domingo, 1 de dezembro de 2013

Feliz aniversário, que tudo esteja azul, Doctor Who!

(Esse post não é um tratado sobre Doctor Who, apesar do tamanho. Ele só está grande porque traz a resenha não só do The Day of the Doctor, mas do An Adventures in Space and Time também.)

  Vamos falar sobre o especial de 50 anos, shall we?

    O especial dos 50 anos da série, chamado The Day of the Doctor - um nome óbvio, mas que funciona -, parece uma grande festa retrô. Ao mesmo tempo em que traz elementos da série clássica, ele leva a história para frente, apostando em mais muito anos de duração para Doctor Who (todos nós esperamos).

    Steven Moffat trouxe de volta um vilão da série clássica, os Zygons, que estão, bem, tentando dominar o planeta, esse tipo de coisa que ETs gostam de fazer... Galáxias de distância, em Gallifrey, John Hurt, ou como estão chamando, The War Doctor, está - adivinhem! - no meio da Time War, bem na hora em que decide acabar com tudo aquilo usando uma arma letal, o Momento (pausa para: eu adoro como o nome das coisas envolvidas na Time War tudo tem nome relacionado ao tempo: The Moment, The Meanwhiles, The In-Between). Por motivos de timey wimey, o War Doctor, o 10º e o 11º se encontram e John Hurt se vê vivendo seu próprio plot de Um Conto de Natal, tendo que se confrontar com o seu eu futuro - nesse caso, seus eus -, consequência de suas ações na Guerra do Tempo.

    Ok, mas na verdade o plot é: vamos colocar David Tennant e Matt Smith juntos, tragam Billie Piper de volta, porque eles são os favoritos! Ah, vamos explodir um pouco a cabeça do pessoal colocando um Doutor nunca citado, só porque eu sou Steven Moffat.

    Por um lado há uma aventura simples, com gostinho de episódio stand-alone tipicamente britânico, por outro lado o episódio envolve um dos maiores eventos do Novo Who: a Guerra do Tempo.


   O roteiro é uma delícia, lotado de comentários espirituosos e referências a torto e a direito para todos os tipos de fãs e muito, repito, muitas surpresas. O 3D não é exatamente um Hobbit ou um As Aventuras de Pi, mas aí também é difícil comparar, porém funciona perfeitamente nos momentos em que deve funcionar (aqueles quadros ficaram maravilhosos!), e os efeitos... Ah, os efeitos! Quem diria que essa é a série dos manequins megaevils? Proporcionalmente, aquelas cenas da Time War ficaram tão bem feitas quanto os últimos dias de Krypton. 


  O episódio foi bem mais leve do que fomos levados a acreditar que seria, o que achei digno, afinal é um aniversário! O Doutor do John Hurt, que parecia bem assustador na season finale da 7ª temporada, é uma fofura, e certeza que já ganhou um lugar entre aquelas corujinhas lindas; apesar de ser o mais velho, ele conseguia ser muito mais jovial que os outros dois, que, teoricamente, são mais velhos que ele (Isso fez mais sentido na minha cabeça, mas você entenderam!). A química entre os três não poderia ter funcionado melhor!


    E então começam os problemas. Dois problemas, pra ser bem específica.
1 - Pobre Clara. Clara ex machina. Até agora não tivemos nenhum insight real de quem ela seja como pessoa, porque os roteirista a tratam como um instrumento de roteiro. Achei forçadíssimo ela fazer aquele discurso que convence o 11º a não destruir Gallifrey. C'mon, o Doutor foi muito mais aberto sobre isso com a Rose (que nem de longe é minha companion favorita) e sempre deixou bem claro que foi necessário o que ele fez. 

    O que nos leva ao segundo problema: 
2 - A solução para a Guerra do Tempo. Moffat é como uma criança gênio birrenta, ele é um excelente contador de histórias, mas não consegue ser um showrunner sem mudar tudo. Desde o reboot no universo da 5ª temporada, me pareceu que o Moffat, por algum motivo desconhecido, tenta apagar as coisas que Russel T. Davies, seu antecessor, fez. Agora ele atacou o background dramático do retorno de Doctor Who, o fato do Doutor ser o último dos Time Lords, ele ter destruído o próprio planeta, porque os outros time lords tinham passado dos limites, porque aquela guerra não foi só por causa dos daleks! Eu sempre quis que dessem um jeito de trazer os time lords de volta, Gallifrey de volta, pensem em quantas histórias e personagens fantásticos podemos ter, mas não do jeito desrespeitoso que Steven Moffat fez.


Também queria saber, Jackie...

    No saldo, o episódio foi algo muito mais empolgante pela experiência que eu tive e relato nesse vídeo.
Mas essa não foi a única homenagem que Doctor Who teve nesse dia, o que nos leva ao...

__

"C.S. Lewis meets HG Wells meets Father Christmas."


    Se tem um tipo de filme que eu adoro, são os de bastidores, então, desde o começo, já estava apaixonada pela ideia do An Adventure in Space and Time. Mark Gatiss é um nome um tanto assustador quando associado a Doctor Who, porque desde 2005 parece que o cara não acerta uma no roteiro, mas aqui ele mostra que pode até não conseguir escrever para Doctor Who, mas definitivamente sabe escrever sobre Doctor Who.

  A premissa de Adventure é simples: contar como foi a produção dos primeiros anos de Doctor Who, quando uma mulher e um anglo-hindu - no contexto dos anos 60, não as pessoas mais respeitadas no ambiente - assumiram, respectivamente, como produtora e diretor de uma série de ficção científica que tinha tudo para dar errado! Basicamente, uma história sobre sambadas na cara!

        
   O filme começa alternando entre as conversas da produção sobre como fazer funcionar uma série como uma premissa tão duvidosa quanto "um senhor, que é um alienígena, viaja no tempo e espaço com sua netinha e os professores dela, que descobriram o segredo da garota" e a busca do ator William Hartnell por um papel diferente para interpretar, pois estava cansado de sempre fazer a mesma coisa.

   Antes de ser um filme sobre bastidores, ao estilo Hitchcock,  An Adventure in Space and Time é uma carta de amor a Doctor Who. O filme, apesar de abordar apenas os três anos em que Hartnell foi o Doutor, não deixa de conter um feeling de amplitude, porque todos nós assistindo sabemos onde isso vai dar 50 anos à frente.

   David Bradley, claro, nailed it! O cara que vai de Argo Filch ao senhorzinho injustiçado em Broadchruch, do nosso favorito, Lord Frey, ao Primeiro Doutor não podia fazer menos. Um dos momentos mais fofos é quando ele está respondendo cartinhas e dando autógrafos no parque, uma graça!

Sentimentos conflitantes D;

    Aliás, todos os atores estavam muito bem, e uma das coisas mais legais nesse tipo de filme é ver um ator tendo que interpretar outro ator, ainda mais quando a época e o estilo de atuação são tão diferentes.

    E vamos falar da coincidência de datas, que pelo menos eu nunca tinha associado até esse ano, em que as notícias variavam entre "Doctor Who faz 50 anos" e "50 anos do assassinato de J.F. Kennedy". A sequência inteira foi espetacular, associando a narração do script sobre os daleks ("Exterminate! Exterminate!") à notícia da morte do presidente.

    De certa forma, Doctor Who é um produto de sua própria época, o auge da Guerra Fria, em que a Rússia era um vilão feio megaevil e a imaginação nunca foi tão longe quanto com a Corrida Espacial. Parece o lugar certo para um série de ficção científica começar.

Não era bem de você que eu estava falando... Mas serve também!

   Outra cena excelente é a da criação da música tema, a primeira inteiramente usando sintetizadores. E mais alguém ficou com vontade de recriar o som da TARDIS usando chaves?

    Aos poucos o filme vai dando as dicas das mudanças, e, ao final, ao mesmo tempo em que é triste ver William Hartnell saindo (detalhe que ele sai fazendo o David Tennant...), todos sabemos que é isso que fez a série durar tanto tempo. E deram um jeito de fazer desse um momento emocionante... Ah, vocês viram, vocês sabem o que aconteceu!

   P.S1.: Quando falaram do quão creepy é a primeira abertura, eu só tive mais certeza de que se eu fosse uma criança nos anos 60, a abertura de Doctor Who ia ser o que a abertura de Arquivo X é pra mim hoje = puro terror e pesadelos D;
   P.S2.: Tudo o que eu não chorei no The Day of the Doctor, eu chorei no An Adventure in Space and Time

   P.S3.: Já pode ter certeza de que o Mark Gatiss será o próximo showrunner?

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

5 motivos para assistir Supernatural + meus episódios favoritos

O youtube reclamou que a descrição do vídeo estava muito grande, então resolvi postar a listinha com meus episódio favoritos aqui no blog mesmo. Pra quem não está entendendo nada (vai que tem alguém que lê esse blog fantasma e não acompanha o canal...), estou falando desse vídeo aqui: 5 motivos para  você assistir Supernatural.



Logo adianto que as season premieres e as season finales são impecáveis!

1ª temporada:
1x05 - Bloody Mary - jeitão de terror japonês, lenda urbana que todos conhecemos
1x09 - Home - clássica história de casa assombrada, mas já começando a montar a mitologia da série
1x11 - Asylum - o nome é autoexplicativo, agonia do início ao fim!
1x12 - Faith - um dos mais emocionantes da série, tem uma pegada mais filosófica, e foi nesse episódio que Erik Kripke decidiu explorar todo o potencial que Supernatural poderia vir a ter
1x17 - Hell House - muitos plot twist e muitas referências

2ª temporada:
2x08 - Crossroads Blues - é vintage, é anos 30, é blues, é amor
2x09 - Croatoan - grupo isolado + vírus megaevil infectando pessoas + mitologia da série = awesome
2x11 - Playthings - deve ser meu episódio favorito EVER! Dica: não olhe a sinopse em lugar nenhum, porque muitas dão spoiler, vão por mim, é excelente!

2x12 - Nightshifter - todo mundo de refém em um banco e um metamorfo no meio deles. O que pode dar errado? Plus: referência a Doctor Who <3 p="">2x13 - Houses of the Holy - lágrimas, lágrimas, lágrimas everywhere, e uma grande ironia pro decorrer da série. Tem a melhor escolha de música pro final!
2x16 - Roadkill - duas palavras: plot twist!

3ª temporada:
3x05 - Bedtime Stories - contos de fadas, pois é
3x08 - A Very Supernatural Christmas - amor eterno por esse episódio! Foi o primeiro que eu vi + Natal + mini-Sam e mini-Dean (onde é que esse povo arranja umas crianças tão iguais?)
3x10 - Dream a Little Dream of Me - inception feelings
3x11 - Mystery Spot - pensando fora da caixa em um dos episódios mais engraçados e criativos, e que vai te deixar com peso na consciência no final

Ok, se você não se interessar com nenhum desses episódios, move on...

sábado, 17 de agosto de 2013

Disneyficando a Guerra dos Tronos 2: A Fúria dos Reis

   A gente até tenta, mas é complicado quando os plots da Dinsey teimam em continuar se manifestando. E dessa vez a história é ainda mais tensa, afinal, estamos no meio de uma guerra, mas isso não mostrou ser um empecilho para os Estúdio do Walt Disney.

(Pequenos SPOILERS a seguir, caso você não tenha lido o segundo livro e/ou visto a segunda temporada)


  Um cometa vermelho cruza os céus de Westeros. Os Lannister acham que ele representa o carmim de sua Casa, o Norte vê uma espada de sangue pedindo vingança pela morte de Ned Stark, Daenerys acredita ser um sinal que a guiará para seu lugar de direito no Trono De Ferro... Maaaas todos nós sabemos que nada disso importa e que esse é o símbolo máximo da magia Disney, a estrela que realizará seus desejos.



  Logo no início do livro conhecemos Melisandre, que faz umas macumbas muito loucas e virou, praticamente, a conselheira oficial do Rei Lorde Stannis, um dos pretendentes ao Trono de Ferro. Assim como o Dr. Facilier, da volta do 2D, A Princesa e o Sapo, Melisandre tem amigos do outro lado.



  E nosso caro doutor não é chamado de Homem das Sombras sem nenhum motivo, mas Nova Orleans, claro, não conhece os filhotes de Melis.



  Enquanto isso, Arya salva um transformista literalmente que estava aprisionado numa lâmpada mágica e, em troca, ele lhe concede três desej mortes desejos. O desenrolar dessa história pode ser visto aqui (tirando a parte do "não poder matar ninguém", me engana que eu gosto):



  Mas a grande revelação pra pior do livro fica por conta do babaca do Theon Greyjoy. O rapaz se inscreveu no programa De Volta Para a Minha Terra e pode, finalmente, retornar às Ilhas de Ferro. Porém, depois de dez anos vivendo com os Stark, em Winterfell, é natural que o moço passasse por alguma crise de identidade. Portanto, peguem suas marimbas e se juntem à malemolência do oceano para ajudar Theon a se recordar da superioridade das terras de seu pai (ou pelo menos isso é o que eles deveriam ter feito).


 Não demorou muito para ele se acostumar com a ideia.

 Enquanto Theon nos surpreende pra pior, Sansa tem uma surpresa estranha com Cão de Caça, que sempre a assustou e a todos nós.



 Ao Norte, João das Neves Jon Snow vai se aventurar com sua turminha do barulho numa aventura de gelar o sangue (???). Ele vai explorar o mundo pra lá da Muralha, em busca daquele que prometeu ser muito importante na história, mas morreu antes da página 100 do primeiro livro, seu tio Benjen Stark.
  Lá, Jon Snow conhece os ~selvagens~ e faz amizade convers  tenta matar é apresentado a uma garota que insiste que ele não sabe de nada. E é aí que surge a música que é o maior tapa na cara da história dos musicais da Disney:





  E pra fechar, não podemos nos esquecer dos fofíssimos irmãos Reed. Menino Jojen, o mais novo, tem uns sonhos premonitórios sem sentido, mas o que importa é que quando ele e sua irmã, Meera, se encontraram com Bran Stark pela primeira vez, eles já o conheciam que bruxaria é essa? E agora, eles vão explicar para pequeno Bran o que diabos são aqueles sonhos sequência psicodélica que ele anda tendo.



 Como podemos perceber. Não adianta tentar fugir, a Disney sempre vai encontrar você!

P.S.:



quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Disneyficando a Guerra dos Tronos

  Há quem diga que não há mais nada de original no mundo. Bem, há muitas coisas no mundo que desconheço, então não posso atestar a veracidade de tal informação, mas uma coisa eu posso dizer: não há nada no mundo que não possa virar Disney.

  Querem a prova? Imaginem uma história em que batalhas sangrentas acontecem, cabeças rolam e são postas em estacas, crianças são sequestradas (e mortas, se possível), traições seguidas de morte são o fluxo natural da vida e animais - adivinhem! - também são mortos sem ninguém se importar com a fúria do WWF ou do Greenpeace. Não parece ser o tipo de história preferida dos Estúdios Disney, mas, se olharmos bem, as semelhanças começam a surgir.

(Pequenos SPOILERS a seguir, caso você não tenha lido o primeiro livro e/ou visto a primeira temporada)



  Comecemos pelo pobre filho bastardo, introspectivo e deslocado, Jon Snow. No fundo, a única coisa que ele quer é superar sua condição e descobrir o lugar ao qual ele realmente pertence... e, então, ele descobre que é filho de Zeus OH WAIT!



  Ainda nessa adorável terra gelada chamada Winterfell, a filha mais velha, Sansa, a Sonsa, sonha com o dia em que seu príncipe encantado chegará, assim como nas histórias, porque, afinal, a única pessoa naquele lugar que é realmente uma princesa é ela (já que sua irmã, Arya, é mais bicho do mato do que gente, pensa ela).



  Para a felicidade de Sons Sansa, o rei, com toda a sua comitiva, decide viajar para Winterfell. E foi nesse momento ao som do tema de ...E o vento levou que Sansa conheceu Joffrey, o príncipe herdeiro que aconteceu de ser mais Lannister do que Baratheon :x, e o que ele mais quer é ser rei.


  E falando em gente que quer ser rei... Do outro lado do mar, assim como Heathcliff procurava fama, poder e riqueza na América, Viserys Targaryen também procurava. Heathcliff não conseguiu nada em Pocahontas, o Dragãozinho, porém, conseguiu o que queria, pero no mucho... Dothrakis não parecem ser amigos das metáforas...

"Meus velhos rivais, eu já não me humilho
Não vão zombar mais, quando virem meu brilho"
  Mas voltemos a falar da menina que sofre bullying em casa, porque não sabe (e nem quer) ser uma dama; e em algum momento da história ela corta os cabelos e se disfarça de menino por causa de ~algo~ que aconteceu com o pai. Poderia ser Mulan, mas é a pequena Arya Stark.


  E o arauto do personagem Disney sonhador é Bran Stark. A música de Valente define, ponto.




(Nossa! Chega bateu uma depressão depois dessa D:)

  E para o final épico e esquisito, se fosse da Disney, Daenerys, a Dragonete, juntaria o que restou sua tribo e começaria o "shadowlaaaaaaaaaaand the river's dry, the ground has broken, so I must gooooo" para sinalizar que irá embora para reconquistar o trono (não conhece o musical da Broadway do Rei Leão? Tem que ver isso ae!)




  Menção honrosa para aquele que não é Disney, mas acaba sendo o mais Disney de todos: Jaime Lannister, o Regicida Encantado.

via: http://weheartit.com/entry/21189770


quinta-feira, 7 de março de 2013

Cloud Atlas readalong - Parte 4

The Ghastly Ordeal of Timothy Cavendish
ou o editor que te explica que a literatura morreu!


Nunca confie em um casarão de interior
      Século XXI (cada vez mais moderno esse negócio). Digamos que você seja um editor. Digamos que, em uma premiação, o autor de sua mais nova publicação resolve jogar um crítico que falou mal do livro pela sacada do prédio. O que vocês fariam? É nessa situação que Timothy Cavendish se encontra. Claro que as vendas do livro aumentaram horrores, mas mesmo assim Cavendish está cheio de dívidas e decide pedir ajuda a seu irmão ricoSeu irmão diz conhecer um lugar no interior excelente para passar um temporada sem preocupações. Timothy Cavendish vai direto para o endereço, mas descobre que o lugar não é exatamente o que ele pensava...


    O estilo. Voltamos para a primeira pessoa! Essa quarta parte é como uma autobiografia. Uma autobiografia cheia de humor ácido que só senhorzinhos britânicos conseguem ter. Ele é quase a versão masculina da Maggie Smith (diva!) em O Exótico Hotel Marigold.



    - Nas outras histórias houve momentos em que duvidávamos da autenticidade de cada uma, em The Ghastly Ordeal of Timothy Cavendish isso aparece na certeza que temos de que ele está exagerando os fatos. Ele mesmo comprova isso no começo na história ao transformar três garotas adolescentes que o atacaram na rua em três neonazistas com suásticas tatuadas na cabeça.

      - Melhor definição ever: "I was a man in a horror B-movie asylum." (P. 179)

     Momento ligação. Dentre os manuscritos a serem lidos para possível publicação está –TANDAM – Half-Lives: The First Luisa Rey Mystery, que agora temos certeza de que é um livro. Mas seria esse livro baseado em fatos reais? Porque se não for o caso, isso coloca em cheque todas as histórias anteriores, afinal só conhecemos as cartas de Frobisher por conta de Rufus Sixsmith, que se encontra com Luisa, e só conhecemos o diário de Adam Ewing por conta de Frobisher. 

    - Sua cabeça já está explodindo?

    - Não acontece muito nessa parte, mas só sei que ela é hilária!

sábado, 2 de março de 2013

Cloud Atlas readalong - Parte 3

Half-Lives: The First Luisa Rey Mystery

Primeiro vamos entrar no clima dos protestos, intrigas políticas, advento nuclear e calças boca de sino.

(eu sei que a música é de 65, mas todo mundo gosta dela, não?!)

           Anos 70. Em plena era nuclear conhecemos Luisa Rey, jornalista de uma revista de fofoca – a Spyglass -, filha de um famoso correspondente internacional. Um dia, enquanto fazia uma reportagem (que ela odiava, btw), Luisa fica presa no elevador com um senhor chamado Rufus Sixsmith (rá, conhecem esse nome? Sim, o destinatário das cartas de Robert Frobisher, da seção anterior). Sixsmith é um cientista renomado que trabalha para uma das maiores companhias de energia nuclear, e durante essa... estadia (??) no elevador, Sixsmith conta para Luisa que descobriu uma grande falha no projeto do reator. Quando eu digo falha é no nível Chernobyl de falha! Com isso Luisa vê sua grande chance de furo de reportagem e começa uma série de investigações que podem lhe custar a vida *toca música de chamada de trailer*.
Serião, tenho medo!

           O estilo. Half-Lives: The First Luisa Rey Mystery é a primeira história narrada em terceira pessoa, mostrando vários pontos de vista. Essa parte é escrita no estilo de uma airport novel (aquele livro com história que te prende, que você lê durante a viagem e depois esquece em um canto). Diferente das descrições de Adam Ewing e do lirismo de Robert Frobisher, a escrita é simples (e quase truncada).

        Ligação. Luisa Rey encontra as cartas de Frobisher, assim como Frobisher encontrou o livro de Adam Ewing...

Protesto anti-nuclear
          - O título dessa parte é muito bom! O "meias-vidas" faz referência tanto à radioatividade (todo mundo lembrando das deliciosas aulas de Química?) quanto à estrutura do livro, cada vida sendo contada pela metade. 

         - Essa parte consegue ser tão sem graça quanto no filme :x Jornalista descobre informações sobre grande irregularidade em usina nuclear. Ok, não me importa. Talvez seja o estilo, o suspense nem é bem construído... Só sei que eu quero os anos 30 de volta pra mim! (Eu tento, mas não consigo curtir anos 60 pra frente)

          - Imagino que deve ter sido difícil para um autor do cacife de David Mitchell escrever de formar mais... pobre.

             - Das três partes essa é a que parece mais falsa. Luisa mora em uma cidade fictícia da California, com acontecimentos e personalidades fictícios. Fica na cara que é um livro, o que é interessante porque nem Adam Ewing nem Robert Frobisher dão a entender que suas partes não são reais. 

OMG está começando a confusão!



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Cloud Atlas readalong - Parte 2


Letters from Zedelghem
ou a graça de ler correspondência alheia

Imaginem a situação:

Você é um pianista com potencial e vai apresentar seus serviços a um compositor muito famoso e conceituado. Você chega trabalhado no Chopin, fazendo o Rachmaninoff. Ele vira e fala: dá pra tocar Três Ratinhos Cegos?
Troll level: Vyvyan Ayrs.

Humilde residência belga

Anos 30. Robert Frobisher é um pianista que foi deserdado pela família e expulso de Cambridge. Sem dinheiro, resolve se apresentar para ser escrevente (no original “amanuensis” – palavra muito mais bonita) do famoso compositor britânico Vyvyan Ayrs, que vive em um palacete na Bélgica e está muito doente, a ponto de não mais conseguir escrever suas composições. Detalhe: o genioso Vyvyan Ayrs não pediu ninguém para o posto. Frobisher, então, vai ter de confiar em seu charme (!!) e talento para conseguir o que quer.

O estilo. Letters de Zedelghem é escrito em forma de romance epistolar, mas, curiosamente, só temos acesso às cartas de Robert Frobisher, o que dá sensação de autenticidade. As cartas são enviadas para um certo Sixsmith, que pode ser/ter sido seu amante/peguete/rolinho de verão, as cartas não deixam claro.

Vive la musique. Esse capítulo está lotado de termos e metáforas musicais. Frobisher ouve o mundo como se uma grande sinfonia.

Via tumblr: themusicpoint

- De longe a parte mais legal até agora! Como resistir ao humor oscarwildeano de nosso pianista? Ele é arrogante, egoísta, sem escrúpulos e incrivelmente engraçado (quando quer e quando não quer).

Ligação. Robert Frobisher encontra na biblioteca de Vyvyan Ayrs um livro curioso: The Pacific Journal of Adam Ewing. Lembram dele? Sim, nosso americano com medo de canibais! Porém metade do livro está faltando e Frobisher está doido para ler o resto (ele parece ser a única pessoa realmente animada com a história do EwingzzzZZzzz).

E aí, todo mundo já ama a frase "a half-read book is a half-finished love affair" (P.64)?
(se o livro estiver ruim, não me importo de terminar o relacionamento)

- Se eu fosse ele, teria chegado no Nazareth. Ninguém resiste à malemolência brasileira.



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Já cansaram de blablablás sobre o Oscar?

     Só algumas considerações sobre o que rolou. Até porque eu disse pra mim mesma que ia dormir, mas acabei vendo tudo. Autocontrole pra quê?
     Esse foi o ano em que eu acertei tudo em que dei palpite. Isso nunca mais vai acontecer e eu nunca vou ganhar um ano de cinema grátis no Cinemark #chatiada

     A noite começou com Django, Christoph Waltz ganhou Melhor Ator Coadjuvante. Não tenho do que reclamar; muito  um pouco mais tarde, Tarantino ganha Melhor Roteiro Original, e alguém deveria ter arrumado o terno dele. Logo depois vieram duas categorias que eu tinha meu favorito e não abria mão: Melhores Efeitos Visuais e Melhor Fotografia. Os Avengers chegaram lá cadê Loki? Cadê? e anunciaram que As aventuras de Pi ganhou ambos. Não esperava menos de um filme 90% CGI, céu de aquarela e bichinhos feitos pelinho por pelinho.
Gimme a roar, Richard Parker!


Jennifer caindo todo mundo já viu,
vamos ver quem deveria ter ganhado...
       Já que falei de ator, vamos logo comentar sobre esse vespeiro. Daniel Day-Lewis ganha Melhor Ator, mas uma amiga minha jura que o cara que faz Lincoln em Lincoln, o caçador de vampiros é melhor eu ainda não vi o filme, mas é o Day-Lewis, né? Melhor Atriz Coadjuvante pra princesa de Genóvia - como esperado -, e foi uma das únicas coisas que eu realmente gostei em Les Mis. Agora vamos falar de menina Jennifer Lawrence ganhando Melhor Atriz e caindo na escada. Ela é linda e talentosa, maaaas só de ver as cenas da Emmanuelle Riva em Amour eu me arrepiava!
(Btw, não tenho coragem de ver esse filme). Mas a Academia tem essas coisas de não querer dar prêmio pra gringo (Rio que o diga)...

       E então chegou o momento mais esperado por mim: Melhor Trilha Sonora. Tem gente que faz maratona de filmes, eu até tento, mas não abro mão de ouvir todas as trilhas indicadas! Meu coração é do John Williams, mas a música de Lincoln é tão... normal. Por um tempo, apesar de não gostar dela no filme, a trilha de Pi estava me ganhando. O trabalho do Mychael Danna em misturar música ocidental com aquelas loucuras da música oriental é muito digno. Porém, Anna Karenina apareceu na minha vida. Cheguei a falar que a briga ficaria entre a cítara e a balalaica e a cítara venceu. Não era o meu preferido, mas tá bom (:
(Ok. Ouvir Under Paris Skies versão indiana é algo bem inesperado, e a galera na cerimônia pareceu concordar)

Número musical do Ang Lee:
"what a wooonderfuuul wooorld"
   Falando em As aventuras de Pi, o BOOM na minha cara foi quando o Ang Lee ganhou o Oscar de fofura Melhor Diretor. Por essa eu não esperava mesmo! Pior que só tinha gente forte nessa categoria, aí fica difícil. Mas já que ganhou, não achei ruim. O lance do livro ser "inadaptável" não é por causa da dificuldade em transformar em roteiro, mas sim como aquilo no roteiro iria ganhar vida. O diretor precisaria ser o Hayao Miyazaki criativo e ousado; no caso, o Ang Lee apostou em filmar em 3D e quase tudo digital, além de direcionar um menino que nunca tinha atuado na vida... Se o diretor não fosse bom, o filme seria sofrível!

  E então Argo começou a mostrar as asinhas. Melhor Roteiro Adaptado (super merecido!) aqui, Melhor Edição ali... Até que Michelle Obama, sim, a própria, a diva, anuncia o vencedor de Melhor Filme, justo ele: Argo fuck yourself. Eu gostei muito desse filme, no nível de torcer pro povo da embaixada conseguir ir embora e ficar agoniada na cena do aeroporto, mas não acho que seja um mega filme, não! Mas vamos analisar as circunstâncias. É claro que ia rolar filme patriota - com a expansão do cinema, a gente costuma esquecer que a festa é dos Estados Unidos -, minha dúvida era Lincoln ou Argo. Imaginei que Argo ganharia por motivos de: 1.tratar de um assunto mais moderno e mostrar os EUA sambando na cara do Oriente Médio; 2. é um filme metalinguístico, tipo Hugo, sabe? Em vários momentos eles falam sobre como é fazer um filme, mas dessa vez do ponto de vista dos produtores. 
         
Tentaram me esnobar?
Na sua cara!!
       Todo ano é a mesma coisa. Tem o filme que você mais gosta, tem o filme que os outros gostam mais. Tem o filme que você sabe que é bom, mas tem preguiça de ver. Tem os injustiçados, tem as surpresas. E, depois, tem um bando de gente discutindo ad aeternum... Não sei quem tá lendo, mas eu fiquei satisfeita. Tinha filmes muito bons em todas as categorias e os prêmios ficaram, relativamente, bem distribuídos. Sem síndrome de Titanic, faz favor.

Considerações finais:
> Melhor piada do Oscar: o ator que entrou melhor na cabeça de Lincoln foi John Wilkes Booth. COMO EU RI! (pros que não são muito chegados em História: Booth, um ator bem conhecido na época, assassinou o presidente Lincoln com uma bala na cabeça.)
> Oscar 2013 providenciando momentos como: Harry Potter e Robin sapateando juntos.
> É impressão minha ou o Leaf Joaquin Phoenix não gostou... de ser indicado? Eu sei que ele tem umas tretas com a Academia... #SddsRiverPhoenix
"Podia ter ficado em casa dormindo..."
> Kristen Stewart toda roxa, mancando e apresentando categoria com a animação de uma escova de dentes.
> Cadê DiCaprio? Cadê? Anotem aí, quando ele ganhar vai ser por um papel muito fraco, só pela redenção mesmo.
> Spielberg + John Williams: o que está acontecendo com vocês, queridos? Cansaram de ganhar prêmio?

E um pouco de Aaron Tveit, porque merecemos.
Reparem na pose "licença, sou da Broadway".

(via http://www.zimbio.com/Going+Viral/articles/GRcCO4OSXr-/The+Best+Oscar+2013+GIFs)

           

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Cloud Atlas readalong - Parte 1

The Pacific Journal of Adam Ewing
ou simplesmente Adam Ewing e seu diário chato


Ilhas Chatham

Século XIX. Adam Ewing é um americano que está viajando pelas ilhas do Pacífico Sul. Enquanto seu navio – o Prophetess – é reparado, ele deve ficar nas Ilhas Chatham (perto da Nova Zelândia) e aí mora o perigo!  A ilha está lotada de canibais! Ou pelo menos é o que a cabecinha de colonizador de Mr. Ewing o faz pensar. Durante sua estadia na ilha canibal, ele conhece Dr. Henry Goose, que afirma que Ewing está contaminado por um verme megaevil. E como se a vida do pobre Ewing não pudesse ficar pior, e se eu dissesse que ele será obrigado a ajudar um índio nativo da ilha, de maneira inesperada?!


Índios Moriori,
da Nova Zelândia
O estilo. The Pacific Journal of Adam Ewing é escrito no melhor estilo dos romances marítimos, tipo Melville, sabe? Esperem um bando de palavra antiga que ninguém mais usa. Amplie seu vocabulário e fale como um yankee pré-Guerra de Secessão. Sucesso garantido com as gatinhas! Também esperem muitas, mas muitas descrições de tudo que é exótico.

Adam Ewing se encaixaria na categoria “é bonitinho, mas não pensa por si próprio” (Isso é uma categoria?). Ok, ok, é a época. Ele é legalzinho, sim, só há de se ter paciência.

Reparem no mecanismo de legitimação. Em certo ponto aparece uma nota de rodapé assinada por um tal J.E (talvez o filho de Adam, Jackson), mostra que estamos lendo uma versão revisada do texto e não a original escrita por Adam. 
Amo quando os autores fazem essas brincadeiras!


Navio do séc. XIX.
Tem gente que gosta de trem,
eu gosto de barquinhos.
Frase notável. “I recalled my father-in-law’s aphorism “To fool a judge, feign fascination, but to bamboozle the whole court, feign boredom” & and I pretended to extract a speck from my eye.” (P. 34) PURE GENIUS!

Ainda bem que eu conheço a história, porque é bem fácil jogar o livro pro alto e fingir que não viu por causa dessa primeira partezzzZZZzzz.
No mais, começo de história é assim mesmo: curto, pouca informação e pouco sentido. 
Vamos ver o que a próxima parte nos espera, shall we?

Alguém aí lembra da música de Mestre dos Mares?



O que nos leva para a Parte 2 ->