sábado, 21 de janeiro de 2012

All the King's Horses

   Eu sempre tento fugir de filme de bicho. Não que eu os ache ruim, é mais que todos eles estão aí pra mostrar uma amizade linda entre um humano e um animal de quatro patas, pra aqueles mais politicamente corretos, ou mesmos entre os próprios animais de quatro patas, e no final acontece algo muito triste e todos soluçam até dormir. Quando eu era pequena, chorei com Babe, Bambi, O Rei Leão e Meu Cachorro Skip (!!), depois disso nunca mais! Contrariando minha meta de ter uma vida feliz sem precisar de ver bichinhos sofrendo no cinema, fui ver Cavalo de Guerra, o novo filme do Spielberg (que foi baseado no livro de mesmo nome de Michael Morpurgo que também virou uma peça com cavalos do futuro)

Os broder
   O filme conta a história de Joey isso é nome de cavalo?, o cavalo que foi comprado pelo pai de Albert para poder arar; mas Joey não tinha estrutura física para tal tarefa e coube a Albert ensiná-lo e enquanto isso uma linda amizade dos estúdios do Walt Disney surgia entre eles. Não querendo dar spoiler devemos apenas saber que por um certo motivo Joey teve que ser vendido para o exército britânico no começo da Grande Guerra (que na época não era chamada de primeira, porque eles não sabiam que teria uma segunda, certo?) e a partir desse momento ele passa de mão em mão, ora com os ingleses, depois com os alemães, islandeses espanhois brasileiros, franceses... E enquanto isso, menino Albert tinha certeza, mesmo depois de alistado e em sua devida trincheira vendo all the hell breaking loose, que reencontraria seu cavalo.

Contando assim parece até um pouco Sessão da Tarde, podendo passar depois de Perdidos em São Francisco 2, mas o filme é MUITO bonito e com certeza vale a pena ver. Pra quem, como eu, ama os animais barata e aranha não são animais é muito bonito ver como as pessoas se apegavam ao cavalo como se ele tivesse algo de especial, como um personagem mesmo apontou. De forma até clichê os personagens simpatizantes do Darth Vader que estavam do lado negro da força não se importavam nem com Joey nem com os outros cavalos, como se eles fossem apenas uma mão de obra irracional pra puxar canhões por aí. Isso não é muito diferente da famosa ideia de que conhecemos uma pessoa quando vemos como ela se comporta com os animais. Aliás,  terminei o filme com certeza da impressão que eu sempre tive de que eu gosto mais de bichos do que de gente. Ponto.
    Mas ativismos a parte, se expandirmos um pouco a nossa visão do filme vemos que as várias histórias mostradas encontram um ponto em comum em Joey, mas o próprio Joey está em uma história muito maior: a Primeira Guerra. Nem de longe ela traz tanto dinheiro é tão comentada quanto a Segunda, mas foi igualmente trágica e estúpida, em alguns quesitos até pior. Porém no filme do cavalo ela nunca é mostrada como um Rambo *insira número aqui*, mas sim envolvendo o lado mais psicológico dos envolvidos, como num bom drama.
Quando pegam meu cavalo, a coisa fica séria!!
Meus únicos probleminhas com o filme foram certos momentos em que o Spielberg errava a mão querendo ser o mais emocionante dos emocionantes e deixava meio brega - e John Williams não estava em sua melhor forma pra ajudar com a trilha - , e coisas muito dualistas, tanto personagens unidimensionais quanto momentos em que tudo dava errado e outros em que tudo dava certo. Por exemplo, tirando a sequência mais agoniante do filme inteiro, que por acaso eu não consegui ver toda, o momento em que eu estava praticamente chorando foi cortado por uma atitude muito bondosa que veio do nada e estava ali simplesmente para ser bondosa e fazer tudo dar certo.
Mas tudo bem, o cinema quase inteiro estava se debulhando em lágrimas, então não tenham vergonha de levar seus lencinhos.
     Em tempos de deuses com roupas douradas numa pedra flutuante e homens de ação que se passam por detetives britânicos do século XIX, é muito bom ver uma obra simples, delicada e que confia na nossa empatia com seus personagens e que nos faz reparar naquilo que o ser humano pode fazer de melhor. 

P.S1.: O Sherlock tá no filme!!! O da série, não o Robert Downey Jr. Mas eu não reparei quem ele era...
P.S2.: Ganso Harold é o novo comediante de Hollywood, também faz stand-up.
P.S3.: Cadê o Oscar pra expressividade dos cavalos que faziam o Joey?

3 comentários:

  1. esqueceu de falar do Lupin

    ResponderExcluir
  2. HAHAHAHAHAHAHA as partes riscadas geniais

    ResponderExcluir
  3. Os cavalos eram os melhores atores do filme. Hheuheuihe mas foi legalzinho né? Foi bem proximo do que eu esperava. Melhor cena: a parte meio improvável que os soldados soltam o arame. E o final, bem brega, mas chorável :) Fiquei com dó do velhinho!

    ResponderExcluir