domingo, 19 de fevereiro de 2012

A Invenção do Artista

     Saí com minha mãe para ver O Artista e acabamos vendo O Artista e A Invenção de Hugo Cabret. Por isso vou dividir o post pra falar dos dois filmes.
Todo maroto
     Pra começar, não é à toa que tá todo mundo falando de O Artista. O filme é maravilhoso! Creio que nem precisaria colocar a sinopse porque todo mundo já deve estar sabendo sobre o que se trata, mas por via das dúvidas... O filme fala do ator de filmes mudos George Valentin que com a chegada do cinema falado se viu sem espaço na inovação e esse é o começo de sua decadência. Paralela à história de George temos Peppy Miller, uma moça que começou como tiete de George, passou por figurante e depois tornou-se uma grande celebridade do cinema falado. 

      Sabe o que é mais legal nessa história? A simplicidade. O Artista é um filme cult por natureza, afinal inventaram de fazer um filme mudo em preto e branco em pleno 2011, mas ninguém precisou de apelar para uma história super polêmica para conseguir que o público mais pseudo intelectual, intelectual exigente gostasse. Inclusive li em algum lugar que a ideia era essa mesma: criar uma história que pudesse atrair todo mundo. Desde aqueles que viveram na época do cinema mudo, passando pelos cinéfilos em geral, até os que nunca se interessaram e resolveram ter uma nova experiência cinematográfica. Isso eles conseguiram, pois o filme tem momentos engraçados - um timing muito bom! -, dramáticos (senti o olho ardendo, tá?!) e, claro, várias homenagens ao cinema em si. E foi genial a forma com que souberam brincar com o fato do filme ser mudo, por exemplo quando do nada começam a surgir sons - eu estava tão imersa no filme que fiquei O-M-G SONS COMO ASSIM? -, ou a sacada genial que acontece mais pro final, mas é muito spoiler! E pensa num filme bem atuado, com todo mundo se divertindo com o que estava fazendo!
       A trilha sonora é linda, o tipo de música que eu amo, mas eu não daria o Oscar pra ela pelo seguinte argumento. Algo que eu prezo muito em uma trilha sonora é a originalidade, mas a trilha desse filme é exatamente como qualquer música da época, e nem tinha como não ser, dá pra você imaginar a música em um filme mudo dos anos 20. Diferente de quando o compositor escolhe, deliberadamente, o estilo e a inspiração que vai usar para a trilha, Ludovic Bource nunca teve essa liberdade. Não tira o brilhantismo, mas um bocado da originalidade.
      O Artista acaba sendo um filme que fala sobre reinventar e se reinventar.. Não se acomodar e buscar sempre algo novo, até porque só assim podemos acompanhar as mudanças. 
       E falando em reinvenção... Quem diria que  Scorsese fosse dirigir um filme infantil. Sério, quando eu vi o tanto de indicação de um filme chamado "Hugo", do Scorsese, pensei na hora que ele deveria ser um mafioso famoso dos Estados Unidos ou coisa parecida. Imagina a minha surpresa quando descobri que era o filme sobre um garoto, Hugo, que vivia na Estação da Luz numa estação de trem em Paris e era responsável por dar corda nos relógios, e claro ia viver uma grande aventura narrada pelo narrador da sessão da tarde e blablablá. Sim, era só isso que eu sabia! Imaginem a minha surpresa quando percebo que A Invenção de Hugo Cabret, assim como O Artista, também é uma homenagem ao cinema. Mas em Hugo eles vão ainda mais pra trás com a máquina do tempo e falam sobre os primórdios da coisa toda, lá com os irmãos Lumière (RÁ, certeza que agora todos entendem porque o menino mora numa estação! Muitos trens chegando à estação... Ring a bell?) e, o grande homenageado, Georges Méliès, que foi meio quem começou com os efeitos especiais em histórias completamente lúdicas lááááá em 1900 e bolinha.
      Visualmente o filme é lindo, com muito destaque pro azul, o que faz o menino Asa Campo de Manteiga Butterfield ser o novo Elijah Wood com aqueles olhões azuis quase lilás. Btw, ele está muito bem, mil vezes melhor que em O Menino do Pijama Listrado, e a menina Isabelle (interpretada pela Chloe Moretz) é um carisma a parte com aquele jeito de falar difícil e todas as referências literárias. O problema mesmo é a falta de ritmo do filme e o pouco desenvolvimento dos personagens; a primeira parte do filme não tem nada a ver com a segunda e parece até desnecessária. Sem contar os momentos em que tudo parece que vai virar uma grande aventura, mas desbanca com as crianças fazendo algum diálogo filosófico sobre algo muito maior e muito mais antigo que elas.
     A trilha sonora de Howard Shore está boa, mas um pouco repetitiva, tanto no uso do tema quanto no estilo francês, que depois de um tempo passou a incomodar um pouco. Nada contra música francesa, gosto muito, mas toda hora o mesmo tema com o mesmo acordeonzinhozzzZZZZzzzz... E, por favor, alguém me explica porque colocaram a música "Danse Macabre" pra mostrar a história do cinema? Isso só pode querer dizer que o cinema é do capeta e que nós todos vamos morrer e iremos em procissão pro inferno ¬¬ Claro que deve ser uma alusão ao fato das pessoas terem se assustado com os movimentos na tela. Ou não.
     Só pra terminar, o filme é muito bom, apesar dos pesares, e vejam em 3D; eu fiz questão de ver por ser o primeiro trabalho do diretor nesse estilo. Todos aqueles relógios e sua engrenagens, a estação gigante e os filmes antigos com seus próprios efeitos especiais valem o óculos 3D com sua devida quantidade de álcool e gel pra livrá-lo dos germes (:

P.S1.: Cadê o Oscar pro cachorrinho do Artista?
P.S2.: Eu sou a única pessoa que morre de medo agonia dos filmes antigões que eles mostram em Hugo. Com aquele climão vaudeville. Credo!

2 comentários:

  1. Eu rio demais com seus posts! kkkkkkkkkkkkkk (tá vendo?)

    Acho que a gente teve a mesma opinião sobre "O Artista". Até seu destaque pra mensagenzinha ("Não se acomodar e buscar sempre algo novo, até porque só assim podemos acompanhar as mudanças") eu lembro que quase coloquei no meu post mas acabei esquecendo haha.

    De Hugo, você não foi a única que eu li falando que a primeira parte é desnecessária. E isso foi o único ponto que a gente descordou, porque eu adorei ela. Sei que ficou estranho junto com a segunda, mas eu gostei tanto, que escolhi ignorar esse fato kkkk. Sei lá, eu adorei o "estilo" do filme...

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    1. Meus posts são muito bobos! IOFHPOIDGHSFIOGDHFIOGHFGIOFHGODFIHO

      Eu achei essa mensagem do Artista muito válida mesmo!!
      Sobre Hugo, não é nem que eu não tenha gostado da primeira parte, eu curti muito também (inclusive tava esperando o filme ser uma grande aventura de formação...), só achei que destoou pq aquele não era o foco do filme. É até o que a minha mãe falou, a gente tava esperando um motivo beeem mais sério pra toda aquela pala do senhor lá, mas depois nem é nada demais.
      Anyway, obrigada por comentar. Volte sempre (:

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