na graphic novel do Neil Gaiman? Pois é, quero juntar um grupo pra fazer esse ritual e aprisionar o Jack Frost. NEVE NESSE MEU BRASIL!
       P.S3.: Com spoiler. Depois que eu vi o nome do Guillermo del Toro como um dos produtores TUDO fez sentido. Afinal estávamos vendo a história de uma criança morta, e esse cara ama matar crianças em seus filmes! 


sábado, 15 de dezembro de 2012

O Hobbit (a versão estendida)

    Depois de quase 10 anos, enfim nós temos o filme do Hobbit. E aí, valeu a pena?
  Eu fui pro cinema achando que ia precisar ver o filme umas duas vezes pra poder pensá-lo racionalmente e não como uma louca que chora toda vez que toca "Concerning Hobbits". Fiquei surpresa em ver que eu consegui separar os dois lados. Sapateei, apertei o braço dos meus amiguinhos que foram comigo, o olho encheu d'água, mas mesmo assim deu pra ver o filme com certo distanciamento.
   O enredo dispensa comentários, né? Só vale lembrar que O Hobbit NÃO é uma sequência de O Senhor dos Anéis, e sim um prequel. A história vem antes e, apesar de poder ser vista/lida separadamente, está intimamente ligada à trilogia. E foi com isso que Peter Jackson jogou.

    Mas vamos por partes.
   Adianto logo que tudo o que podia ser bom no filme, foi. A cada cena eu enxergava o Oscar de Melhor Fotografia! E o 3D superou aquela coisa de "vamos atirar coisas no público, isso é legal!" e trabalhou bem a questão da profundidade terceira dimensão oi?, seja nas florestas, nas montanhas, nas arquiteturas, parece TUDO DE VERDADE *-*
   Gostei muito do tom verde-amarelado do filme ae Brasil, diferenciando daquele azul-acinzentado do Senhor dos Anéis (só eu dei pala com isso?)
   Howard Shore mandando muito na trilha sonora, apesar de que o elemento surpresa ficou mais no tema dos anões - que é o tema do filme - e num cântico meio mantra que toca quando os orcs aparecem, fora isso, mais variações dos temas da trilogia mesmo.
Cadê Oscar? CADÊ?
   Grandes e inesquecíveis atuações nunca foram o forte desses filmes - tirando Ian McKellen, Christopher Lee, essa galera que se tivesse de interpretar uma pedra, seria a pedra mais perfeita que você já viu - , mas ninguém faz feio, muito pelo contrário, todos pareciam estar se divertindo horrores com seus personagens, uma coisa que eu adoro ver em filmes. E o Martin Freeman (Hello, dr. Watson) está sen-sa-ci-o-nal como Bilbo, e o Andy Serkis... CADÊ O OSCAR DESSE HOMEM? Eu acho incrível como eu consigo ter tantos sentimentos conflitantes sobre o Gollum quanto o próprio personagem (???).

    Maaas nem tudo são flores, lembas e canções élficas, e algumas coisas me incomodaram...
São bonitinhos, mas quase tudo
figurante
  Eu não sei se é porque a minha história com O Senhor dos Anéis já tem um certo tempo de quando eu tinha um crush no Elijah Wood, mas eu não me lembro da trilogia ter tantos momentos cheesy, breguinhas. Ai, sei lá, rolaram uns discursos e umas cenas propositadamente épicas que ficaram muito Sessão da Tarde... E os pobres anões; são tantos personagens que só Thorin, o #AnãoDaDepressão, Balin, o #VelhinhoFofinho,  e Kili, #TheHotDwarf, ganham mais tempo de cena.
  Segundo, Peter Jackson pesou a mão nas cenas de ação. O livro O Hobbit é naturalmente mais simples e menos épico, PJ quis fazer o caminho inverso e lotou o filme de perseguições alucinadas, que, pelo menos pra mim, quando foi chegando ao final, pras cenas que realmente importavam, eu já estava me perguntando se estava perto do filme acabar QUE PECADO
  Mas, provavelmente, o que mais me incomodou foi a obviedade da direção. SdA era assim? Eu conseguia saber exatamente o que ia acontecer,  e eu não estou falando de história, estou falando de cena mesmo!

   Quanto à polêmica da necessidade de três filmes, eu digo que me senti assistindo O Hobbit - a versão estendida. Certas coisas que são apenas comentadas no livro ganharam cenas inteiras no filme, algumas muito boas, outras... A adição inútil mais legal foi o gancho que PJ fez com o começo da Sociedade do Anel, GENIAL!
    Como eu já disse, tem umas cenas a mais que foram mais caprichos épicos do Peter Jackson, mas as ligações com os outros livros e o melhor desenvolvimento de certas passagem do livro foram bem acertados. Mas que o filme poderia ser mais curtos, podia.

    Ai gente, mas do que adianta? Mesmo com essas coisas que eu não gostei, com certeza vou ver de novo, e todos vocês devem ir também!!

"Eu quero mais que a vida de interior!"
P.S1.: senti a mão do Walt Disney no filme. Altas canções surgidas do nada, conversa com bichinhos, tal qual como no livro.  
P.S2.:  NO Enya e afins \o/! A canção do final está maravilhosa, vale a pena ficar um pouquinho mais pra ouvir toda (:
P.S3.: O que foi a Galadriel ajeitando o cabelinho do Gandalf?

SPOILERS pra quem já conhece a história e viu o filme:
> É meio triste ver o Frodo todo alegre, feliz e saltitante, no começo, sabendo o que vem depois D:
> E se Bilbo tivesse matado o Sméagol? Terra-Média tava ferrada!

sábado, 18 de agosto de 2012

Jogos mortais (quase) para crianças

A boneca de porcelana e o tributo,
sim eles são chamados de "tributos"
  Em um futuro que não deu certo os Estados Uni Cana  Austrál, em um lugar chamado Panem, divido por distritos, todos os anos acontecem os Jogos Vorazes, um reality show para toda a família que consiste em colocar 24 jovens - dois de cada distrito - em um jogo no qual pra você vencer deve matar os outros 23.  E é nesse jogo que a menina Katniss (Jennifer Lawrence, a Mística do First Class, gente!) se vê metida e agora tem que aprender a jogar pra ver se consegue vencer e voltar pra casa. 
  Essa é a história de Jogos Vorazes, a adaptação do best-seller de mesmo nome que ninguém por aqui sabia que existia. Mais um filme pra conquistar os adolescentes e é aqui que algumas coisas interessantes acontecem.
  Como é de praxe nesse tipo de filme tem um monte de atores e atrizes bonitinhos que não atuam nada. Certo? Errado! Não sei se é o clima tenso ou se o diretor (Gary Ross) é ótimo pra lidar com o pessoal ou se é o talento dos atores mesmo, mas ninguém fez feio e eu consegui acreditar até nos personagens mais bizarros. Outro ponto positivo é o clima do filme. Do começo ao fim ele é tenso, e o diretor usou e abusou de uma câmera nervosa que ia acompanhando os personagens quase te colocando no lugar deles. A crueza das mortes sim, tem muitas mortes, afinal é o objetivo do jogo também me impressionou, não é nenhum Bastardos Inglórios, mas deixar um bando de criança e adolescente morrendo de olho aberto e sangue espirrando é algo que muitos diretores evitam fazer. 
Turminha do mal
fazendo pose do mal
  Confesso que fiquei com um pé atrás quando vi o trailer porque achei que fossem pegar essa história super com potencial e enfiar um romance bobo nela, mas aí veio a sambada na minha cara: o romance é tudo menos forçado. Ou melhor, ele não é forçado justamente por ser forçado e ocupa só 15% do filme. Assistam e entendam. 
Pedro Bial do futuro (esquerda)
e mais uma vítima, digo, tributo.
Ah, dá no mesmo!
  Claro que o filme tem umas coisas que me incomodaram - não sei até que ponto problemas do filme ou do livro - sendo a pior delas a caracterização de alguns dos outros participantes do jogo. Um bando de criança psicopata! Tá certo que eles fossem treinados desde pequenos para ganharem o jogo, mas tinha hora ali que eram mais dignos de vilão de desenho do que qualquer coisa. Também não curti o figurino do pessoal da Capital (nem preciso dizer que eles que mandam em tudo, né?), tudo muito exagerado e afetado, isso ficava constantemente me trazendo pra fora do filme. Dava pra ter mostrado a alienação dos capitalenses (???) de uma forma mais... sóbria. A própria Capital era um exagero, tá que a história se passa no futuro, mas não precisava copiar a cidade dos Jetsons. Aposto que ninguém mais imagina os tempos futuros daquele jeito, podiam ter deixado algo igualmente tecnológico, mas mais próximo da gente; muito mais fácil de acreditar e de chocar, tipo "será que nós realmente chegaríamos a esse ponto?". 
  Jogos Vorazes não é o novo Battle Royale, mas tem uma história interessante - ainda mais nessa época de milhares de reality shows e UFC - que traz muita coisa pra se pensar. Não sei como os fãs do livro reagiram, mas o filme faz sentido apesar das mudanças que devem ter feito. Pode assistir sem medo, porque, no mínimo, um leve incômodo por toda aquela situação você vai sentir .
 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

This is GREAT Britain

  Algumas considerações sobre a Abertura das Olimpíadas de Londres. Contém spoilers qqq
One Ring to rule... ops, história errada
  A cerimônia fez o clássico tour pela história do país sede. Começamos com um panorama dos países que formam a Grã-Bratanha e depois fomos para um cenário pastoral, no centro do estádio, quando chega Kenneth Branagh recitando um trecho de A Tempestade, de Shakespeare, e pessoas vestidas de operários começam a surgir, mostrando a Revolução Industrial e a migração para as grandes cidade, principalmente Londres. Também aparecem as sufragistas pedindo o voto feminino. É no meio dessa Revolução que é forjado - sim, forjado tipo no Senhor dos Anéis - um dos aros das Olimpíadas, que é erguido para juntar-se aos outros quatro.
KEN OLHA PRA MIM \o/
  Houve a entrada da rainha escoltada por "my name is Bond. James Bond." (Daniel Craig), com direito até a pulinho de paraquedas só que de mentirinha.

  Logo veio o próximo ato que começou com uma citação linda a Peter Pan: "the second star to the right  and straight on till morning". Mais precisamente, o endereço da Terra do Nunca. Nesse momento rolou uma homenagem ao Great Ormond Street Hospital, o hospital infantil para o qual J.M. Barrie, autor de Peter Pan, doou os direitos autorais de sua história. Depois de um jazzinho dos enfermeiros, as crianças vão dormir, aparece J.K. Rowling divando lendo o começo de Peter Pan e então vieram os monstros. MWAHAHAHAHAHA E esses monstros são vencidos por ninguém mais ninguém menos que várias Mary Poppins com seus guarda-chuvas voadores e suas bolsas maiores por dentro porque a Mary Poppins é uma time lady.
Só de olhar já fico com vontade de rir, de novo
   Justo quando eu achei que a coisa ia ficar brega porque a Orquestra Sinfônica de Londres ia tocar Carruagens de Fogo música de colação de grau e São Silvestre, seriously?, veio Rowan Atkinson,  o Mr. Bean, fazer uma paródia da coisa toda. GENIAL E HILÁRIO!!
  Depois veio o momento história da música com uma historinha de um menino que fica com o celular de uma menina e vai atrás dela para devolver e fazer amizade, mas pra isso tem de passar por diversas boates e em cada uma toca músicas de uma determinada época. Aqui rolou o easter egg de no meio da Bohemian Rhapsody aparecer o barulho que a TARDIS faz ao surgir. (TARDIS é a máquina do tempo da série mais antiga ever: Doctor Who.)
  Vieram as delegações ao som de músicas de bandas e cantores ingleses e blablablá, e pra calar a boca do Galvão Bueno que não parava de especular quem ia levar a Tocha, ela foi levada por diversos adolescente atletas, representando o futuro do atletismo e, consequentemente, das Olimpíadas. A Pira Olímpica também foi acesa por eles, mas não conto como foi, procurem no youtube ou vejam o VT porque é impossível explicar e passar a mesma magia.
 Discursos, música com Arctic Monkeys e Paul McCartney e é isso aí.
                     Não alimente os homens-pombos

Pontos baixos:
> Os filminhos e a produção de época (quase tudo era de época ali) eram bem nível BBC. E eu não digo BBC bem produzida :x
> As histórias montadas também não foram o auge da criatividade de ninguém ali.
> Comentário completamente passional, mas eu esperava algo mais de Doctor Who. O personagem é um ícone na Inglaterra, é a série de sci-fi mais antiga, faz 50 anos ano que vem e a gente escutou só o barulhinho da TARDIS? Até a Rainha assiste! Esperava mais os daleks assustando as criancinhas do que o Lord Voldemort. 

Pontos altos:
> A introdução com os corais infantis fazendo um medley de canções tradicionais dos países da Grã-Bretanha foi emocionante. Destaque pros pequenos irlandeses cantando Londoderry Air, que eu amo!
> A parte do hospital foi a minha preferida de longe. Um pote mágico lotado de referências à histórias inglesas.
> A coreografia dos donos das fábricas no começo e a da parte da discoteca.
> A PIRA!!

  Devo admitir que a abertura não foi de explodir cabeças no nível do Homem-Carvão desenhando a Muralha da China na abertura da de Pequim. Porém foi linda e só pra comprovar o tanto de coisa boa que veio das Terras da Rainha, e isso porque se fossem fazer todas as referências possíveis iam precisar de um dia inteiro só pra isso! Pra quem curte a terra do chá das 5, é um prato cheio sacar as referências que fizeram.
 Por isso, se não viu, vá ver o VT ou procure em HD pela internet, mas não deixe de sentir esse gostinho britânico #tietagem

P.S1.: vergonha alheia do uniforme da delegaçao do Brasil com aquelas calças Restart coladas verdes ou amarelas.
P.S2.: aprenda, Naçãozinha, e vê se faz bonito em 2016.

domingo, 22 de julho de 2012

A coroa furada, digo, sagrada

  A BBC resolveu sabe-se lá  porque fazer uma temporada especial para Shakespeare, com documentários, programas de rádio e filmes. Os filmes em questão formaram uma minissérie chamada The Hollow Crown, constituída pela tetralogia Richard II, Henry IV Part 1 e Part 2, Henry V.
Richard II. Sim, é o mesmo cara que destilava mulheres
em "Perfume".
  Richard II conta a história da decadência do reinado desse rei sassy que se vê no meio de uma guerra civil liderada por seu primo, que tinha sido banido, Henry de Bolingbroke e outros tantos nomes. Bolingborke assume o trono e fica com o nome de...
... Casos de Família Henry IV, que nos mostra o rei, agora o Jeremy Irons um senhor já cansado que tem de lidar com mais guerra civil falta do que fazer é fogo e com seu filho, o príncipe Hal/Harry/Henry, completamente desnaturado, que tem como melhores amigos os ladrões, as prostitutas e vive na taverna Cabeça de Javali. há rumores de que a história se passa em Hogsmeade.
  "Henry IV" pode até parecer uma típica história coming-of-age, aquelas que mostram o amadurecimento de uma pessoa durante o enrendo. Nesse caso é a transformação de Hal de um playboyzinho irresponsável em alguém digno de assumir o trono. (Mas isso depende de sua interpretação, da do diretor e da do ator). E quando ele assume o trono vamos direto para...
...Henry V. Aqui o grande plot é a batalha de Agincourt, uma das batalhas da Guerra dos Cem Anos, na qual os ingleses, em número menor, liderados por seu amado rei, Henry V, venceram os franceses.
   Qual é a graça de assistir "The Hollow Crown"? Porque é Shakespeare, ou seja, texto bem feito, assassinatos, intrigas políticas e familiares, derramamento de sangue, e tudo isso sem ser uma versão moderna ou com texto atualizado, mas que ainda assim consegue te concentrar na história e fazer você se importar com o que vai acontecer depois. E sem aquelas atuações afetadas no estilo de  "vooocêê saaabe que eeestooou atuaaaando *muitos gestos*".
  "Richard II" foi de longe minha parte favorita! Ela difere em tudo das outras três: os tons pasteis, os atores, o texto em verso (que é uma delícia de ouvir)... Ben Whishaw, como o protagonista, desde sua primeira frase me conquistou. O cara fez um trabalho fantástico como o rei que não tinha qualquer controle sobre o que acontecia ao redor, muito frágil e afetado pra ser levado em conta, enfim, um personagem com camadas e camadas. Aliás, o elenco todo mandou muito bem. Eles conseguiram a façanha de pegar um simples "are you sure?" que no texto original é todo cheio de rebuscamentos e inversões, falar o texto original, mas manter a expressão e o tom de um simples "você tem certeza?". FANTÁSTICO!
FalstaffzzzZZZZzzz
  Meus problemas começaram com "Henry IV Part 1", porque a produção pareceu perder a mão completamente em alguns pontos (além de tudo parece muito mais "atuado" do que na primeira parte). Demorou um pouco pra eu entender que toda a empolgação em torno das três últimas partes tinha um nome: Tom Hiddleston. Eu mesma já tinha comentado que o tinha achado um ótimo ator (e isso foi em Avengers, gente. EM AVENGERS!), então tirar o cara de Thor que tem todo um Shakespeare feelings e colocar em Shakespeare de verdade seria como tirar um peixe do aquário e mandar pro mar! qual foi a da metáfora com o peixe? Mas aí veio a produção e apostou todas as fichas no cara e nós ganhamos um príncipe Hal com roupinha de couro, distribuindo sorrisos tá que o sorriso dele é um em um condado, porque ingleses não têm sorriso bonito, mas olha o exagero, né? e algumas poses. Mas o pior de tudo foi o personagem do Falstaff que deveria ser um gordinho engraçado, bêbado, trapaceiro, mas incrivelmente carismático ao ponto de fazer com que o Príncipe de Gales o considerasse seu melhor amigo. Faltou a parte do engraçado e do carismático. A preguiça me invadia a cada vez que ele aparecia... Na parte 2, então, a história foi embora e nem deu tchau. Nada acontece nessa segunda parte até os momentos finais com cenas bem legais envolvendo trono, coroa e um grande mal entendido. Fora ter me deixado por um tempo matutando se eu gostava ou não do príncipe Hal e se concordava com suas atitudes no final. Pelo menos Jeremy Irons tava divando, como sempre.
  Ainda bem que esse probleminhas foram superados na última parte e eu pude me divertir e chorar um pouquinho. só que não. em "Henry V" que é quase um dramão de guerra medieval. A tensão antes da batalha, as opiniões conflitantes (afinal a guerra nunca interessa à maioria que vai lutar nela), os monólogos do rei (mesmo aquele sem noção que consistiu em "vamos matar, derramar sangue e estuprar o/") e até o momento adorkable do rei pra se declarar pra princesa francesa fizeram essa última parte ser bem melhor do que as duas do meio, não deixando a impressão de que a minissérie se jogou em queda livre. Só achei bizarro todo mundo na França usar azul e os ingleses, vermelho.
Henry V pensando que é o Aragorn.
  Num geral, a produção é muito boa, indo bem além do padrão TV. Pode não ser a melhor opção pra ingressar no mundo de Shakespeare, mas com certeza foi feita de uma forma a conseguir um público maior do que o que acompanha esse tipo de história. Tá querendo ver algo e gosta da TV britânica, vá ver "The Hollow Crown" e de bônus saia trabalhado nos thou art, thee, doth do inglês arcaico (:

P.S1.: Tá, fiquei super garotinha romântica na cena do rei se declarando pra Catherine de Valois. Shakespeare, posso encomendar dois desse?
P.S2.:The Hollow Crown apresenta um mundo estranho em que Scar é pai do Loki. REFLITA.
P.S3.: Só fui descobrir depois que Richard II era filho do Edward of Woodstock. Esse era o meu figurante preferido n'O Arqueiro, do Bernard Cornwell...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

The amazing, fresh and fabulous Spider-Man

(o título pode ser uma interna, mas serve bem ao propósito de minha resenha)


  Muitos duvidaram que eu estivesse realmente empolgada pra assistir "O Espetacular Homem-Aranha" e aí Novo Acordo, tem hífen?. A verdade é que o Homem-Aranha era o meu heroi favorito na infância e eu assistia todas as versões do desenho, assisti a trilogia do Sam Raimi mesmo como  nível de vergonha alheia do último filme sendo estratosférico, apesar de eu entender o que quiseram mostrar, e ainda acompanhei por um tempo as brigas e reviravoltas entorno do que seria o quarto filme da trilogia da franquia que acabou virando o primeiro de uma nova franquia e dela veio "The Amazing Spider-Man".
  Esse novo filme reconta a velha história de Peter Parker, rapazinho nerd zoado na escola, que é picado por uma aranha geneticamente modificada e ganha super poderes. Após ocorrer uma infeliz coincidência, menino Parker em vez de procurar um terapeuta, resolve externalizar seus sentimentos virando um justiceiro mascarado. Quando eu digo que o filme reconta, é exatamente isso que ele faz. Os elementos são os mesmos, a história é basicamente a mesma, mas contada de uma forma diferente. Não tão diferente ao ponto de ser uma outra história, mas não tão igual ao ponto de ser um simples remake.
  As tais diferenças são: primeiramente o background do personagem, que no novo filme parece ter saído diretamente do um dos livros de "Desventuras em Série" com pais sumindo e filhos descobrindo que eles faziam parte de alguma sociedade/experimento secreto, com direito a símbolos misteriosos que aparecem, coincidentemente, em vários lugares. Depois temos o novo interesse amoroso de nosso amigo Aranha: Gwen Stacy, uma grata surpresa para os fãs do quadrinhos que se sentiam meio...órfãos da moça e que, graças a Deus, não é sequestrada, porque né?.... E por último temos a grande diferença que é o próprio protagonista, que no filme é menos loser e mais geniozinho e nem precisou estar vestido de super heroi pra mostrar que tem atitude. Logo no início do filme já dá pra perceber que, apesar do moto de "grandes poderes trazem grandes responsabilidades" ainda estar ali, o filme girou muito mais entorno do aprender a lidar com sentimentos de frustração e raiva e de descobrir o que fazer consigo mesmo. 
Hipster.

  Os atores estão todos muito bons em seus papeis (eu demorei pra comprar a ideia do novo ator, porque ele não tem aquela cara de geek sem esperança do Tobey Maguire, porém tudo se ajustou) mas se tem uma coisa que ficou constantemente me trazendo pra fora do filme foram as vezes que Andrew Garfield e Emma Stone apareciam pagando de estudantes do high school. As coisas ficaram ainda mais constrangedoras quando a pobre Stone vem com a frase: "pai, eu tenho 17 anos". Pois é... Não que eu ache que a produção devesse sacrificar atores que deram certo por causa da idade, mas não custava nada mudar o roteiro um pouquinho e jogar todo mundo da faculdade, né? Hollywood vivendo e aprendendo com as séries teen Pelo menos a química entre esses dois é muito boa, o que ajudou bastante na forma repentina com que o roteiro jogou o romance deles. 

  Falando em roteiro... a história é legal, nada pra explodir sua cabeça, mas funciona muito bem para introduzir o novo universo. Os únicos probleminhas foram os momentos meio deus ex machina em que o cosmos conspirava para que as coisas acontecessem do jeito certo ou do jeito errado que é o certo e o pouco foco que deram ao Homem-Aranha faz sentido?, que quando aparece é rapidamente e some sem causar muito alarde. Dá até pra pensar que, sem os poderes, estaríamos assistindo a triste história de um rapaz que, de repente, teve de lidar com muita coisa de uma vez e resolveu dar uma de justiceiro como válvula de escape perae, é isso mesmo!, não sendo isso o principal ponto da história ah tá. Talvez os roteiristas estejam guardando os esquemas pros próximos filmes... e eu aqui querendo altas cenas por entre os prédios
  No final das contas, é um filme divertidíssimo que não me deixa mentir que filme de super heroi pode e deve ter um roteiro consistente e com profundidade não estou pedindo Bergman aqui!. Só não vale ir assistir só pra comparar com a trilogia antiga porque a nova promete ser interessante e tem tudo pra conseguir.
Collant e pose de alongamento. Tá certinho.
(Na pior das hipóteses, pegue o que tem de bom em uma, junta com o que tem de bom no "Espetacular Homem-Aranha" e crie sua própria história :D)

P.S1.: a ponta do Stan Lee foi impagável!!
P.S2.: queria muito ter visto em 3D, não deu. Depois comecei a considerar que meu medo de altura e de aranhas fossem afetar meu divertimento.
P.S3.: esgoto de New York tão primeiro mundo que dá pra passar o metrô por dentro.
P.S4.: "espetacular" não é uma palavra que eu use com frequência e só percebi isso agora.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Dark Shadows a.k.a. Tim Burton tentando voltar a ser o que era

  Por muito tempo eu considerei Tim Burton como meu diretor favorito. Hoje em dia eu nem digo tanto, mas alguns de seus filmes, definitivamente, estão entre os meus preferidos. O problema é que ele passou por uma fase meio... conturbada e nessa fase surgiram filmes como Sweeney Todd (que se tiver passado eu assito) e Alice (que se tiver passando eu jogo algo na TV). Muitos questionaram a criatividade e competência de Tim e ficamos um tempo sem ver filmes dele no cinema.
  Hoje eu assisti o "Dark Shadows" (nunca lembro de como ficou o nome em português, perae... "Sombras da Noite") e um dia desses li um artigo que era mais ou menos "como reconhecer um filme de Tim Burton". Relacionando o artigo com o filme temos: protagonista awkward, pálido, de cabelos pretos [x] checked, mocinha pálida de olhos grandes [x] checked, roteiro pseudo-gótico [x] checked, Helena Bonham Carter [x] checked. Tudo isso pra sinalizar que talvez tenhamos o nosso bom e velho Tim de volta (:
  Antes de qualquer coisa vamos à história. Barnabas Collins, lá em 1760 1700 e bolinha dá um fora em uma mulher porque estava apaixonado por outra, mas essa mulher por acaso era uma bruxa que aconteceu de amaldiçoá-lo há controvérsias transformando-o em um vampiro e prendendo-o em uma caixão. Ele fica lá por dois séculos até conseguir se soltar e se vê solto haha só no trocadilho nos anos 70. Lá resolve ir até à casa mansão de seus ancestrais e conhece sua família moderna, normal como qualquer personagem de Tim Burton. O problema é que nossa querida bruxinha também está na modernidade e continua uma maluca obcecada por Barnabas e acontece mais um bando de coisa que é tudo spoiler.
Eu disse... Tudo maluco!
  A primeira coisa que eu falei quando terminou o filme foi: a história é tão previsível que parece que fui eu que escrevi. Não que isso seja uma coisa necessariamente ruim, até porque "Dark Shadows" marca muito mais por cenas isoladas do que pelo todo. O filme traz toneladas de personagens bizarros, cada um mais maluco que o outro, que juntos criam umas cenas hilárias (principalmente quando todos os personagens em cena resolvem fazer cara de WTF). Aliás, como era de se esperar, "Dark Shadows" não é um terror nem nada, mas sim o clássico humor negro burtoniano com um arzinho britânico e muita sátira aos filmes de terror de série B, além de muita referência aos anos 70 - e momentos super engraçados com os personagens recitando canções como se fossem poemas -, e as clássicas piadas do contraste entre a época de Barnabas e a época atual e participação especial do Alice Cooper the ugliest woman I've ever seen (que rende umas das melhores piadas). 
Coisa que vampirinho Edward não faz :x
  Os atores estão muito bons e acertaram o timing direitinho, e o filme se segura praticamente por causa deles, porque de roteiro mesmo é bem fraquinho. Talvez a intenção fosse fazer algo mais manjado mesmo pra satirizar ainda mais, mas nem sempre funcionou, deixando a história meio cansativa em alguns momentos... Eva Green está ótima como Angelique, a bruxa ciumenta e psicótica, Helena = DIVA, Chloe Moretz (a amiguinha do Hugo Cabret) mostrando que devemos prestar atenção nela porque a menina tem muito potencial, e PASMEM Johnny Depp sem exalar "Jack Sparrow" a cada segundo em cena.
"WTF"
  No final, posso dizer que "Dark Shadows" é como uma mistura de "Beetlejuice" e "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça". Não chega a ser genial como trabalhos mais antigos do Tim, mas, tirando uns probleminhas de ritmo e o final meio capenga, diverte demais quem gosta desse estilo comédia fantasiosa de humor negro e ainda deixa a impressão de que Tim Burton está no caminho certo para voltar a ser o que era. Dá pra ver que esse é exatamente o tipo de filme que ele se sente confortável fazendo.


P.S.: "Dark Shadows" é tipo um remake de um remake. Tinha uma série nos anos 70 e depois rolou uma outra nos anos 90. Isso explica MUITA coisa.

domingo, 3 de junho de 2012

O bruxo, o casarão e o pretinho básico

 (esse post carece de mais imagens porque eu fiquei com medo de procurar)

 Hoje eu tô frenética nas resenhas. Acabei de ver o A Mulher de Preto, o filme que nos mostra Daniel Radcliffe não sendo Harry Potter. Ou não.
  Eu nunca resisto a qualquer suspense que se passe em épocas passadas na Inglaterra. Esse país tem o dom de atrair esse tipo de história. Deve ser a chuva e a névoa... Com The Woman in Black não é diferente e a história gira em torno de Harry Potter, um menino que descobre que é um bruxo Arthur Kipps, um advogado, viúvo e com um menininho, que se vê obrigado a fazer uma viagem a uma cidadezinha do interior para pegar os papeis da escritura de uma casa cuja proprietária morrera. Mal ele chega à cidade, percebemos que o povo é bem estranho e super não quer que ele fique na cidade. A gente percebe, ele continua todo trabalhado no blasé. Não demora muito para sabermos que a tal casa - que é um casarão no meio do pântano - é assombrada. Não sabemos por quem nem porquê, e coisas bizarras começam a acontecer na cidade.
  A história é simples, em momentos até um pouco mal explicada que tanto papel é esse que ele procurava?, mas segue a boa tradição de histórias góticas com fantasmas nervosos. MEU, eu nunca levei tanto susto na minha vida! Tá certo que eu sou medrosa e nem sei porque resolvi ver esse filme, mas esse filme levou meus sustos a um nível totalmente inesperado. E pior que isso nem pode ser considerado mérito porque muitas vezes eu me assustei mais pelo TANDAM do que pela cena em si. Em muitos momentos a ausência de um som mais chamativo teria tornado o suspense muito mais efetivo, fato.
Quase um Rumple Rasput Raskólnikov
 A atmosfera do filme é um ponto altíssimo. Num filme desse, se não tem o climão de suspense nada mais funciona; felizmente A Mulher de Preto acerta nesse quesito. Outro ponto que deixa tudo mais sinistro é o uso de crianças. Muitos filmes têm um certo receio em usar crianças, mas não é o caso desse que cria cenas e mais cenas tensas com os pequenos.
  E Daniel Radcliffe continua sendo o Harry Potter, pra mim, e demorou pra eu comprar a ideia dele ser viúvo e ter um garotinho de uns quatro anos. Ele simplesmente parecia garoto demais! Mas depois me acostumei e pude apreciar sua atuação. Ele não fez feio e me convenceu bonito principalmente quando mostrava o seu lado viúvo-depressivo-workaholic. Com o diretor certo o que HP demorou pra ter, Radcliffe consegue convencer (:
  O filme não é genial e às vezes até soa bem parecido com outros suspenses que já vimos por aí O Chamado com seu papel de parede, alguém?, mas no geral funciona como um bom passatempo pra quem gosta de suspense de época e quer levar muitos sustos.

P.S.: quem já leu A volta do parafuso e/ou assistiu o maravilhoso Os Inocentes deve ter associado na hora na primeira aparição da mulher de preto, né?
P.S.2:  dica pras pessoas de filme de suspense/terror: PAREM de seguir o barulho/vulto/whatever e escutem os moradores locais.
 

Ser ou não ser (uma fraude)? Eis a questão.

Esse poster é bem bonito...
  Assisti Anonymous (ficou Anônimo mesmo em português?), o filme que está aí pra balançar a credibilidade de ninguém mais ninguém menos do que aquele que é considerado um dos grandes gênios do legado cultural da humanidade, além de especial fundador literário dos países de língua inglesa. Senhoras e senhores, com vocês, William Shakespeare.
  Anonymous é um filme dirigido pelo diretor de cinema-catástrofe Roland Emmerich, e lida com a famosa controvérsia de que Shakespeare não poderia ter escrito todas aquelas peças e sonetos, pois era de família muito pobre, iletrado e nunca frequentou a universidade. O filme dá ao Conde de Oxford, Edward De Vere, a autoria dos escritos de Shakespeare. Em uma época de crise, em que a rainha Ruiva Elizabeth I já estava bem velha, sem herdeiros e enfrentando uma mega crise sucessória, nosso conde de Oxford resolve apostar no poder político da arte ditadura militar, alguém? para manipular os acontecimentos e fazer referências não sutis a pessoas da aristocracia... E aí entra o nosso querido Will (: Não vou entrar em detalhes, apenas fiquem sabendo que teatro era considerado uma coisa muito imoral, quase uma arma do capeta e não ficava bem pra um nobre ser conhecido por aí como uma autor de peças teatrais... 
O surgimento do mosh
  O filme em si é  meio lentinho e  não sei se é porque eu sempre ia assistir quando já estava tarde e ficava com sono, mas eu bati meu recorde e demorei três dias pra terminar de ver. O roteiro é bem fraco também - tirando os últimos trinta minutos que trazem uma reviravolta simpática -, demorou pra eu sacar que o ponto principal da história era muito mais as intrigas políticas do que a autoria das peças, e essa parte ainda caiu no lugar comum do tipo de conspiração em que a figura adorada é mostrada como o total oposto do que esperamos dela e a figura odiada/desconhecida é mostrada como sendo, no mínimo, uma pessoa legal e digna de nota. Com Anonymous, Shakespeare é um fanfarrão e o conde é super inteligente e digno de ter escrito Hamlet. Aliás, o conde é o personagem mais fraquinho, me dava uma preguicinha delzzzZZZZzzz.
E a rainha pegadora...
   Mas tem coisa boa também. As atuações são muito boas e se não fosse por elas o filme ia ser bem... tenso. O figurino, ganhou até indicação ao Oscar porque sempre tem que ter filme de época, né?, é muito bem feito e as partes quem mostram as peças sendo encenadas são beeeem legais. Dois pontos altos pra mim foram a genialidade da montagem do começo do filme - sério, vejam isso! - e a montagem da Ricardo III, tido como um dos maiores vilões da história inglesa, que virou algo como Ricardo III e a psicologia da multidão. 
   O que eu não sabia era a repercussão que esse filme teve na Inglaterra. O povo foi a loucura e chegaram até a cobrir de preto as janelas da casa de Shakespeare e a estátua dele em sua cidade natal, Stratford-upon-Avon, em sinal de luto o.O Os grandes estudiosos e especialistas acharam uma afronta e tão pra matar um. Eu não vejo problema em fazerem um filme de conspiração, liberdade de expressão tá aí pra isso, o problema é que muita gente acredita em TUDO que vê e vai levar Anonymous como sendo o documentário definitivo sobre Shakespeare e não é bem assim...
   Num geral, o filme é legalzinho e divertido de ver se você gosta de filme de época. Bem, da próxima vez que eu quiser polêmicas sobre Shakespeare eu vou ver o segundo episódio da terceira temporada de Doctor Who, no qual eles descobrem o que aconteceu com a "peça perdida" Love's Labour's Won.
  
  

sábado, 26 de maio de 2012

Nevermore! (entenda como quiser)

   Eu e uma galerinha do barulho fomos curtir altas aventuras assistindo O Corvo. O filme, como outras obras, vai tratar dos acontecimentos que poderiam ter acontecido antes da misteriosa morte de Edgar Allan Poe - autor do poema TANDAM O Corvo. Teorias da conspiração é o que não faltam!
   A história é bem simples: em Baltimore (por mais que seja nublada e tenha aquele feeling vitoriano, não, a história não se passa em Londres), crimes começam a acontecer, mas esses crimes não são crimes normais nunca são, eles remetem às histórias do verborrágico e quase fracassado escrito Edgar Allan Poe. Muitos suspeitam do próprio Poe, então ele se une ao detetive Fields para investigar os casos.
   Quase Todo mundo já ouviu falar de Edgar Allan Poe. O cara não é só um dos primeiros escritores com essa pegada mais gore como também é o pai do romance policial. rá, Conan Doyle E a graça desse roteiro é que em algum ponto da biografia de Edgar Allan Poe alguns crimes parecidos com os de seus livros realmente ocorreram e houve boatos de que ele os cometera.
Parece Londres, mas não é Londres
Parece o Jack, o Estripador, mas não é ele.
O filme segue bem essa fórmula de história policial vitoriana (e eu adoro!) com pessoas que têm de confiar muito mais em seus raciocínios do que em um mega computador que processa dados de criminosos fichados. O seu diferencial está na vibe meio Jogos Mortais das mortes - que me deixaram mais do que agoniada - e na diversão que é pra pessoas que conhecem a  obra de Poe eu me surpreendi com o número de histórias que eu conhecia e tentam associar as mortes com as histórias. O próprio Poe, interpretado pelo John Cusack num papel que parece ter sido pensado para o Johnny Depp, é um pessoa bem excêntrica que está sempre falando sem parar quase como um personagem de um livro antigo. Divertidíssimo!
Passei o filme sem entender a fantasia dessa mulher... 
 Os pontos fracos do filme foram justamente que só foram deixar pistas mesmo mais para o final e, claro!, na parte romântica. PORQUEMEUDEUS inventam de pôr romance em tudo? A atriz que faz Emily, o amor proibido de Poe, pode ser bonita, mas é completamente insossa (nível Thor, alguém?) e o roteiro, como sempre, não ajudou muito. Colocaram ela como o impulso final para Edgar Allan Poe participar da investigação, mas tudo poderia ser mais inteligente. Poe merecia isso!
  Apesar do filme não ser uma história de detetives brilhantes, mas sim pessoas quase normais investigando crimes, não pude deixar de notar uma clara inspiração na história "Um estudo em vermelho", do Sir Arthur Conan Doyle, no final do filme adoro figurante que é o culpado!.
     No final, é um filme bem divertido, principalmente se você gosta desses suspenses vitorianos e de ficar morrendo de agonia no cinema. Eu preferiria que o filme tivesse seguido uma outra linha, mas isso sou eu (e se eu falar vou dar spoiler), mas acho digno pra despertar o interesse do povo pelo autor.

P.S.:
> Edgar Allan Poe realmente foi encontrado quase demente repetindo "Reynolds, Reynolds" e ninguém nunca conseguiu explicar isso. Bear it in mind...
> Uma vez a Agatha Christie foi chamada pra depor porque um doente resolveu matar o povo se inspirando nos livros dela. Adoro esse povo criativo!
> Alguém terminou o filme e tá esperando a versão com o Jules Verne?



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Aquele com o Thor (que não é o Batista)

    Eita que minha paixão por mitologia ainda vai me matar! Por causa dela eu resolvi assistir Thor; e antes que digam alguma coisa, eu sei que o filme foi baseado nos quadrinhos, mas o quadrinhos por sua vez foram inspirados pela mitologia nórdica, mas anyway.
E o prêmio de Pior Pai do Ano vai para... Odin
A história é basicamente Thor, o filho de Odin - e isso é importante - é o herdeiro, mas é a criatura mais arrogante e despreparada pra tarefa. Um belo dia ele, seu irmão só que não Loki e mais uma galera, influenciados por Thor, fazem uma besteira muuuuito grande e como resultado Odin bane Thor do reino de Asgard e manda ele pra Terra junto com o Mjölnir, o martelo (pausa para o momento de pensar que o que não tá funcionando o povo joga pra cá u.u). E enquanto ele está aqui na Terra, Loki deu a louca em Asgard e ficou com o trono. O resto do filme é Thor querendo o martelo de volta, que está sendo retido por uma organização que conhecemos melhor em Os Vingadores, e Loki fazendo e acontecendo como rei e tentando impedir a volta de Thor.
    PASMEM, mas eu curti o filme. Em Thor a gente tem o que eu disse que faltava em The Avengers: consistência. Entre as cenas de ação - que são muitas e muito bem feitas, claro - e as piadinhas (ri alto várias vezes!) há momentos para os personagens mostrarem quem são. Outra coisa legal é a vibe Shakespeare depois que eu descobri que o Kenneth Branagh dirigiu o filme isso fez bem mais sentido. De quem mais eu lembraria com intrigas palacianas e conflitos tensos entre parentes próximos? VIU? Tem como fazer um filme de ação e aventura sem idiotizar o público. Eles não precisaram fazer nada cult, mas também ninguém reclama de um pouco de profundidade.
  Fiquei satisfeita com a atuação Chris Hemsworth, o adorado Thor. Ele me convenceu na pose de rapaz mimado e arrogante e mesmo as cenas mais dramáticas não ficaram tão ruins como em Os Vingadores. Talvez o texto no outro filme é que não tenha ajudado muito... Muitas pessoas, eu por exemplo, se perguntaram o que a Cisne Negro estava fazendo nesse filme. Deve ser legal fazer um filme mais pra diversão, de vez em quando, e a Natalie Portman mandou bem naquilo que ela podia, dentro da sonsice do personagem dela e do igualmente sonso romance com o Thor (nem vou falar disso porque se o povo ama um filme em que um casal que se conhece em um barco há menos de quatro dia juram amor eterno, eu não tenho mais nada a declarar). E a minha profecia de que o Tom Hiddleston como Loki ofuscaria menino Thor não se concretizou pelos motivos já citados, maaaaaaas ele continua me convencendo e muito! O que são aquelas cenas em que ele começa a chorar de raiva do nada? Desajustado é pouco.
Loki: Am I cursed?
Odin: No. You're adopted.(ele n disse isso, eu que pensei)
   No final o saldo foi positivo (só lá na metade que rola uma parte muito chata, mas depois supera). A história não tem nada de mais, porém junto com as cenas bem feitas (Asgard é LIIIINDA *-*), a trilha sonora do Patrick Doyle e a tal consistência que eu falei, Thor passa a ser um filme agradável de ver, comer pipoca e ficar com a sensação de que se divertiu por uma hora e pouquinho.
Claro que me me diverti ainda mais por fazer a cobertura em tempo real no facebook :x