sexta-feira, 27 de julho de 2012

This is GREAT Britain

  Algumas considerações sobre a Abertura das Olimpíadas de Londres. Contém spoilers qqq
One Ring to rule... ops, história errada
  A cerimônia fez o clássico tour pela história do país sede. Começamos com um panorama dos países que formam a Grã-Bratanha e depois fomos para um cenário pastoral, no centro do estádio, quando chega Kenneth Branagh recitando um trecho de A Tempestade, de Shakespeare, e pessoas vestidas de operários começam a surgir, mostrando a Revolução Industrial e a migração para as grandes cidade, principalmente Londres. Também aparecem as sufragistas pedindo o voto feminino. É no meio dessa Revolução que é forjado - sim, forjado tipo no Senhor dos Anéis - um dos aros das Olimpíadas, que é erguido para juntar-se aos outros quatro.
KEN OLHA PRA MIM \o/
  Houve a entrada da rainha escoltada por "my name is Bond. James Bond." (Daniel Craig), com direito até a pulinho de paraquedas só que de mentirinha.

  Logo veio o próximo ato que começou com uma citação linda a Peter Pan: "the second star to the right  and straight on till morning". Mais precisamente, o endereço da Terra do Nunca. Nesse momento rolou uma homenagem ao Great Ormond Street Hospital, o hospital infantil para o qual J.M. Barrie, autor de Peter Pan, doou os direitos autorais de sua história. Depois de um jazzinho dos enfermeiros, as crianças vão dormir, aparece J.K. Rowling divando lendo o começo de Peter Pan e então vieram os monstros. MWAHAHAHAHAHA E esses monstros são vencidos por ninguém mais ninguém menos que várias Mary Poppins com seus guarda-chuvas voadores e suas bolsas maiores por dentro porque a Mary Poppins é uma time lady.
Só de olhar já fico com vontade de rir, de novo
   Justo quando eu achei que a coisa ia ficar brega porque a Orquestra Sinfônica de Londres ia tocar Carruagens de Fogo música de colação de grau e São Silvestre, seriously?, veio Rowan Atkinson,  o Mr. Bean, fazer uma paródia da coisa toda. GENIAL E HILÁRIO!!
  Depois veio o momento história da música com uma historinha de um menino que fica com o celular de uma menina e vai atrás dela para devolver e fazer amizade, mas pra isso tem de passar por diversas boates e em cada uma toca músicas de uma determinada época. Aqui rolou o easter egg de no meio da Bohemian Rhapsody aparecer o barulho que a TARDIS faz ao surgir. (TARDIS é a máquina do tempo da série mais antiga ever: Doctor Who.)
  Vieram as delegações ao som de músicas de bandas e cantores ingleses e blablablá, e pra calar a boca do Galvão Bueno que não parava de especular quem ia levar a Tocha, ela foi levada por diversos adolescente atletas, representando o futuro do atletismo e, consequentemente, das Olimpíadas. A Pira Olímpica também foi acesa por eles, mas não conto como foi, procurem no youtube ou vejam o VT porque é impossível explicar e passar a mesma magia.
 Discursos, música com Arctic Monkeys e Paul McCartney e é isso aí.
                     Não alimente os homens-pombos

Pontos baixos:
> Os filminhos e a produção de época (quase tudo era de época ali) eram bem nível BBC. E eu não digo BBC bem produzida :x
> As histórias montadas também não foram o auge da criatividade de ninguém ali.
> Comentário completamente passional, mas eu esperava algo mais de Doctor Who. O personagem é um ícone na Inglaterra, é a série de sci-fi mais antiga, faz 50 anos ano que vem e a gente escutou só o barulhinho da TARDIS? Até a Rainha assiste! Esperava mais os daleks assustando as criancinhas do que o Lord Voldemort. 

Pontos altos:
> A introdução com os corais infantis fazendo um medley de canções tradicionais dos países da Grã-Bretanha foi emocionante. Destaque pros pequenos irlandeses cantando Londoderry Air, que eu amo!
> A parte do hospital foi a minha preferida de longe. Um pote mágico lotado de referências à histórias inglesas.
> A coreografia dos donos das fábricas no começo e a da parte da discoteca.
> A PIRA!!

  Devo admitir que a abertura não foi de explodir cabeças no nível do Homem-Carvão desenhando a Muralha da China na abertura da de Pequim. Porém foi linda e só pra comprovar o tanto de coisa boa que veio das Terras da Rainha, e isso porque se fossem fazer todas as referências possíveis iam precisar de um dia inteiro só pra isso! Pra quem curte a terra do chá das 5, é um prato cheio sacar as referências que fizeram.
 Por isso, se não viu, vá ver o VT ou procure em HD pela internet, mas não deixe de sentir esse gostinho britânico #tietagem

P.S1.: vergonha alheia do uniforme da delegaçao do Brasil com aquelas calças Restart coladas verdes ou amarelas.
P.S2.: aprenda, Naçãozinha, e vê se faz bonito em 2016.

domingo, 22 de julho de 2012

A coroa furada, digo, sagrada

  A BBC resolveu sabe-se lá  porque fazer uma temporada especial para Shakespeare, com documentários, programas de rádio e filmes. Os filmes em questão formaram uma minissérie chamada The Hollow Crown, constituída pela tetralogia Richard II, Henry IV Part 1 e Part 2, Henry V.
Richard II. Sim, é o mesmo cara que destilava mulheres
em "Perfume".
  Richard II conta a história da decadência do reinado desse rei sassy que se vê no meio de uma guerra civil liderada por seu primo, que tinha sido banido, Henry de Bolingbroke e outros tantos nomes. Bolingborke assume o trono e fica com o nome de...
... Casos de Família Henry IV, que nos mostra o rei, agora o Jeremy Irons um senhor já cansado que tem de lidar com mais guerra civil falta do que fazer é fogo e com seu filho, o príncipe Hal/Harry/Henry, completamente desnaturado, que tem como melhores amigos os ladrões, as prostitutas e vive na taverna Cabeça de Javali. há rumores de que a história se passa em Hogsmeade.
  "Henry IV" pode até parecer uma típica história coming-of-age, aquelas que mostram o amadurecimento de uma pessoa durante o enrendo. Nesse caso é a transformação de Hal de um playboyzinho irresponsável em alguém digno de assumir o trono. (Mas isso depende de sua interpretação, da do diretor e da do ator). E quando ele assume o trono vamos direto para...
...Henry V. Aqui o grande plot é a batalha de Agincourt, uma das batalhas da Guerra dos Cem Anos, na qual os ingleses, em número menor, liderados por seu amado rei, Henry V, venceram os franceses.
   Qual é a graça de assistir "The Hollow Crown"? Porque é Shakespeare, ou seja, texto bem feito, assassinatos, intrigas políticas e familiares, derramamento de sangue, e tudo isso sem ser uma versão moderna ou com texto atualizado, mas que ainda assim consegue te concentrar na história e fazer você se importar com o que vai acontecer depois. E sem aquelas atuações afetadas no estilo de  "vooocêê saaabe que eeestooou atuaaaando *muitos gestos*".
  "Richard II" foi de longe minha parte favorita! Ela difere em tudo das outras três: os tons pasteis, os atores, o texto em verso (que é uma delícia de ouvir)... Ben Whishaw, como o protagonista, desde sua primeira frase me conquistou. O cara fez um trabalho fantástico como o rei que não tinha qualquer controle sobre o que acontecia ao redor, muito frágil e afetado pra ser levado em conta, enfim, um personagem com camadas e camadas. Aliás, o elenco todo mandou muito bem. Eles conseguiram a façanha de pegar um simples "are you sure?" que no texto original é todo cheio de rebuscamentos e inversões, falar o texto original, mas manter a expressão e o tom de um simples "você tem certeza?". FANTÁSTICO!
FalstaffzzzZZZZzzz
  Meus problemas começaram com "Henry IV Part 1", porque a produção pareceu perder a mão completamente em alguns pontos (além de tudo parece muito mais "atuado" do que na primeira parte). Demorou um pouco pra eu entender que toda a empolgação em torno das três últimas partes tinha um nome: Tom Hiddleston. Eu mesma já tinha comentado que o tinha achado um ótimo ator (e isso foi em Avengers, gente. EM AVENGERS!), então tirar o cara de Thor que tem todo um Shakespeare feelings e colocar em Shakespeare de verdade seria como tirar um peixe do aquário e mandar pro mar! qual foi a da metáfora com o peixe? Mas aí veio a produção e apostou todas as fichas no cara e nós ganhamos um príncipe Hal com roupinha de couro, distribuindo sorrisos tá que o sorriso dele é um em um condado, porque ingleses não têm sorriso bonito, mas olha o exagero, né? e algumas poses. Mas o pior de tudo foi o personagem do Falstaff que deveria ser um gordinho engraçado, bêbado, trapaceiro, mas incrivelmente carismático ao ponto de fazer com que o Príncipe de Gales o considerasse seu melhor amigo. Faltou a parte do engraçado e do carismático. A preguiça me invadia a cada vez que ele aparecia... Na parte 2, então, a história foi embora e nem deu tchau. Nada acontece nessa segunda parte até os momentos finais com cenas bem legais envolvendo trono, coroa e um grande mal entendido. Fora ter me deixado por um tempo matutando se eu gostava ou não do príncipe Hal e se concordava com suas atitudes no final. Pelo menos Jeremy Irons tava divando, como sempre.
  Ainda bem que esse probleminhas foram superados na última parte e eu pude me divertir e chorar um pouquinho. só que não. em "Henry V" que é quase um dramão de guerra medieval. A tensão antes da batalha, as opiniões conflitantes (afinal a guerra nunca interessa à maioria que vai lutar nela), os monólogos do rei (mesmo aquele sem noção que consistiu em "vamos matar, derramar sangue e estuprar o/") e até o momento adorkable do rei pra se declarar pra princesa francesa fizeram essa última parte ser bem melhor do que as duas do meio, não deixando a impressão de que a minissérie se jogou em queda livre. Só achei bizarro todo mundo na França usar azul e os ingleses, vermelho.
Henry V pensando que é o Aragorn.
  Num geral, a produção é muito boa, indo bem além do padrão TV. Pode não ser a melhor opção pra ingressar no mundo de Shakespeare, mas com certeza foi feita de uma forma a conseguir um público maior do que o que acompanha esse tipo de história. Tá querendo ver algo e gosta da TV britânica, vá ver "The Hollow Crown" e de bônus saia trabalhado nos thou art, thee, doth do inglês arcaico (:

P.S1.: Tá, fiquei super garotinha romântica na cena do rei se declarando pra Catherine de Valois. Shakespeare, posso encomendar dois desse?
P.S2.:The Hollow Crown apresenta um mundo estranho em que Scar é pai do Loki. REFLITA.
P.S3.: Só fui descobrir depois que Richard II era filho do Edward of Woodstock. Esse era o meu figurante preferido n'O Arqueiro, do Bernard Cornwell...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

The amazing, fresh and fabulous Spider-Man

(o título pode ser uma interna, mas serve bem ao propósito de minha resenha)


  Muitos duvidaram que eu estivesse realmente empolgada pra assistir "O Espetacular Homem-Aranha" e aí Novo Acordo, tem hífen?. A verdade é que o Homem-Aranha era o meu heroi favorito na infância e eu assistia todas as versões do desenho, assisti a trilogia do Sam Raimi mesmo como  nível de vergonha alheia do último filme sendo estratosférico, apesar de eu entender o que quiseram mostrar, e ainda acompanhei por um tempo as brigas e reviravoltas entorno do que seria o quarto filme da trilogia da franquia que acabou virando o primeiro de uma nova franquia e dela veio "The Amazing Spider-Man".
  Esse novo filme reconta a velha história de Peter Parker, rapazinho nerd zoado na escola, que é picado por uma aranha geneticamente modificada e ganha super poderes. Após ocorrer uma infeliz coincidência, menino Parker em vez de procurar um terapeuta, resolve externalizar seus sentimentos virando um justiceiro mascarado. Quando eu digo que o filme reconta, é exatamente isso que ele faz. Os elementos são os mesmos, a história é basicamente a mesma, mas contada de uma forma diferente. Não tão diferente ao ponto de ser uma outra história, mas não tão igual ao ponto de ser um simples remake.
  As tais diferenças são: primeiramente o background do personagem, que no novo filme parece ter saído diretamente do um dos livros de "Desventuras em Série" com pais sumindo e filhos descobrindo que eles faziam parte de alguma sociedade/experimento secreto, com direito a símbolos misteriosos que aparecem, coincidentemente, em vários lugares. Depois temos o novo interesse amoroso de nosso amigo Aranha: Gwen Stacy, uma grata surpresa para os fãs do quadrinhos que se sentiam meio...órfãos da moça e que, graças a Deus, não é sequestrada, porque né?.... E por último temos a grande diferença que é o próprio protagonista, que no filme é menos loser e mais geniozinho e nem precisou estar vestido de super heroi pra mostrar que tem atitude. Logo no início do filme já dá pra perceber que, apesar do moto de "grandes poderes trazem grandes responsabilidades" ainda estar ali, o filme girou muito mais entorno do aprender a lidar com sentimentos de frustração e raiva e de descobrir o que fazer consigo mesmo. 
Hipster.

  Os atores estão todos muito bons em seus papeis (eu demorei pra comprar a ideia do novo ator, porque ele não tem aquela cara de geek sem esperança do Tobey Maguire, porém tudo se ajustou) mas se tem uma coisa que ficou constantemente me trazendo pra fora do filme foram as vezes que Andrew Garfield e Emma Stone apareciam pagando de estudantes do high school. As coisas ficaram ainda mais constrangedoras quando a pobre Stone vem com a frase: "pai, eu tenho 17 anos". Pois é... Não que eu ache que a produção devesse sacrificar atores que deram certo por causa da idade, mas não custava nada mudar o roteiro um pouquinho e jogar todo mundo da faculdade, né? Hollywood vivendo e aprendendo com as séries teen Pelo menos a química entre esses dois é muito boa, o que ajudou bastante na forma repentina com que o roteiro jogou o romance deles. 

  Falando em roteiro... a história é legal, nada pra explodir sua cabeça, mas funciona muito bem para introduzir o novo universo. Os únicos probleminhas foram os momentos meio deus ex machina em que o cosmos conspirava para que as coisas acontecessem do jeito certo ou do jeito errado que é o certo e o pouco foco que deram ao Homem-Aranha faz sentido?, que quando aparece é rapidamente e some sem causar muito alarde. Dá até pra pensar que, sem os poderes, estaríamos assistindo a triste história de um rapaz que, de repente, teve de lidar com muita coisa de uma vez e resolveu dar uma de justiceiro como válvula de escape perae, é isso mesmo!, não sendo isso o principal ponto da história ah tá. Talvez os roteiristas estejam guardando os esquemas pros próximos filmes... e eu aqui querendo altas cenas por entre os prédios
  No final das contas, é um filme divertidíssimo que não me deixa mentir que filme de super heroi pode e deve ter um roteiro consistente e com profundidade não estou pedindo Bergman aqui!. Só não vale ir assistir só pra comparar com a trilogia antiga porque a nova promete ser interessante e tem tudo pra conseguir.
Collant e pose de alongamento. Tá certinho.
(Na pior das hipóteses, pegue o que tem de bom em uma, junta com o que tem de bom no "Espetacular Homem-Aranha" e crie sua própria história :D)

P.S1.: a ponta do Stan Lee foi impagável!!
P.S2.: queria muito ter visto em 3D, não deu. Depois comecei a considerar que meu medo de altura e de aranhas fossem afetar meu divertimento.
P.S3.: esgoto de New York tão primeiro mundo que dá pra passar o metrô por dentro.
P.S4.: "espetacular" não é uma palavra que eu use com frequência e só percebi isso agora.