sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Avante, Guardiões!


   A Terra está em perigo. Pra quem pedimos ajuda? Pra Liga da Justiça pros Vingadores  pro Papai Noel e sua turma! Pois é, alguém resolveu pegar os personagens mais antigos e mais enraizados no inconsciente coletivo e os colocar todos juntos numa história só quase um Once Upon a Time. É uma ideia tão boa, mas tão simples que eu me pergunto como ninguém pensou nisso antes!

   Em A origem dos Guardiões, o Bicho-Papão (ou como ele é chamado durante o filme: o Breu) cansou de ser o monstro debaixo da cama que todos dizem que não existe e resolve destruir a crença das crianças nos outros seres fantásticos para assim instaurar o medo na cabecinha delas, e em quem mais elas iriam acreditar, então? Para isso o Papai Noel, O Coelinhoão da Páscoa, o Sandman e a Fada dos Dentes se juntam para impedir que o Bicho-Papão consiga o seu intento, mas dessa vez eles vão ter mais um membro no grupo, o adolescente em crise  Jack Frost.
   O enredo é fácil e o filme não tem seu ponto alto na resolução deste, o que enche os olhos é o visual e a representação que cada um dos personagens ganhou. Vamos a eles?
"He's gonna find out who's
naughty and nice"
 Ø O Bicho-Papão tem todo um visual monocromático e cavalos do Apocalipse, mas nem podemos dizer que não dá pra simpatizar com ele, o probrezinho vem sendo desacreditado cada vez mais...
 Ø Papai Noel, com seu sotaque finladês, é todo grande e intimidador, fugindo da ideia de Bom Velhinho, sem contar as tatuagens em cada braço, escrito “naughty”e “nice”.
 Ø A Fada dos Dentes e suas fadinhas são umas fofas - além de fugir do visual de fada que estamos acostumados - e o reino delas é lindo com aqueles tons de lilás, verde, azul e roxo.
"Mr. Sandman,
bring me a dream"
  Ø Sandman foi o meu xodó o filme inteiro. Ele não tem uma fala, mas suas interações com os outros e seu jeitinho calminho (tá que ele não está calmo na imagem. Deatalhes...) são muito carismáticos. Algo beeem diferente do Sandman que vemos na graphic novel do Neil Gaiman. As cenas dele criando os sonhos das crianças são MARAVILHOSAS!!!
  Ø O Coelho da Páscoa foi uma grande surpresa com sua pose mau, seus boomerangs e seu 1,85 de altura (com as palavras do próprio). Achei a sacada de fazê-lo sumir por um buraco que se abre no chão uma mega referência ao coelho de Alice, e a ideia de fazer a cidade da Páscoa (???) uma espécie de Ilha de Páscoa, com as pedras e tudo mais, foi genial!
Let it snow! Let it snow! Let it snow!
  Ø Por fim temos o protagonista do filme, o tal João do Gelo Jack Frost. A ideia de escolherem justamente ele para ser o protagonista foi muito boa. Jack Frost não é tão conhecido quanto os outros nem nos países gelados, imagine no Hemisfério Sul perto do Equador! Daí toda a crise existencial, já que Menino-Gelo passou a vida sem ninguém acreditar nele. É muito legal ver a dualidade que criaram para Jack Frost, que uma hora é todo divertido como o primeiro dia de neve, mas quando se irrita dá aquelas palas de nevascas e avalanches terríveis.

         Para essa geração criada a base de Shrek, A origem dos Guardiões traz uma certa sutileza no timing cômico, o filme aposta muito mais em detalhes e expressões; e ainda tem umas partes meio melancólicas e assustadoras que deixaram as criancinhas da minha sessão com medo...
        E pros aficcionados em trilha sonora, a música de Alexandre Desplat faz uma mistura de música medieval + com música natalina + música de aventura, que só sei que deu muito certo! #chorando eternamente
         A grande questão do filme é como encontrar o seu lugar no mundo e descobrir o que você pode fazer  nele, e bem, essas coisas nunca ficam velhas... o blogger tá dando ênfase nessa parte sem eu pedir. Tipo: curtam a mensagem do filme!
         No final,  A origem dos Guardiões foi uma boa surpresa, excelente pra essa época do ano, muito bonito visualmente, com uma história bacaninha e te deixa com muuuuita nostalgia de tudo! Super recomendado (:
     (fico imaginando como deve ser legal ver esse filme em um país que neva...)
    
          P.S1.: Tem uma canção infantil inglesa que fala sobre o "Man in the Moon". Só sei que amei o fato de é o "Homem da Lua" que recruta os Guardiões. *momento cultura inglesa aleatório*
         P.S2: Sabe aquele ritual que aprisionou o Sandman na graphic novel do Neil Gaiman? Pois é, quero juntar um grupo pra fazer esse ritual e aprisionar o Jack Frost. NEVE NESSE MEU BRASIL!
       P.S3.: Com spoiler. Depois que eu vi o nome do Guillermo del Toro como um dos produtores TUDO fez sentido. Afinal estávamos vendo a história de uma criança morta, e esse cara ama matar crianças em seus filmes! 


sábado, 15 de dezembro de 2012

O Hobbit (a versão estendida)

    Depois de quase 10 anos, enfim nós temos o filme do Hobbit. E aí, valeu a pena?
  Eu fui pro cinema achando que ia precisar ver o filme umas duas vezes pra poder pensá-lo racionalmente e não como uma louca que chora toda vez que toca "Concerning Hobbits". Fiquei surpresa em ver que eu consegui separar os dois lados. Sapateei, apertei o braço dos meus amiguinhos que foram comigo, o olho encheu d'água, mas mesmo assim deu pra ver o filme com certo distanciamento.
   O enredo dispensa comentários, né? Só vale lembrar que O Hobbit NÃO é uma sequência de O Senhor dos Anéis, e sim um prequel. A história vem antes e, apesar de poder ser vista/lida separadamente, está intimamente ligada à trilogia. E foi com isso que Peter Jackson jogou.

    Mas vamos por partes.
   Adianto logo que tudo o que podia ser bom no filme, foi. A cada cena eu enxergava o Oscar de Melhor Fotografia! E o 3D superou aquela coisa de "vamos atirar coisas no público, isso é legal!" e trabalhou bem a questão da profundidade terceira dimensão oi?, seja nas florestas, nas montanhas, nas arquiteturas, parece TUDO DE VERDADE *-*
   Gostei muito do tom verde-amarelado do filme ae Brasil, diferenciando daquele azul-acinzentado do Senhor dos Anéis (só eu dei pala com isso?)
   Howard Shore mandando muito na trilha sonora, apesar de que o elemento surpresa ficou mais no tema dos anões - que é o tema do filme - e num cântico meio mantra que toca quando os orcs aparecem, fora isso, mais variações dos temas da trilogia mesmo.
Cadê Oscar? CADÊ?
   Grandes e inesquecíveis atuações nunca foram o forte desses filmes - tirando Ian McKellen, Christopher Lee, essa galera que se tivesse de interpretar uma pedra, seria a pedra mais perfeita que você já viu - , mas ninguém faz feio, muito pelo contrário, todos pareciam estar se divertindo horrores com seus personagens, uma coisa que eu adoro ver em filmes. E o Martin Freeman (Hello, dr. Watson) está sen-sa-ci-o-nal como Bilbo, e o Andy Serkis... CADÊ O OSCAR DESSE HOMEM? Eu acho incrível como eu consigo ter tantos sentimentos conflitantes sobre o Gollum quanto o próprio personagem (???).

    Maaas nem tudo são flores, lembas e canções élficas, e algumas coisas me incomodaram...
São bonitinhos, mas quase tudo
figurante
  Eu não sei se é porque a minha história com O Senhor dos Anéis já tem um certo tempo de quando eu tinha um crush no Elijah Wood, mas eu não me lembro da trilogia ter tantos momentos cheesy, breguinhas. Ai, sei lá, rolaram uns discursos e umas cenas propositadamente épicas que ficaram muito Sessão da Tarde... E os pobres anões; são tantos personagens que só Thorin, o #AnãoDaDepressão, Balin, o #VelhinhoFofinho,  e Kili, #TheHotDwarf, ganham mais tempo de cena.
  Segundo, Peter Jackson pesou a mão nas cenas de ação. O livro O Hobbit é naturalmente mais simples e menos épico, PJ quis fazer o caminho inverso e lotou o filme de perseguições alucinadas, que, pelo menos pra mim, quando foi chegando ao final, pras cenas que realmente importavam, eu já estava me perguntando se estava perto do filme acabar QUE PECADO
  Mas, provavelmente, o que mais me incomodou foi a obviedade da direção. SdA era assim? Eu conseguia saber exatamente o que ia acontecer,  e eu não estou falando de história, estou falando de cena mesmo!

   Quanto à polêmica da necessidade de três filmes, eu digo que me senti assistindo O Hobbit - a versão estendida. Certas coisas que são apenas comentadas no livro ganharam cenas inteiras no filme, algumas muito boas, outras... A adição inútil mais legal foi o gancho que PJ fez com o começo da Sociedade do Anel, GENIAL!
    Como eu já disse, tem umas cenas a mais que foram mais caprichos épicos do Peter Jackson, mas as ligações com os outros livros e o melhor desenvolvimento de certas passagem do livro foram bem acertados. Mas que o filme poderia ser mais curtos, podia.

    Ai gente, mas do que adianta? Mesmo com essas coisas que eu não gostei, com certeza vou ver de novo, e todos vocês devem ir também!!

"Eu quero mais que a vida de interior!"
P.S1.: senti a mão do Walt Disney no filme. Altas canções surgidas do nada, conversa com bichinhos, tal qual como no livro.  
P.S2.:  NO Enya e afins \o/! A canção do final está maravilhosa, vale a pena ficar um pouquinho mais pra ouvir toda (:
P.S3.: O que foi a Galadriel ajeitando o cabelinho do Gandalf?

SPOILERS pra quem já conhece a história e viu o filme:
> É meio triste ver o Frodo todo alegre, feliz e saltitante, no começo, sabendo o que vem depois D:
> E se Bilbo tivesse matado o Sméagol? Terra-Média tava ferrada!