quinta-feira, 7 de março de 2013

Cloud Atlas readalong - Parte 4

The Ghastly Ordeal of Timothy Cavendish
ou o editor que te explica que a literatura morreu!


Nunca confie em um casarão de interior
      Século XXI (cada vez mais moderno esse negócio). Digamos que você seja um editor. Digamos que, em uma premiação, o autor de sua mais nova publicação resolve jogar um crítico que falou mal do livro pela sacada do prédio. O que vocês fariam? É nessa situação que Timothy Cavendish se encontra. Claro que as vendas do livro aumentaram horrores, mas mesmo assim Cavendish está cheio de dívidas e decide pedir ajuda a seu irmão ricoSeu irmão diz conhecer um lugar no interior excelente para passar um temporada sem preocupações. Timothy Cavendish vai direto para o endereço, mas descobre que o lugar não é exatamente o que ele pensava...


    O estilo. Voltamos para a primeira pessoa! Essa quarta parte é como uma autobiografia. Uma autobiografia cheia de humor ácido que só senhorzinhos britânicos conseguem ter. Ele é quase a versão masculina da Maggie Smith (diva!) em O Exótico Hotel Marigold.



    - Nas outras histórias houve momentos em que duvidávamos da autenticidade de cada uma, em The Ghastly Ordeal of Timothy Cavendish isso aparece na certeza que temos de que ele está exagerando os fatos. Ele mesmo comprova isso no começo na história ao transformar três garotas adolescentes que o atacaram na rua em três neonazistas com suásticas tatuadas na cabeça.

      - Melhor definição ever: "I was a man in a horror B-movie asylum." (P. 179)

     Momento ligação. Dentre os manuscritos a serem lidos para possível publicação está –TANDAM – Half-Lives: The First Luisa Rey Mystery, que agora temos certeza de que é um livro. Mas seria esse livro baseado em fatos reais? Porque se não for o caso, isso coloca em cheque todas as histórias anteriores, afinal só conhecemos as cartas de Frobisher por conta de Rufus Sixsmith, que se encontra com Luisa, e só conhecemos o diário de Adam Ewing por conta de Frobisher. 

    - Sua cabeça já está explodindo?

    - Não acontece muito nessa parte, mas só sei que ela é hilária!

sábado, 2 de março de 2013

Cloud Atlas readalong - Parte 3

Half-Lives: The First Luisa Rey Mystery

Primeiro vamos entrar no clima dos protestos, intrigas políticas, advento nuclear e calças boca de sino.

(eu sei que a música é de 65, mas todo mundo gosta dela, não?!)

           Anos 70. Em plena era nuclear conhecemos Luisa Rey, jornalista de uma revista de fofoca – a Spyglass -, filha de um famoso correspondente internacional. Um dia, enquanto fazia uma reportagem (que ela odiava, btw), Luisa fica presa no elevador com um senhor chamado Rufus Sixsmith (rá, conhecem esse nome? Sim, o destinatário das cartas de Robert Frobisher, da seção anterior). Sixsmith é um cientista renomado que trabalha para uma das maiores companhias de energia nuclear, e durante essa... estadia (??) no elevador, Sixsmith conta para Luisa que descobriu uma grande falha no projeto do reator. Quando eu digo falha é no nível Chernobyl de falha! Com isso Luisa vê sua grande chance de furo de reportagem e começa uma série de investigações que podem lhe custar a vida *toca música de chamada de trailer*.
Serião, tenho medo!

           O estilo. Half-Lives: The First Luisa Rey Mystery é a primeira história narrada em terceira pessoa, mostrando vários pontos de vista. Essa parte é escrita no estilo de uma airport novel (aquele livro com história que te prende, que você lê durante a viagem e depois esquece em um canto). Diferente das descrições de Adam Ewing e do lirismo de Robert Frobisher, a escrita é simples (e quase truncada).

        Ligação. Luisa Rey encontra as cartas de Frobisher, assim como Frobisher encontrou o livro de Adam Ewing...

Protesto anti-nuclear
          - O título dessa parte é muito bom! O "meias-vidas" faz referência tanto à radioatividade (todo mundo lembrando das deliciosas aulas de Química?) quanto à estrutura do livro, cada vida sendo contada pela metade. 

         - Essa parte consegue ser tão sem graça quanto no filme :x Jornalista descobre informações sobre grande irregularidade em usina nuclear. Ok, não me importa. Talvez seja o estilo, o suspense nem é bem construído... Só sei que eu quero os anos 30 de volta pra mim! (Eu tento, mas não consigo curtir anos 60 pra frente)

          - Imagino que deve ter sido difícil para um autor do cacife de David Mitchell escrever de formar mais... pobre.

             - Das três partes essa é a que parece mais falsa. Luisa mora em uma cidade fictícia da California, com acontecimentos e personalidades fictícios. Fica na cara que é um livro, o que é interessante porque nem Adam Ewing nem Robert Frobisher dão a entender que suas partes não são reais. 

OMG está começando a confusão!