quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Cloud Atlas readalong - Parte 2


Letters from Zedelghem
ou a graça de ler correspondência alheia

Imaginem a situação:

Você é um pianista com potencial e vai apresentar seus serviços a um compositor muito famoso e conceituado. Você chega trabalhado no Chopin, fazendo o Rachmaninoff. Ele vira e fala: dá pra tocar Três Ratinhos Cegos?
Troll level: Vyvyan Ayrs.

Humilde residência belga

Anos 30. Robert Frobisher é um pianista que foi deserdado pela família e expulso de Cambridge. Sem dinheiro, resolve se apresentar para ser escrevente (no original “amanuensis” – palavra muito mais bonita) do famoso compositor britânico Vyvyan Ayrs, que vive em um palacete na Bélgica e está muito doente, a ponto de não mais conseguir escrever suas composições. Detalhe: o genioso Vyvyan Ayrs não pediu ninguém para o posto. Frobisher, então, vai ter de confiar em seu charme (!!) e talento para conseguir o que quer.

O estilo. Letters de Zedelghem é escrito em forma de romance epistolar, mas, curiosamente, só temos acesso às cartas de Robert Frobisher, o que dá sensação de autenticidade. As cartas são enviadas para um certo Sixsmith, que pode ser/ter sido seu amante/peguete/rolinho de verão, as cartas não deixam claro.

Vive la musique. Esse capítulo está lotado de termos e metáforas musicais. Frobisher ouve o mundo como se uma grande sinfonia.

Via tumblr: themusicpoint

- De longe a parte mais legal até agora! Como resistir ao humor oscarwildeano de nosso pianista? Ele é arrogante, egoísta, sem escrúpulos e incrivelmente engraçado (quando quer e quando não quer).

Ligação. Robert Frobisher encontra na biblioteca de Vyvyan Ayrs um livro curioso: The Pacific Journal of Adam Ewing. Lembram dele? Sim, nosso americano com medo de canibais! Porém metade do livro está faltando e Frobisher está doido para ler o resto (ele parece ser a única pessoa realmente animada com a história do EwingzzzZZzzz).

E aí, todo mundo já ama a frase "a half-read book is a half-finished love affair" (P.64)?
(se o livro estiver ruim, não me importo de terminar o relacionamento)

- Se eu fosse ele, teria chegado no Nazareth. Ninguém resiste à malemolência brasileira.



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Já cansaram de blablablás sobre o Oscar?

     Só algumas considerações sobre o que rolou. Até porque eu disse pra mim mesma que ia dormir, mas acabei vendo tudo. Autocontrole pra quê?
     Esse foi o ano em que eu acertei tudo em que dei palpite. Isso nunca mais vai acontecer e eu nunca vou ganhar um ano de cinema grátis no Cinemark #chatiada

     A noite começou com Django, Christoph Waltz ganhou Melhor Ator Coadjuvante. Não tenho do que reclamar; muito  um pouco mais tarde, Tarantino ganha Melhor Roteiro Original, e alguém deveria ter arrumado o terno dele. Logo depois vieram duas categorias que eu tinha meu favorito e não abria mão: Melhores Efeitos Visuais e Melhor Fotografia. Os Avengers chegaram lá cadê Loki? Cadê? e anunciaram que As aventuras de Pi ganhou ambos. Não esperava menos de um filme 90% CGI, céu de aquarela e bichinhos feitos pelinho por pelinho.
Gimme a roar, Richard Parker!


Jennifer caindo todo mundo já viu,
vamos ver quem deveria ter ganhado...
       Já que falei de ator, vamos logo comentar sobre esse vespeiro. Daniel Day-Lewis ganha Melhor Ator, mas uma amiga minha jura que o cara que faz Lincoln em Lincoln, o caçador de vampiros é melhor eu ainda não vi o filme, mas é o Day-Lewis, né? Melhor Atriz Coadjuvante pra princesa de Genóvia - como esperado -, e foi uma das únicas coisas que eu realmente gostei em Les Mis. Agora vamos falar de menina Jennifer Lawrence ganhando Melhor Atriz e caindo na escada. Ela é linda e talentosa, maaaas só de ver as cenas da Emmanuelle Riva em Amour eu me arrepiava!
(Btw, não tenho coragem de ver esse filme). Mas a Academia tem essas coisas de não querer dar prêmio pra gringo (Rio que o diga)...

       E então chegou o momento mais esperado por mim: Melhor Trilha Sonora. Tem gente que faz maratona de filmes, eu até tento, mas não abro mão de ouvir todas as trilhas indicadas! Meu coração é do John Williams, mas a música de Lincoln é tão... normal. Por um tempo, apesar de não gostar dela no filme, a trilha de Pi estava me ganhando. O trabalho do Mychael Danna em misturar música ocidental com aquelas loucuras da música oriental é muito digno. Porém, Anna Karenina apareceu na minha vida. Cheguei a falar que a briga ficaria entre a cítara e a balalaica e a cítara venceu. Não era o meu preferido, mas tá bom (:
(Ok. Ouvir Under Paris Skies versão indiana é algo bem inesperado, e a galera na cerimônia pareceu concordar)

Número musical do Ang Lee:
"what a wooonderfuuul wooorld"
   Falando em As aventuras de Pi, o BOOM na minha cara foi quando o Ang Lee ganhou o Oscar de fofura Melhor Diretor. Por essa eu não esperava mesmo! Pior que só tinha gente forte nessa categoria, aí fica difícil. Mas já que ganhou, não achei ruim. O lance do livro ser "inadaptável" não é por causa da dificuldade em transformar em roteiro, mas sim como aquilo no roteiro iria ganhar vida. O diretor precisaria ser o Hayao Miyazaki criativo e ousado; no caso, o Ang Lee apostou em filmar em 3D e quase tudo digital, além de direcionar um menino que nunca tinha atuado na vida... Se o diretor não fosse bom, o filme seria sofrível!

  E então Argo começou a mostrar as asinhas. Melhor Roteiro Adaptado (super merecido!) aqui, Melhor Edição ali... Até que Michelle Obama, sim, a própria, a diva, anuncia o vencedor de Melhor Filme, justo ele: Argo fuck yourself. Eu gostei muito desse filme, no nível de torcer pro povo da embaixada conseguir ir embora e ficar agoniada na cena do aeroporto, mas não acho que seja um mega filme, não! Mas vamos analisar as circunstâncias. É claro que ia rolar filme patriota - com a expansão do cinema, a gente costuma esquecer que a festa é dos Estados Unidos -, minha dúvida era Lincoln ou Argo. Imaginei que Argo ganharia por motivos de: 1.tratar de um assunto mais moderno e mostrar os EUA sambando na cara do Oriente Médio; 2. é um filme metalinguístico, tipo Hugo, sabe? Em vários momentos eles falam sobre como é fazer um filme, mas dessa vez do ponto de vista dos produtores. 
         
Tentaram me esnobar?
Na sua cara!!
       Todo ano é a mesma coisa. Tem o filme que você mais gosta, tem o filme que os outros gostam mais. Tem o filme que você sabe que é bom, mas tem preguiça de ver. Tem os injustiçados, tem as surpresas. E, depois, tem um bando de gente discutindo ad aeternum... Não sei quem tá lendo, mas eu fiquei satisfeita. Tinha filmes muito bons em todas as categorias e os prêmios ficaram, relativamente, bem distribuídos. Sem síndrome de Titanic, faz favor.

Considerações finais:
> Melhor piada do Oscar: o ator que entrou melhor na cabeça de Lincoln foi John Wilkes Booth. COMO EU RI! (pros que não são muito chegados em História: Booth, um ator bem conhecido na época, assassinou o presidente Lincoln com uma bala na cabeça.)
> Oscar 2013 providenciando momentos como: Harry Potter e Robin sapateando juntos.
> É impressão minha ou o Leaf Joaquin Phoenix não gostou... de ser indicado? Eu sei que ele tem umas tretas com a Academia... #SddsRiverPhoenix
"Podia ter ficado em casa dormindo..."
> Kristen Stewart toda roxa, mancando e apresentando categoria com a animação de uma escova de dentes.
> Cadê DiCaprio? Cadê? Anotem aí, quando ele ganhar vai ser por um papel muito fraco, só pela redenção mesmo.
> Spielberg + John Williams: o que está acontecendo com vocês, queridos? Cansaram de ganhar prêmio?

E um pouco de Aaron Tveit, porque merecemos.
Reparem na pose "licença, sou da Broadway".

(via http://www.zimbio.com/Going+Viral/articles/GRcCO4OSXr-/The+Best+Oscar+2013+GIFs)

           

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Cloud Atlas readalong - Parte 1

The Pacific Journal of Adam Ewing
ou simplesmente Adam Ewing e seu diário chato


Ilhas Chatham

Século XIX. Adam Ewing é um americano que está viajando pelas ilhas do Pacífico Sul. Enquanto seu navio – o Prophetess – é reparado, ele deve ficar nas Ilhas Chatham (perto da Nova Zelândia) e aí mora o perigo!  A ilha está lotada de canibais! Ou pelo menos é o que a cabecinha de colonizador de Mr. Ewing o faz pensar. Durante sua estadia na ilha canibal, ele conhece Dr. Henry Goose, que afirma que Ewing está contaminado por um verme megaevil. E como se a vida do pobre Ewing não pudesse ficar pior, e se eu dissesse que ele será obrigado a ajudar um índio nativo da ilha, de maneira inesperada?!


Índios Moriori,
da Nova Zelândia
O estilo. The Pacific Journal of Adam Ewing é escrito no melhor estilo dos romances marítimos, tipo Melville, sabe? Esperem um bando de palavra antiga que ninguém mais usa. Amplie seu vocabulário e fale como um yankee pré-Guerra de Secessão. Sucesso garantido com as gatinhas! Também esperem muitas, mas muitas descrições de tudo que é exótico.

Adam Ewing se encaixaria na categoria “é bonitinho, mas não pensa por si próprio” (Isso é uma categoria?). Ok, ok, é a época. Ele é legalzinho, sim, só há de se ter paciência.

Reparem no mecanismo de legitimação. Em certo ponto aparece uma nota de rodapé assinada por um tal J.E (talvez o filho de Adam, Jackson), mostra que estamos lendo uma versão revisada do texto e não a original escrita por Adam. 
Amo quando os autores fazem essas brincadeiras!


Navio do séc. XIX.
Tem gente que gosta de trem,
eu gosto de barquinhos.
Frase notável. “I recalled my father-in-law’s aphorism “To fool a judge, feign fascination, but to bamboozle the whole court, feign boredom” & and I pretended to extract a speck from my eye.” (P. 34) PURE GENIUS!

Ainda bem que eu conheço a história, porque é bem fácil jogar o livro pro alto e fingir que não viu por causa dessa primeira partezzzZZZzzz.
No mais, começo de história é assim mesmo: curto, pouca informação e pouco sentido. 
Vamos ver o que a próxima parte nos espera, shall we?

Alguém aí lembra da música de Mestre dos Mares?



O que nos leva para a Parte 2 ->