sábado, 26 de janeiro de 2013

Cloud Atlas - o filme dos múltiplos de seis

  Um filme ambicioso que conta seis histórias, dirigido por três diretores e com três compositores para a trilha sonora. Cloud Atlas, o novo filme dos irmãos Yakisoba Wachowski (eles mesmos de Matrix) e Tom Tykwer (Perfume, Corra, Lola, Corra) - adaptação do livro homônimo de David Mitchell -,  chegou por aqui com o psicodélico título A viagem e causou um certo alarde por motivos de: 1- ter sido completamente ignorado no Oscar. 2- ter uma história tão confusa que se você piscasse na hora errada já podia ir saindo da sala, porque não entenderia mais nada.
  As seis histórias consistem em: uma aventura marítima no século XVIII, o drama de um compositor nos anos 30, um thriller envolvendo uma jornalista no auge da Guerra Fria, uma comédia com ares britânicos de um senhorzinho idoso querendo fugir do asilo, nos dias de hoje, uma rebelião em meio a uma distopia em 2144, e, por fim, uma guerra de tribos em um futuro pós-apocalíptico. 
  Como diabos essas histórias justificam a frase do pôster, "tudo está conectado"? As tais conexões vão desde pequenas coincidências de nomes, lugares e acontecimentos, até sensações de viés mais profundo. O filme ainda faz uma brincadeira interessante ao colocar os mesmos treze atores droga, 13 não é múltiplo para interpretarem diversos papéis durante a história. Alguns papéis são maiores, outros são pequenas pontas. Dica: uma das maiores diversões do filme é ficar tentando acertar quem é quem.
  Primeiro de tudo, o filme não é confuso. As histórias são bem distintas, logo é bem difícil confundir uma com a outra. O que pode causar uma certa confusão de início é o ritmo da narrativa; as histórias são mostradas de forma entrecortada, uma dando a deixa para a outra entrar, e, de uma hora para outra, você sai da deliciosa comédia britânica e vai parar no meio do mar. Mas nada que não dê para se acostumar.
   Talvez o maior problema do filme seja a duração. TRÊS HORAS de puro wibbly-wobbly-timey-wimey! Chega uma hora que você cansa, ainda mais porque, por serem histórias bem diferentes, o clímax de uma nem sempre acompanha o clímax da outra. Não tem como comparar as batalhas futurísticas em Neo-Seoul com a escalada da montanha no plot das tribos pós-apocalípticas, pior a história do compositor que nem um clímax apropriado tem, quando você vê ele... Bem, spoilers.
Participação especial do
Chapeleiro Maluco
  O fato de usarem os mesmos atores gera momentos interessantes, mas também acaba fechando as interpretações da história em uma só. A ideia de reencarnação acaba sendo a principal explorada - e de forma bem óbvia -, quando outras tantas interpretações poderiam ser válidas, deixando o filme mais rico.
  Não se enganem, o filme é muito bom e merece ser assistido. O trabalho de maquiagem, ainda mais pra um filme de orçamento independente, está primoroso e todo trabalhado nas peripécias. A trilha sonora, apesar do alarde por não ter levado o Globo de Ouro, é boa, muito bonita, mas não chega a ser inacreditável (Cadê o tal sexteto? CADÊ?). Os atores estão todos muito bons (alguns excelentes!). Imaginem como é ter de fazer dois, três, quatro personagens de uma vez, deixando bem clara as diferenças entre eles!
  Porém Cloud Atlas não vai te entregar tudo mastigadinho e seus questionamentos ao final vão ir muito além de o pião caiu ou continuou rodando. E essa é a graça do filme, cada um vai ligar seus próprios pontos e tirar sua própria mensagem. Na pior das hipóteses, pelo menos você terá visto seis filmes pelo preço de um!

Essa turminha que vai aprontar
altas aventuras!
P.S1.: As histórias mais legais: a do compositor (pianistas unidos o/) e a de Neo-Seoul - também são as duas com as melhores atuações. A dos velhinhos ganha crédito por eles serem incrivelmente fofos!
P.S2.: Como o plot das tribos do Tom Hanks é chato! Um pouquinho de mim morria toda vez que eles apareciam em cena. Em compensação, o pobre Frobisher - o compositor -, um dos únicos que não fala frases breguinhas, deve ter recebido o menor tempo de tela do filme #chatiada
P.S3.: Por que foi ignorado no Oscar? Porque faltou um pouquinho mais de estabilidade pro filme chegar lá (além dos aspectos políticos de sempre). Ou vai ver foram só as minhas expectativas...
  

3 comentários:

  1. Muito boa essa resenha, parabéns! Eu quero acreditar que não foi indicado ao Oscar (maquiagem, atuação - Jim Sturgess e Halle Berry, principalmente - e fotografia) por ter lançado tarde demais, estou torcendo para concorrer em outras premiações

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  2. Oi Vev's,adoro seus vídeos e seu blog,por isso deixei um selinho pra vc no meu blog,espero que goste !
    http://bookshelfdream.blogspot.com.br/

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  3. Deixo aqui aquilo que o filme me transmitiu, algo que registei no meu blog secreto que nao é assim tao secreto.

    o meu ponto de vista sobre o filme Cloud Atlas (para quem viu) - longo

    - a sociedade evolui mas continua a querer dominar a liberdade de terceiros. ninguém é livre totalmente. estamos sempre condicionados pela época em que vivemos (de alguma forma). no filme: 1º mulher emancipada, 2º escravidão, 3º homossexualidade, 4º críticos e editoras/liberdade criativa, 5º robots programados.

    - reencarnação presente neste filme. somos condicionados pelas nossas acções. somos maus, somos ajudados. precisamos uns dos outros. no filme: o músico idoso diz por um momento: "Às vezes derrotas o dragão e, por vezes, o dragão derrota-te". diversos pedidos de ajuda.

    - a arte presente em todas as histórias. arte é eterna. a arte liga-nos. no filme: cartas, música e livros.

    - oportunismo como forma de vencer. no filme: 1º o novo músico que trabalha com um músico com conhecimento mas sem movimento devido à idade, 2º o editor que usa o fim trágico para ganhar mais tostões : que por sua vez é ameaçado e extorquido, 3º robots programados para produzir dinheiro a maior velocidade : a robot sente ciumes do sucesso de outra robot, 4º petroleo.

    - o passado persegue-nos. a vida é como uma grande viagem feita de escolhas. estamos ligados, somos consequencias de escolhas bem ou mal feitas.

    muito bom.

    Vou esperar pelos comentários, acho que me vou divertir muito.
    A Mulher que Ama Livros.

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