domingo, 3 de junho de 2012

Ser ou não ser (uma fraude)? Eis a questão.

Esse poster é bem bonito...
  Assisti Anonymous (ficou Anônimo mesmo em português?), o filme que está aí pra balançar a credibilidade de ninguém mais ninguém menos do que aquele que é considerado um dos grandes gênios do legado cultural da humanidade, além de especial fundador literário dos países de língua inglesa. Senhoras e senhores, com vocês, William Shakespeare.
  Anonymous é um filme dirigido pelo diretor de cinema-catástrofe Roland Emmerich, e lida com a famosa controvérsia de que Shakespeare não poderia ter escrito todas aquelas peças e sonetos, pois era de família muito pobre, iletrado e nunca frequentou a universidade. O filme dá ao Conde de Oxford, Edward De Vere, a autoria dos escritos de Shakespeare. Em uma época de crise, em que a rainha Ruiva Elizabeth I já estava bem velha, sem herdeiros e enfrentando uma mega crise sucessória, nosso conde de Oxford resolve apostar no poder político da arte ditadura militar, alguém? para manipular os acontecimentos e fazer referências não sutis a pessoas da aristocracia... E aí entra o nosso querido Will (: Não vou entrar em detalhes, apenas fiquem sabendo que teatro era considerado uma coisa muito imoral, quase uma arma do capeta e não ficava bem pra um nobre ser conhecido por aí como uma autor de peças teatrais... 
O surgimento do mosh
  O filme em si é  meio lentinho e  não sei se é porque eu sempre ia assistir quando já estava tarde e ficava com sono, mas eu bati meu recorde e demorei três dias pra terminar de ver. O roteiro é bem fraco também - tirando os últimos trinta minutos que trazem uma reviravolta simpática -, demorou pra eu sacar que o ponto principal da história era muito mais as intrigas políticas do que a autoria das peças, e essa parte ainda caiu no lugar comum do tipo de conspiração em que a figura adorada é mostrada como o total oposto do que esperamos dela e a figura odiada/desconhecida é mostrada como sendo, no mínimo, uma pessoa legal e digna de nota. Com Anonymous, Shakespeare é um fanfarrão e o conde é super inteligente e digno de ter escrito Hamlet. Aliás, o conde é o personagem mais fraquinho, me dava uma preguicinha delzzzZZZZzzz.
E a rainha pegadora...
   Mas tem coisa boa também. As atuações são muito boas e se não fosse por elas o filme ia ser bem... tenso. O figurino, ganhou até indicação ao Oscar porque sempre tem que ter filme de época, né?, é muito bem feito e as partes quem mostram as peças sendo encenadas são beeeem legais. Dois pontos altos pra mim foram a genialidade da montagem do começo do filme - sério, vejam isso! - e a montagem da Ricardo III, tido como um dos maiores vilões da história inglesa, que virou algo como Ricardo III e a psicologia da multidão. 
   O que eu não sabia era a repercussão que esse filme teve na Inglaterra. O povo foi a loucura e chegaram até a cobrir de preto as janelas da casa de Shakespeare e a estátua dele em sua cidade natal, Stratford-upon-Avon, em sinal de luto o.O Os grandes estudiosos e especialistas acharam uma afronta e tão pra matar um. Eu não vejo problema em fazerem um filme de conspiração, liberdade de expressão tá aí pra isso, o problema é que muita gente acredita em TUDO que vê e vai levar Anonymous como sendo o documentário definitivo sobre Shakespeare e não é bem assim...
   Num geral, o filme é legalzinho e divertido de ver se você gosta de filme de época. Bem, da próxima vez que eu quiser polêmicas sobre Shakespeare eu vou ver o segundo episódio da terceira temporada de Doctor Who, no qual eles descobrem o que aconteceu com a "peça perdida" Love's Labour's Won.
  
  

2 comentários:

  1. po, o Emmerich tem uns filmes lixo no curriculo. Mas eu gosto de O Patriota

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  2. Aluguei esses dias esse filme, mas ainda não tive coragem de assistir. rs
    Como eu gosto de filmes lentos e parados, tive mais ânimo agora. =D

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