sábado, 18 de agosto de 2012

Jogos mortais (quase) para crianças

A boneca de porcelana e o tributo,
sim eles são chamados de "tributos"
  Em um futuro que não deu certo os Estados Uni Cana  Austrál, em um lugar chamado Panem, divido por distritos, todos os anos acontecem os Jogos Vorazes, um reality show para toda a família que consiste em colocar 24 jovens - dois de cada distrito - em um jogo no qual pra você vencer deve matar os outros 23.  E é nesse jogo que a menina Katniss (Jennifer Lawrence, a Mística do First Class, gente!) se vê metida e agora tem que aprender a jogar pra ver se consegue vencer e voltar pra casa. 
  Essa é a história de Jogos Vorazes, a adaptação do best-seller de mesmo nome que ninguém por aqui sabia que existia. Mais um filme pra conquistar os adolescentes e é aqui que algumas coisas interessantes acontecem.
  Como é de praxe nesse tipo de filme tem um monte de atores e atrizes bonitinhos que não atuam nada. Certo? Errado! Não sei se é o clima tenso ou se o diretor (Gary Ross) é ótimo pra lidar com o pessoal ou se é o talento dos atores mesmo, mas ninguém fez feio e eu consegui acreditar até nos personagens mais bizarros. Outro ponto positivo é o clima do filme. Do começo ao fim ele é tenso, e o diretor usou e abusou de uma câmera nervosa que ia acompanhando os personagens quase te colocando no lugar deles. A crueza das mortes sim, tem muitas mortes, afinal é o objetivo do jogo também me impressionou, não é nenhum Bastardos Inglórios, mas deixar um bando de criança e adolescente morrendo de olho aberto e sangue espirrando é algo que muitos diretores evitam fazer. 
Turminha do mal
fazendo pose do mal
  Confesso que fiquei com um pé atrás quando vi o trailer porque achei que fossem pegar essa história super com potencial e enfiar um romance bobo nela, mas aí veio a sambada na minha cara: o romance é tudo menos forçado. Ou melhor, ele não é forçado justamente por ser forçado e ocupa só 15% do filme. Assistam e entendam. 
Pedro Bial do futuro (esquerda)
e mais uma vítima, digo, tributo.
Ah, dá no mesmo!
  Claro que o filme tem umas coisas que me incomodaram - não sei até que ponto problemas do filme ou do livro - sendo a pior delas a caracterização de alguns dos outros participantes do jogo. Um bando de criança psicopata! Tá certo que eles fossem treinados desde pequenos para ganharem o jogo, mas tinha hora ali que eram mais dignos de vilão de desenho do que qualquer coisa. Também não curti o figurino do pessoal da Capital (nem preciso dizer que eles que mandam em tudo, né?), tudo muito exagerado e afetado, isso ficava constantemente me trazendo pra fora do filme. Dava pra ter mostrado a alienação dos capitalenses (???) de uma forma mais... sóbria. A própria Capital era um exagero, tá que a história se passa no futuro, mas não precisava copiar a cidade dos Jetsons. Aposto que ninguém mais imagina os tempos futuros daquele jeito, podiam ter deixado algo igualmente tecnológico, mas mais próximo da gente; muito mais fácil de acreditar e de chocar, tipo "será que nós realmente chegaríamos a esse ponto?". 
  Jogos Vorazes não é o novo Battle Royale, mas tem uma história interessante - ainda mais nessa época de milhares de reality shows e UFC - que traz muita coisa pra se pensar. Não sei como os fãs do livro reagiram, mas o filme faz sentido apesar das mudanças que devem ter feito. Pode assistir sem medo, porque, no mínimo, um leve incômodo por toda aquela situação você vai sentir .