quarta-feira, 27 de junho de 2012

Dark Shadows a.k.a. Tim Burton tentando voltar a ser o que era

  Por muito tempo eu considerei Tim Burton como meu diretor favorito. Hoje em dia eu nem digo tanto, mas alguns de seus filmes, definitivamente, estão entre os meus preferidos. O problema é que ele passou por uma fase meio... conturbada e nessa fase surgiram filmes como Sweeney Todd (que se tiver passado eu assito) e Alice (que se tiver passando eu jogo algo na TV). Muitos questionaram a criatividade e competência de Tim e ficamos um tempo sem ver filmes dele no cinema.
  Hoje eu assisti o "Dark Shadows" (nunca lembro de como ficou o nome em português, perae... "Sombras da Noite") e um dia desses li um artigo que era mais ou menos "como reconhecer um filme de Tim Burton". Relacionando o artigo com o filme temos: protagonista awkward, pálido, de cabelos pretos [x] checked, mocinha pálida de olhos grandes [x] checked, roteiro pseudo-gótico [x] checked, Helena Bonham Carter [x] checked. Tudo isso pra sinalizar que talvez tenhamos o nosso bom e velho Tim de volta (:
  Antes de qualquer coisa vamos à história. Barnabas Collins, lá em 1760 1700 e bolinha dá um fora em uma mulher porque estava apaixonado por outra, mas essa mulher por acaso era uma bruxa que aconteceu de amaldiçoá-lo há controvérsias transformando-o em um vampiro e prendendo-o em uma caixão. Ele fica lá por dois séculos até conseguir se soltar e se vê solto haha só no trocadilho nos anos 70. Lá resolve ir até à casa mansão de seus ancestrais e conhece sua família moderna, normal como qualquer personagem de Tim Burton. O problema é que nossa querida bruxinha também está na modernidade e continua uma maluca obcecada por Barnabas e acontece mais um bando de coisa que é tudo spoiler.
Eu disse... Tudo maluco!
  A primeira coisa que eu falei quando terminou o filme foi: a história é tão previsível que parece que fui eu que escrevi. Não que isso seja uma coisa necessariamente ruim, até porque "Dark Shadows" marca muito mais por cenas isoladas do que pelo todo. O filme traz toneladas de personagens bizarros, cada um mais maluco que o outro, que juntos criam umas cenas hilárias (principalmente quando todos os personagens em cena resolvem fazer cara de WTF). Aliás, como era de se esperar, "Dark Shadows" não é um terror nem nada, mas sim o clássico humor negro burtoniano com um arzinho britânico e muita sátira aos filmes de terror de série B, além de muita referência aos anos 70 - e momentos super engraçados com os personagens recitando canções como se fossem poemas -, e as clássicas piadas do contraste entre a época de Barnabas e a época atual e participação especial do Alice Cooper the ugliest woman I've ever seen (que rende umas das melhores piadas). 
Coisa que vampirinho Edward não faz :x
  Os atores estão muito bons e acertaram o timing direitinho, e o filme se segura praticamente por causa deles, porque de roteiro mesmo é bem fraquinho. Talvez a intenção fosse fazer algo mais manjado mesmo pra satirizar ainda mais, mas nem sempre funcionou, deixando a história meio cansativa em alguns momentos... Eva Green está ótima como Angelique, a bruxa ciumenta e psicótica, Helena = DIVA, Chloe Moretz (a amiguinha do Hugo Cabret) mostrando que devemos prestar atenção nela porque a menina tem muito potencial, e PASMEM Johnny Depp sem exalar "Jack Sparrow" a cada segundo em cena.
"WTF"
  No final, posso dizer que "Dark Shadows" é como uma mistura de "Beetlejuice" e "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça". Não chega a ser genial como trabalhos mais antigos do Tim, mas, tirando uns probleminhas de ritmo e o final meio capenga, diverte demais quem gosta desse estilo comédia fantasiosa de humor negro e ainda deixa a impressão de que Tim Burton está no caminho certo para voltar a ser o que era. Dá pra ver que esse é exatamente o tipo de filme que ele se sente confortável fazendo.


P.S.: "Dark Shadows" é tipo um remake de um remake. Tinha uma série nos anos 70 e depois rolou uma outra nos anos 90. Isso explica MUITA coisa.

domingo, 3 de junho de 2012

O bruxo, o casarão e o pretinho básico

 (esse post carece de mais imagens porque eu fiquei com medo de procurar)

 Hoje eu tô frenética nas resenhas. Acabei de ver o A Mulher de Preto, o filme que nos mostra Daniel Radcliffe não sendo Harry Potter. Ou não.
  Eu nunca resisto a qualquer suspense que se passe em épocas passadas na Inglaterra. Esse país tem o dom de atrair esse tipo de história. Deve ser a chuva e a névoa... Com The Woman in Black não é diferente e a história gira em torno de Harry Potter, um menino que descobre que é um bruxo Arthur Kipps, um advogado, viúvo e com um menininho, que se vê obrigado a fazer uma viagem a uma cidadezinha do interior para pegar os papeis da escritura de uma casa cuja proprietária morrera. Mal ele chega à cidade, percebemos que o povo é bem estranho e super não quer que ele fique na cidade. A gente percebe, ele continua todo trabalhado no blasé. Não demora muito para sabermos que a tal casa - que é um casarão no meio do pântano - é assombrada. Não sabemos por quem nem porquê, e coisas bizarras começam a acontecer na cidade.
  A história é simples, em momentos até um pouco mal explicada que tanto papel é esse que ele procurava?, mas segue a boa tradição de histórias góticas com fantasmas nervosos. MEU, eu nunca levei tanto susto na minha vida! Tá certo que eu sou medrosa e nem sei porque resolvi ver esse filme, mas esse filme levou meus sustos a um nível totalmente inesperado. E pior que isso nem pode ser considerado mérito porque muitas vezes eu me assustei mais pelo TANDAM do que pela cena em si. Em muitos momentos a ausência de um som mais chamativo teria tornado o suspense muito mais efetivo, fato.
Quase um Rumple Rasput Raskólnikov
 A atmosfera do filme é um ponto altíssimo. Num filme desse, se não tem o climão de suspense nada mais funciona; felizmente A Mulher de Preto acerta nesse quesito. Outro ponto que deixa tudo mais sinistro é o uso de crianças. Muitos filmes têm um certo receio em usar crianças, mas não é o caso desse que cria cenas e mais cenas tensas com os pequenos.
  E Daniel Radcliffe continua sendo o Harry Potter, pra mim, e demorou pra eu comprar a ideia dele ser viúvo e ter um garotinho de uns quatro anos. Ele simplesmente parecia garoto demais! Mas depois me acostumei e pude apreciar sua atuação. Ele não fez feio e me convenceu bonito principalmente quando mostrava o seu lado viúvo-depressivo-workaholic. Com o diretor certo o que HP demorou pra ter, Radcliffe consegue convencer (:
  O filme não é genial e às vezes até soa bem parecido com outros suspenses que já vimos por aí O Chamado com seu papel de parede, alguém?, mas no geral funciona como um bom passatempo pra quem gosta de suspense de época e quer levar muitos sustos.

P.S.: quem já leu A volta do parafuso e/ou assistiu o maravilhoso Os Inocentes deve ter associado na hora na primeira aparição da mulher de preto, né?
P.S.2:  dica pras pessoas de filme de suspense/terror: PAREM de seguir o barulho/vulto/whatever e escutem os moradores locais.
 

Ser ou não ser (uma fraude)? Eis a questão.

Esse poster é bem bonito...
  Assisti Anonymous (ficou Anônimo mesmo em português?), o filme que está aí pra balançar a credibilidade de ninguém mais ninguém menos do que aquele que é considerado um dos grandes gênios do legado cultural da humanidade, além de especial fundador literário dos países de língua inglesa. Senhoras e senhores, com vocês, William Shakespeare.
  Anonymous é um filme dirigido pelo diretor de cinema-catástrofe Roland Emmerich, e lida com a famosa controvérsia de que Shakespeare não poderia ter escrito todas aquelas peças e sonetos, pois era de família muito pobre, iletrado e nunca frequentou a universidade. O filme dá ao Conde de Oxford, Edward De Vere, a autoria dos escritos de Shakespeare. Em uma época de crise, em que a rainha Ruiva Elizabeth I já estava bem velha, sem herdeiros e enfrentando uma mega crise sucessória, nosso conde de Oxford resolve apostar no poder político da arte ditadura militar, alguém? para manipular os acontecimentos e fazer referências não sutis a pessoas da aristocracia... E aí entra o nosso querido Will (: Não vou entrar em detalhes, apenas fiquem sabendo que teatro era considerado uma coisa muito imoral, quase uma arma do capeta e não ficava bem pra um nobre ser conhecido por aí como uma autor de peças teatrais... 
O surgimento do mosh
  O filme em si é  meio lentinho e  não sei se é porque eu sempre ia assistir quando já estava tarde e ficava com sono, mas eu bati meu recorde e demorei três dias pra terminar de ver. O roteiro é bem fraco também - tirando os últimos trinta minutos que trazem uma reviravolta simpática -, demorou pra eu sacar que o ponto principal da história era muito mais as intrigas políticas do que a autoria das peças, e essa parte ainda caiu no lugar comum do tipo de conspiração em que a figura adorada é mostrada como o total oposto do que esperamos dela e a figura odiada/desconhecida é mostrada como sendo, no mínimo, uma pessoa legal e digna de nota. Com Anonymous, Shakespeare é um fanfarrão e o conde é super inteligente e digno de ter escrito Hamlet. Aliás, o conde é o personagem mais fraquinho, me dava uma preguicinha delzzzZZZZzzz.
E a rainha pegadora...
   Mas tem coisa boa também. As atuações são muito boas e se não fosse por elas o filme ia ser bem... tenso. O figurino, ganhou até indicação ao Oscar porque sempre tem que ter filme de época, né?, é muito bem feito e as partes quem mostram as peças sendo encenadas são beeeem legais. Dois pontos altos pra mim foram a genialidade da montagem do começo do filme - sério, vejam isso! - e a montagem da Ricardo III, tido como um dos maiores vilões da história inglesa, que virou algo como Ricardo III e a psicologia da multidão. 
   O que eu não sabia era a repercussão que esse filme teve na Inglaterra. O povo foi a loucura e chegaram até a cobrir de preto as janelas da casa de Shakespeare e a estátua dele em sua cidade natal, Stratford-upon-Avon, em sinal de luto o.O Os grandes estudiosos e especialistas acharam uma afronta e tão pra matar um. Eu não vejo problema em fazerem um filme de conspiração, liberdade de expressão tá aí pra isso, o problema é que muita gente acredita em TUDO que vê e vai levar Anonymous como sendo o documentário definitivo sobre Shakespeare e não é bem assim...
   Num geral, o filme é legalzinho e divertido de ver se você gosta de filme de época. Bem, da próxima vez que eu quiser polêmicas sobre Shakespeare eu vou ver o segundo episódio da terceira temporada de Doctor Who, no qual eles descobrem o que aconteceu com a "peça perdida" Love's Labour's Won.